Star Trek: Starfleet Academy 1x04 – Vox in Excelso

“Avoiding reality does not make it disappear”

Duas coisas que eu quero dizer sobre esse episódio antes de mais nada: 1) é um episódio excelente, que tem a cara de “Star Trek”, além de ser o episódio mais sério desse início de série; 2) se Jay-Den Kraag e Darem Reymi se tornarem um casal, e eu espero que eles se tornem, eles serão um casal lindíssimo. Exibido originalmente em 29 de janeiro de 2026, “Vox in Excelso” é o quarto episódio da primeira temporada de “Star Trek: Starfleet Academy”, e ele parece menos “leve” e “divertido” do que o terceiro episódio, por exemplo, foi, e foca em uma trama que traz a atual conjuntura da relação dos Klingons com a Federação, consequentemente dando destaque a Jay-Den, o único cadete Klingon da Academia da Frota Estelar no momento. Um episódio sobre diplomacia e tradição.

Extremamente “Star Trek”.

A bordo da USS Athena e atravessando a Nebulosa Val, os cadetes da Academia estão prestes a explorar o poder do discurso e do debate, uma habilidade importantíssima para qualquer pessoa que pretende se tornar um Oficial da Frota Estelar. Caleb Mir parece ser um talento nato… ou construído em seus anos de fuga – ele entende de lábia. Já o cadete Kraag não consegue nem começar a tentar argumentar quando colocado em frente a um púlpito, tendo uma crise séria que o coloca a suar, e ainda há um quê de uma energia mais leve, similar à do episódio anterior, nessa primeira cena, até que tudo se transforme: Jay-Den é chamado para uma reunião na qual é informado de que uma nave com várias Casas Klingons foi atacada e eles têm razão para acreditar que a Casa Kraag era uma delas.

Não há confirmação, mas os seus pais podem estar mortos. A Chanceler Nalah Ake e outras autoridades da Academia entendem a possível necessidade de Jay-Den de se ausentar, mas ele engole muito sentimento naquela cena em que diz que não quer ser dispensado: “ele já disse adeus à sua família há muito tempo”. E isso abre portas para um flashback em Krios Prime, 16 meses antes, em que vemos Jay-Den e a sua relação com o restante da família… de quem ele, aparentemente, era muito diferente. Jay-Den não “atende às expectativas klingon”, e ele sente que os pais nunca o viram como o irmão, Thar, consegue vê-lo. Foi o irmão quem o incentivou, depois de eles encontrarem um transmissor da Federação, a buscar o seu destino nas estrelas, porque é o que ele quer…

Ser um cientista, ser um médico…

A trama é complexa e mais a cada minuto. Charles Vence apresenta à Nalah uma possibilidade para os Klingons: com a destruição de Qo’noS, eles precisam de um novo lugar onde viver, e a Federação descobriu Faan Alpha, um planeta com condições perfeitas para o desenvolvimento dos Klingons, e cabe a ela tentar convencer o General Obel Wochak a aceitar a “oferta”, mas ele sabe que essa é uma “caridade” que as Casas jamais aceitarão… Qo’noS não foi dada aos Klingons, e eles não estão pedindo asilo dado pela Federação: eles só vão se estabelecer em um lugar que tenham conquistado, porque isso tem a ver com o que é ser Klingon e nas coisas que ele acredita. Quando Jay-Den incentiva/autoriza a Diáspora Klingon a ser o tema do debate vindouro, ele fala sobre isso…

Caleb se voluntaria para ser parceiro de Jay-Den no debate, querendo “aliviar” o lado do amigo em um tema e momento delicado, mas eles encontram, aqui, discordâncias gritantes sobre o tema… Jay-Den não quer a sua ajuda, tampouco acredita nas mesmas coisas que ele: Caleb acredita que a Federação deve ajudar os Klingons, enquanto Jay-Den defende que qualquer tentativa de sobrevivência deve ser deixada aos Klingons, sem interferência da Federação. E enquanto ele se prepara para o debate vindouro contra, talvez, o melhor argumentador da Academia da Frota Estelar, Jay-Den revisita outros momentos de seu passado em Krios Prime, como aquela cena impactante da ave de rapina, com uma interpretação que ele ainda não consegue enxergar.

