Chiquititas Brasil (2ª Temporada, 1998) – A chegada de Fábio
Os segredos de Fábio.
O número dos
moradores do Orfanato Raio de Luz não para de crescer. Há pouco tempo, Carolina
conversou com o Juiz Mendes sobre a possibilidade de acolher o Júlio oficialmente
no orfanato, porque morar com a Carmem tem sido um tormento constante, e quando
o juiz a chama para conversar, ela teme que algo tenha dado errado nesse
sentido, depois de o Júlio já ter se mudado… mas não. O Juiz Mendes tem um
pedido e uma missão para a Carolina: ele apresenta à Carolina uma criança sobre
quem ele não parece poder dizer muita coisa, a julgar pela maneira como diz que
“para todos os efeitos o seu nome é Fábio”. O Juiz Mendes diz que gostaria que
o “Fábio” fosse para o orfanato com ela ainda hoje, mas ninguém pode saber a
sua identidade.
Preciso
dizer que eu GOSTO MUITO dessa apresentação de Fábio, porque tem um quê
bem-vindo de mistério… Carolina nem sabe qual é o nome verdadeiro do garoto que
chamará de “Fábio”, nem qual é o segredo por trás do pedido do juiz, mas isso
não significa que ela não vai levá-lo para casa e cuidar dele. O Juiz Mendes
está confiando nela. Quando chega em casa, Carolina reúne todas as crianças na
sala para uma “reunião”, na qual ela informa que já deu tudo certo com o
processo do Júlio e ele vai ficar morando oficialmente no Orfanato Raio de Luz,
e também diz que tem uma outra notícia… um
novo morador, chamado “Fábio”. As crianças reagem de maneiras diferentes ao
novo integrante do grupo, porque ainda é uma novidade.
Fábio é um
garoto de origem asiática e que talvez nem saiba falar português… ele sabe,
como as crianças vão descobrindo aos poucos, mas parece que não, inicialmente.
Com costumes distintos, como o de meditar no quarto, Fábio causa estranheza, e
o roteiro trabalha com isso de uma forma até que bastante consciente para os
anos 1990. Bia, por exemplo, é maldosa com o Fábio e o chama de “feio”, mas Ana
se recusa a vê-lo dessa maneira e vai conversar com Mili a respeito, e Mili faz
todo um discurso sobre como o Fábio não é feio por ser diferente deles, e sobre
como todos ali são diferentes uns dos outros – alguns são altos como o Rafa,
outros baixos como a Maria, por exemplo. Não seria muito chato se todo o mundo
fosse igual, afinal?
Ana é a primeira amiga de Fábio. Os meninos
não estão preparados para acolhê-lo da maneira correta, estranham a meditação e
desconfiam do que ele esconde dentro de uma misteriosa caixa de sapato, mas é a
Ana quem se aproxima e descobre um Circo de
Pulgas, com pulgas amestradas, que ele guarda com muito carinho. É com Ana
quem Fábio conversa pela primeira vez, mas ele pede que ela guarde o seu
segredo de que ele sabe falar português… logo, no entanto, o segredo e o início
da sua amizade com Ana são ameaçados. Maldosamente, os meninos decidem pegar o Circo de Pulgas de Fábio e
encher a caixa de veneno, como se ele estivesse pensando em “atacá-los” com as
pulgas, e Ana é quase uma cúmplice, porque ela é inocente demais…
Ela impede
que os meninos façam mal contra as pulgas de Fábio, no entanto.
Ainda assim,
quando o Fábio chega ao quarto, é Ana quem está segurando o frasco de veneno
perto da sua preciosa caixa, então ele fica bravo e a chama de “assassina” e de
“traidora”, até que ele finalmente entenda que a Ana não teve culpa de nada…
mas é tão tristinho ver a Ana se sentindo mal porque o Fábio está bravo com
ela, porque ela realmente quer ser sua amiga e não estava fazendo nada de mau.
Então, para tentar conseguir o perdão de Fábio, Ana tenta chamar a sua atenção
com apresentações circenses, já que ele parece gostar disso, e no começo nada
parece dar certo… até que o Fábio vá falar com ela e dizer que percebeu que ela
é legal e que, por isso, quer continuar sendo seu amigo. É o primeiro vínculo
criado por Fábio no orfanato.
Toda a
questão de ele chamar a Ana de “assassina” e de “traidora” na frente de Binho e
de Thiago faz com que o segredo de ele falar português venha à tona… e,
confusos, os meninos se reúnem para ir falar com a Carolina sobre isso, dizendo
que “temem que ele esteja armando alguma coisa”, mas Carolina dá um show de
sabedoria, como sempre: ela fala sobre como o Fábio tem direito ao silêncio, se
é o que ele quer e não está fazendo mal a ninguém, e eles não podem o obrigar a
fazer nada que ele não queira, como conversar.
Acho que a cena da Carolina com o s meninos é um passo importante para que o
tratamento deles com o Fábio mude. Vamos ver como as coisas acontecem daqui
para frente… e bem-vindo ao Orfanato Raio de Luz, Fábio!
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