Fogo Ardente (Donde Hubo Fuego, 2022)


Criada por José Ignacio Valenzuela, que também foi o criador de “¿Quién mató a Sara?”, “Fogo Ardente” é uma novela feita diretamente para o streaming e que foi lançada na íntegra pela Netflix no dia 17 de agosto de 2022. “Fogo Ardente” (“Donde Hubo Fuego”, no original) reúne características que a aproximam tanto do gênero telenovela quanto de série policial, e é uma união boa que gera uma trama interessante repleta de mistérios e reviravoltas – mas eu preciso dizer que eu gosto mais dela no início do que no final… não vou entrar em detalhes dos motivos pelos quais digo isso nesse momento, para evitar spoilers, mas eu posso dizer que algumas escolhas do roteiro para o desenvolvimento de personagens realmente não me agrada de um momento em diante.

A trama de “Fogo Ardente” começa com o assassinato de um jornalista, Daniel Quiroga, que estava investigando um caso antigo, do “Carniceiro de Reynosa”, e a sua relação com uma estação de bombeiros chamada “Comandante Raúl Padilla Arellano”. Após a morte de Daniel, Alfonso/Poncho Quiroga decide se tornar bombeiro para se infiltrar na estação e continuar o trabalho do irmão, buscando respostas e, quem sabe, vingança? A trama traz reviravoltas bem novelescas que envolvem Ricardo Urzúa, o homem que foi preso como o Carniceiro de Reynosa há muitos anos, que acabou de sair da cadeia e que é o pai de Daniel e Poncho (!), e Olivia Serrano, a mulher que se aproxima rapidamente de Poncho e que é a aliada em quem ele mais confia.

Penso que a premissa de “Fogo Ardente” é muito boa, e envolve possibilidades que podem ou não vir a ser exploradas pelo roteiro – e gosto, também, do cenário no qual a novela/série se passa: a ideia de ambientá-la em uma estação de bombeiros, no meio de resoluções de emergências e investigações paralelas é bem interessante… e a série encontra uma maneira quase divertida de explorar a sensualidade daqueles bombeiros, já que Poncho Quiroga, antes disso tudo, trabalhava como stripper, e os bombeiros não demoram muito para aceitar fazer um calendário sensual para tentar arrecadar dinheiro e salvar a estação, que está passando por um mal momento por causa de um problema de administração que vai ser eventualmente explorado.

Meu núcleo favorito de “Fogo Ardente” fica para a história de Gerardo e Fábio. Gerardo é um dos bombeiros da estação, e embora ele esteja em um relacionamento com Maite, ele está em processo de descobrir a sua homossexualidade e abraçá-la; Fábio, por sua vez, é o filho abertamente gay de Glorita, a dona da pensão que fica em frente à estação de bombeiros. Quando Fábio e Gerardo se apaixonam um pelo outro, eles protagonizam uma história que se torna uma grande parte de “Fogo Ardente”, conforme Gerardo se conhece, se aceita e se assume, mas também precisa enfrentar desafios como a família extremamente conservadora e homofóbica, que causa uma série de dores de cabeça em cenas tristes com uma discussão pertinente.

O elenco de “Fogo Ardente” conta com nomes conhecidos da teledramaturgia mexicana, com destaque para Eduardo Capetillo, conhecido por interpretar o Sérgio Santibáñez em “Marimar”, ou por seus papeis em novelas infantis como “Viva às Crianças!” e “Amy, a Menina da Mochila Azul”, e Itatí Cantoral, a nossa eterna Soraya Montenegro de “Maria do Bairro”, interpretando Ricardo e Glorita, respectivamente. Também temos Iván Amozurrutia como Poncho, Esmeralda Pimentel como Olivia, Oka Giner como Leonora, Plutarco Haza como Hugo González, Polo Morín como Julián, Daniel Gama como Gerardo e Nahuel Escobar como Fábio, dentre outros. “Fogo Ardente” é um bom exemplo de como diferentes streamings estão se voltando para o gênero de novela nos últimos anos.

E que venham mais!

 

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