The Beauty 1x06 – Beautiful Patient Zero

Reflexo.

Impressionante a sensibilidade dessa série quando eu menos estou esperando por isso. Exibido em 11 de fevereiro de 2026, “Beautiful Patient Zero” é o sexto episódio de “The Beauty” e é dividido em duas partes que são antíteses, de alguma maneira: inicialmente, vemos Byron Forst se autointitulando deus depois da transformação pela qual passara, e com a qual ele pretende fazer ainda mais dinheiro; depois, acompanhamos duas pessoas que trabalham infelizes em um laboratório e a quem a droga que está sendo sintetizada lá dentro pode significar mais do que poder e dinheiro, mas a possibilidade de trazer à tona quem eles realmente são e quem querem ser.

Eu gosto do jogo constante de “The Beauty” que é feito de absurdos e aparentes exageros que, no fundo, são representações muito apuradas de toda uma parcela da sociedade. A confiança e a arrogância de Byron nascem de um contexto no qual ele sabe que ninguém pode atingi-lo – não podiam antes, graças ao seu dinheiro, agora menos ainda, graças à sua beleza. Ele pouco se importa com qualquer outra coisa, e a invencibilidade o torna ainda mais perigoso quando ele acredita ser a pessoa que vai transmitir e/ou vender a droga da perfeição e mudar todo o mundo e como a sociedade lida com padrões de beleza… seu discurso ensaiado e apresentado para a esposa é cheio de camadas.

Talvez uma das coisas mais interessantes dessa interação entre Byron e a esposa depois da transformação seja a incapacidade que ele tem de entender a recusa ao “tratamento” – não lhe ocorreu que alguém, qualquer pessoa, podia não querer o que ele tem a oferecer. Tampouco lhe ocorreu o risco que ele corre quando o Dr. Ray mostra que o vírus tende a “explodir” em 855 dias, e é isso o que mantém o médico e criador de The Beauty vivo: a promessa de que ele pode controlar isso e garantir a sua segurança. Byron tem dois motivos para exigir isso: primeiro, sua própria segurança; depois, o fato de que esse vírus é um produto, e ele precisa que esteja tudo em ordem para que ele o venda em 6 meses.

A segunda parte do episódio nos apresenta a Mike e Clara, dois amigos e companheiros de trabalhos que são parte da produção do Dr. Ray – duas daquelas pessoas empregadas pelo cientista e que ele dissera que “não conhecem o produto final, porque tudo é setorizado”. Mike é um homem inseguro com a própria aparência, apaixonado por uma colega de trabalho de outro setor a quem não tem coragem de convidar para sair; Clara é uma mulher trans que está tomando hormônios e se incomoda também com a aparência e com o fato de as pessoas ao seu redor parecerem errar o tempo todo seu gênero. São dois espíritos curiosamente parecidos, de alguma forma.

Gosto da humanidade e da sensibilidade de todas as cenas de Mike e Clara, de todas as conversas que eles compartilham, e de como a “chance” de fazer algo diferente vem quando algo acontece na Zona 4, justamente o local de trabalho de Jen, a mulher de quem Mike gosta e que descobrira que está noiva há 6 meses, e ele começa a descobrir o que acontecera… aparentemente, algo aconteceu a Larry, o macaco de quem Jen cuidava, e ele “se transformou” com algo que foi injetado nele, até o momento em que ele ficou violento e não pôde mais ser controlado. A ideia de algo injetável que lhe dá músculos e causa uma transformação, no entanto, chama a atenção…

Mike rouba duas doses, o que mostra que, desde o início, ele não fez o que fez apenas por si mesmo – ele pensou nele mesmo e em como foi rejeitado por Jen, mas ele pensou também em Clara e em como ela merecia a chance de se tornar quem ela sempre quis ser… a transformação de ambos, que não foca na parte nojenta da saída do casulo, mostra uma escolha criativa que dá outro tom a esse “nascimento”. É menos selvagem, menos nojento, e mais libertador. É uma cena muito bonita quando Mike vai à casa de Clara, se apresenta e lhe entrega a droga que vai torná-la a mulher que ela é, e é esse mesmo o clima do abraço que eles compartilham depois… é profundamente emocionante.

Não sei explicar ao certo… talvez Mike e Clara sejam as primeiras pessoas que enfrentam esse vírus menos focados na vaidade, no poder da beleza ou no que podem conseguir com isso – mesmo Mike, que pensou em Jen e nos “músculos fáceis” quando roubou as seringas, mas principalmente Clara. É algo muito mais íntimo e muito mais belo que os leva a isso, e percebemos que torcemos por eles como talvez não tenhamos torcido por nenhum infectado antes… e é por isso que o final é tão doloroso, porque não temos tempo para curtir essa “felicidade” deles, tampouco tempo para digerir o que aconteceu quando essa trama se conecta a cenas que já vimos anteriormente.

Sabemos, agora, quem é que Antonio matara na rua, a mando de Byron, por “ter roubado sua fórmula”.

É cruel, triste… deixa uma sensação amarga e pesarosa. Mas é um episódio excelente!

 

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