Para ele, ali ele foi abandonado pela família…

Eles queriam algo para ele… ele queria se unir à Frota Estelar.

Jay-Den Kraag talvez só tenha a força necessária para se impor no debate graças a Darem – toda a cena do Darem Reymi indo falar com ele é uma das minhas favoritas do episódio… prendi a respiração durante a cena quase inteira. Darem tem técnicas quionianas que podem ajudar Jay-Den a se acalmar, e ele o ensina a ouvir, primeiro, e a usar a sua voz. Há muita intensidade em todo esse processo, e é maravilhoso como Darem segura as mãos de Jay-Den e o aproxima de si, com detalhe para a maneira como os seus olhos se desviaram, mais de uma vez, para os lábios de Jay-Den e se fixaram ali por algum tempo. Eles permanecem ali, próximos, conectados, durante algum tempo, e eles compartilham algo. Destaque para as mãos de Darem ao fim: uma sobre as de Jay-Den, outra em suas costas, mantendo-o próximo de si.

Eu já torço imensamente por eles.

Talvez a cena não tenha, ainda, uma conotação romântica, mas é uma sugestão clara de qualquer maneira… a proximidade, os olhares, a demora, a reação de Jay-Den ao final quando ele se afasta – e é interessante pensar em um possível romance entre eles, especialmente tendo em vista qual foi a primeiríssima cena que eles compartilharam no piloto de “Star Trek: Starfleet Academy”. Inegavelmente há química e há espaço para esse desenvolvimento, e para qualquer pessoa reclamando da relação entre dois homens, o que eu tenho a dizer é: realmente esperamos que em uma data estelar tão avançada não exista mais homofobia como nos dias de hoje. O fato de Darem estar tão vidrado em Jay-Den e o ajudar à distância durante o debate é lindo!

É o primeiro Debate Aaron Satie da Frota Estelar em mais um século, e é um jogo interessante e quase “inofensivo” que se torna menos isso quando Jay-Den Kraag enfrenta Caleb Mir. Mir tem bons dados, é verdade, e ele é bom com as palavras… mas Kraag tem conhecimento e local de fala. Aos poucos, o debate cada vez mais acalorado vai se tornando pessoal, e Jay-Den defende veementemente a ideia de que “klingons precisam viver como klingons e não é dever da Federação dizer quem eles são ou o que fazer”. O Doutor precisa, em algum momento, intervir para que as coisas não saiam (mais) do controle, e Lura Thok vai conversar com Jay-Den pessoalmente, porque sente que precisa fazer isso… e que talvez precisasse já ter feito isso antes.

Lura Thok é parte Klingon, parte Jem’Hadar, mas há essa identificação com Jay-Den que lhe permite falar algumas coisas… e é ela quem faz uma leitura completamente diferente de todas que Jay-Den fizera anteriormente sobre o motivo pelo qual o pai errou o tiro naquela ave de rapina durante a caçada: ela sabe que Klingons não erram “por ódio”, já que o ódio os motiva, e ela acredita que ele errou porque quis, porque era a única maneira que ele encontrou de deixar que Jay-Den seguisse o seu sonho e se juntasse à Frota Estelar, como ele queria – um Guerreiro Klingon diferente do que a família idealizou, mas ainda um Guerreiro. Agora, é a oportunidade que Jay-Den tem de finalmente olhar para ele mesmo e se ver como o pai e como o irmão o viam.

Ele retorna ao debate para sugerir “uma solução klingon para um problema klingon”, e ele é uma peça importante para ajudar os Klingons a “aceitarem” Faan Alpha como nova casa, ainda que, para isso, eles precisem de “um pouco de interpretação”. Há uma quase declaração de guerra e uma batalha que é praticamente encenada entre Nahla Ake e Obel Wochak, mas que funciona, porque ali os Klingons anunciam que “vão tomar esse planeta”, um planeta que está no território da Federação… Jay-Den recebe a notícia, por fim, de que os seus pais sobreviveram, e agora as demais Casas Klingon também poderão sobreviver em um novo planeta que Jay-Den ajudou a tornar possível para eles. Gosto muito de como o episódio aprofunda o personagem de Jay-Den e sua amizade com Caleb…

O fim com a conversa dos dois e a orbe da Federação falando é PURO CINEMA!

De arrepiar!

 

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