Percy Jackson e os Olimpianos, Livro Quatro – A Batalha do Labirinto (Rick Riordan)



“Percy está prestes a começar o ano letivo em uma nova escola. Ele já não esperava que a experiência fosse lá muito agradável, mas, ao dar de cara com líderes de torcida monstruosas e mortas de fome, percebe que tudo, sempre, pode ficar ainda pior.

Neste quarto volume da série, o tempo está se esgotando e a batalha entre os deuses do Olimpo e Cronos, o Senhor dos Titãs, fica cada vez mais próxima. Mesmo o Acampamento Meio-Sangue, o poro seguro dos heróis, torna-se vulnerável à medida que os exércitos de Cronos abrem caminho para atacar suas fronteiras, até então impenetráveis.

Para detê-los, Percy e seus amigos semideuses partirão em uma jornada pelo Labirinto de Dédalo – um interminável universo subterrâneo que, a cada cura, revela as mais terríveis surpresas”

 

Lançado em 2008, “A Batalha do Labirinto” é o quarto livro da série “Percy Jackson e os Olimpianos”, escrita por Rick Riordan, e é o livro que conta com o retorno de Cronos, e, por conseguinte, a aproximação da grande batalha do Senhor dos Titãs contra os deuses do Olimpo e o mundo como o conhecemos. A releitura do livro me lembrou dos motivos pelos quais eu gostava tanto dele – principalmente por causa de Nico di Angelo e de Rachel Elizabeth Dare –, mas sigo afirmando que meu livro favorito na série é “A Maldição do Titã”, talvez porque “A Batalha do Labirinto” seja excessivamente procedural em sua maior parte. Ainda assim, elogio a escrita de Rick Riordan, o carisma de seus personagens e o bom uso de elementos da Mitologia Grega.

Esse quarto livro de “Percy Jackson e os Olimpianos” nos leva até um dos conceitos mais interessantes da Mitologia Grega: O LABIRINTO DE DÉDALO. O imenso labirinto construído por Dédalo como prisão para o Minotauro foi cenário da história de Teseu, que pôde entrar, matar o Minotauro e sair graças ao fio de Ariadne. Em “A Batalha do Labirinto”, o labirinto se torna ainda maior. Existindo em algum lugar abaixo da superfície do mundo, o labirinto de dimensões impossíveis se espalha por todo o mundo, e conta com entradas que se abrem para semideuses que a reconhecem em diferentes lugares. Lá dentro, as distâncias são “diferentes”. Assim, o labirinto se torna um recurso poderoso para quem quer que consiga o “dominar” primeiro.

Gosto do jogo de Rick Riordan, gosto de como ele transpõe elementos clássicos para a sua narrativa contemporânea… foi o que me fez gostar de “Percy Jackson e os Olimpianos” em primeiro lugar. O Labirinto de Dédalo se torna quase um personagem em si, como esse lugar que se expande continuamente e guarda segredos dentro e fora dele – nunca sabemos o que encontraremos no próximo corredor ou aonde estaremos na próxima saída. Percy e Annabeth “descobrem”, por acaso, uma entrada para o Labirinto dentro do Acampamento Meio-Sangue, e é justamente essa entrada que Luke pretende utilizar a favor de Cronos, para acabar com as forças do Olimpo… obter o “controle” do Labirinto se torna, então, uma corrida contra o tempo.

Luke conhecia aquela entrada… o que ele ainda não sabe é se locomover dentro do labirinto. Afinal de contas, você poderia andar por ele eternamente sem nunca encontrar a saída desejada. Existem duas maneiras conhecidas de se locomover lá dentro: usando o fio de Ariadne ou conseguindo a ajuda de Dédalo. Assim, Annabeth recebe uma missão: ela precisa encontrar Dédalo antes de Luke e convencê-lo a não ajudar o Senhor dos Titãs… para isso, ela precisa chegar ao coração do Labirinto, onde fica a Oficina de Dédalo, e essa é uma jornada que ela não pode planejar como sempre gostou de fazer. Ela tem intuições, como a de buscar “a parte mais antiga do Labirinto”, mas nada suficientemente concreto que ela saiba que a levará até seu meio-irmão.

 

“Descerás na escuridão do labirinto infinito,
O morto, o traidor e o perdido reerguidos.
Ascenderás ou cairás pelas mãos do rei espectral,
Da criança de Atena, a defesa final.
A destruição virá quando o último suspiro do herói acontecer,
E perderás um amor para algo pior que morrer.”

 

Apesar das convenções de apenas três heróis por missão, Annabeth sabe que ela precisará de mais pessoas… é assim que ela escolhe Percy, Grover e Tyson para acompanhá-la – o que eu considero uma formação “segura”, que não brinca com protagonismos como aconteceu nos dois livros anteriores. Voltamos a algo cuja dinâmica já é conhecida, a não ser, talvez, por Grover e Tyson, que têm certa resistência um com o outro, mas acabam se tornando amigos. A jornada pelo Labirinto em busca de Dédalo é repleta de surpresas, monstros que precisam ser enfrentados, como Campe ou a Esfinge, e bastante incerteza… eles também acabam no Rancho Triplo G, onde encontram novos inimigos e um rosto conhecido do passado: Nico di Angelo.

Nico di Angelo é um dos personagens mais interessantes de “Percy Jackson e os Olimpianos”, especialmente porque, como filho de Hades, ele foge dos padrões dos semideuses e nem mesmo sente que “tem um lugar” no Acampamento Meio-Sangue. O personagem, apresentado em “A Maldição do Titã”, ainda está lidando com o luto pela morte de sua irmã, Bianca, pela qual ele culpa Percy… parte do livro é uma jornada de Nico até o entendimento de que a sua irmã não quer ser trazida de volta e Percy não tem culpa nenhuma por sua morte. É a ele que a profecia se refere quando diz “Ascenderás ou cairás pelas mãos do rei espectral”, e temos várias sequências da demonstração do poder de Nico di Angelo – que escolhe estar ao lado dos semideuses.

Não é o que todo meio-sangue escolhe.

Hefesto garante alguns capítulos extras para o livro, bem como uma “solução” sobre como se guiar no Labirinto de Dédalo na ausência do fio de Ariadne… ele coloca Percy e os demais em uma missão paralela para descobrir quem está usando as suas forjas em troca de informação, e as ações de Percy causam a erupção de um vulcão e uma experiência de quase-morte que o deixa por algumas semanas na Ilha de Ogígia, sob os cuidados de Calypso. Curiosamente, a passagem de Percy por Ogígia rende momentos serenos, uma pausa interessante para o livro, mas também com seu quê de tensão, porque sabemos da urgência do que está acontecendo fora dali – ainda assim, a sensação é completamente diferente da que tivemos no Cassino Lótus anteriormente.

Quando retorna, enfim, Percy se depara com o Acampamento Meio-Sangue se despedindo dele em um evento funerário que é interrompido porque… bem, porque o Percy está vivo. E ele também sabe, finalmente, como se locomover no Labirinto: COM A AJUDA DE UMA MORTAL. Rachel Elizabeth Dare é uma das minhas personagens favoritas na série, porque há algo de muito fascinante na forma como ela enxerga através da Névoa – e o fato de ela “enxergar mais do que os demais” é justamente do que eles precisam para andar pelo Labirinto e, quem sabe, chegar a Dédalo… em “A Batalha do Labirinto” mesmo ela fora importante para ajudar o Percy contra algumas empousai que apareceram na nova escola na qual ele estudaria naquele ano, e ela deixou com Percy seu telefone.

A relação de Percy e Rachel é curiosa – e a dinâmica de ter Rachel dentro do Labirinto em uma missão do mundo dos semideuses é quase caótica, porque Annabeth não consegue esconder o fato de que ela está morrendo de ciúmes… e como Grover e Tyson se separaram do grupo antes mesmo da chegada de Rachel Elizabeth Dare, em busca do Grande Deus Pã, isso quer dizer que Rachel está sozinha com Percy e Annabeth. Gosto de como eles são adolescentes e de como os sentimentos são confusos e complicados, tanto que mal se pode traçar uma linha, porque Percy realmente sente algo por Rachel, assim como Annabeth talvez ainda não tenha conseguido superar por completo a paixão alimentada pela antiga admiração que tinha por Luke Castellan.

Luke é “o amor perdido para algo pior que a morte”. “A Batalha do Labirinto” é o momento na saga do “grande retorno do Senhor Titã”. Cronos foi preparado em um caixão de ouro no mínimo desde “O Mar de Monstros”, e agora a última peça de seu retorno é encaixada, e é mais sinistro do que Percy Jackson jamais poderia ter imaginado: ele retorna no corpo de Luke Castellan. Com os olhos brancos, Luke é apenas um avatar aparentemente vazio (embora haja uma dica de consciência semideusa lá dentro no momento em que Rachel atinge o Senhor dos Titãs com uma escova azul), cujo corpo foi preparado ao longo de muito tempo para admitir Cronos. Ninguém sabe bem como, mas o fato de Cronos andar novamente entre nós representa perigo…

Ele não é apenas uma voz nos sonhos dos semideuses…

Ele é real.

A chegada ao “coração do Labirinto”, a Oficina de Dédalo, nos entrega uma surpresa deliciosa: Dédalo é Quintus, o novo mestre de esgrima que aparecera no Acampamento Meio-Sangue e que desaparecera como se fosse um traidor… a surpresa é genuína até mesmo para Percy, que tem vários sonhos com Dédalo e sua história (com o filho, Ícaro, e com o sobrinho, Perdiz), mas não reconhece o engenhoso arquiteto no seu mestre de esgrima simplesmente porque ele não usa mais o mesmo rosto ou corpo. Dédalo sempre foi um inventor, capaz de coisas que pareciam impossíveis, e foi assim que ele conseguiu transferir a sua consciência para um autômato – ao longo dos seus muitos anos de vida, para mais de um autômato, na verdade… daí seu novo “nome”.

Quintus.

O encontro com Quintus, que passa então a ser chamado por seu nome original, Dédalo, não é a vitória que Annabeth esperava que fosse… eles chegaram tarde demais porque Luke esteve ali antes. Quando a Oficina de Dédalo é destruída por fogo grego, eles precisam escapar em versões mais avançadas das asas que causaram a morte de Ícaro – mais elaboradas e resistentes, mas ainda não indestrutíveis –, e então encontrar uma maneira de retornar ao Acampamento Meio-Sangue o mais rapidamente possível: eles estão para ser atacados, e precisam estar preparados. Uma mensagem de íris é o suficiente para deixar Quíron e os demais informados, e então eles contam com Rachel Elizabeth Dare para encontrar um atalho pelo labirinto.

No caminho de volta, o trio se reúne com Tyson e Grover – esse último tendo realizado o sonho de sua vida de encontrar o Grande Deus Pã, ainda que não da maneira como ele esperava… Pã é quase uma sombra de sua antiga existência, e está ali aguardando pelo jovem sátiro que levará sua mensagem aos demais: cabe a Grover anunciar a morte de Pã e como o seu espírito viverá através de cada um deles… agora, a sua missão, compartilhada com todos os demais, é resgatar a vida selvagem. Naturalmente, dar essa notícia ao Conselho dos Anciãos de Casco Fendido não é a tarefa mais fácil do mundo, porque não é algo que eles queiram aceitar como verdade. Um “poder” inesperado de Grover durante a Batalha do Labirinto, no entanto, é um bom indício de que ele está dizendo a verdade

É assim que fica conhecida a grande batalha que acontece no Acampamento Meio-Sangue: A BATALHA DO LABIRINTO. As forças de Cronos invadem o acampamento dos semideuses como uma forma de diminuir o poder de defesa do Olimpo, e é uma batalha intensa, mas que não dura nem um capítulo inteiro… ainda assim, temos grandes momentos de três personagens em especial: além do já mencionado Grover, temos Nico di Angelo e Dédalo. Nico faz a sua escolha e fica ao lado dos semideuses, embora sua demonstração de poder revele a sua identidade e o coloque potencialmente em risco; Dédalo, por sua vez, faz uma escola e permite que Nico liberte sua alma, que fugiu da morte durante tanto tempo, e então o labirinto, conectado à sua força vital, rui…

O Labirinto de Dédalo não é mais um mecanismo a ser usado a favor de Cronos.

Imagino que “A Batalha do Labirinto”, embora tenha algum sentimento de grandeza, ainda se contém para que o grande clímax de “Percy Jackson e os Olimpianos” fique para “O Último Olimpiano”, como deve ser. Cronos está de volta, ele tem um exército lutando ao seu lado, e os heróis conseguiram frustrar o seu primeiro plano de ataque… mas ele está mais forte do que esteve nos últimos muitos séculos, então é uma questão de tempo até que ele retorne. Poseidon, inclusive, já está lidando com antigos deuses do mar, como ele conta ao seu filho favorito no seu aniversário de 15 anos… Percy está um passo mais perto de se tornar o herói da Grande Profecia, responsável pela queda ou ascensão do Olimpo. Um pensamento que o assombra o tempo todo.

 

Para a review de “O Ladrão de Raios”, clique aqui.
Para a de “O Mar de Monstros”, clique aqui.
E para a de “A Maldição do Titã”, clique aqui.

 

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