Sítio do Picapau Amarelo – Entre o Amor e a Promessa (2006)
Lúdico, leve, divertido… eu amo essa temporada!
Com muita
magia, reinos encantados, um amor quase impossível e discussões sobre respeito
à natureza, a Temporada 2006 do “Sítio do
Picapau Amarelo” é encantadora – visualmente, então, é um verdadeiro
espetáculo, a meu ver! Cininha de Paula, depois de anos na direção geral do
programa, deixou a atração no fim da temporada anterior, deixando o cargo para
Carlos Manga… que faz reformulações que tornam a temporada única. De todas as temporadas exibidas pela Rede Globo entre 2001 e
2007, a de 2006 é certamente a mais rural,
e isso é construído através da paleta de cores da temporada, a construção dos
cenários e a concepção dos figurinos. Particularmente, eu acho a vibe dessa temporada bastante atraente e
acolhedora… é aquele tipo de nostalgia que nos remete a lugares que visitamos
na infância e que são repletos de memórias boas.
Assim como o
“Sítio do Picapau Amarelo” em si.
Tal qual a
temporada anterior, 2006 trouxe mais uma história em formato de “novela” – em
184 capítulos, exibidos entre 03 de abril e 14 de dezembro de 2006, a temporada
contou a história da Princesa Thirza, uma princesa que vê seu reino, Lumar, ser
destruído, e tem que partir às pressas para o Reino de Luterra, onde está
prometida em casamento, desde o seu nascimento, ao Príncipe Theo… no caminho
para Luterra, no entanto, ela é traída por uma dama de companhia e sua filha,
Matilda e Mirthes, que a abandonam no Mundo Real para que Mirthes assuma o seu
lugar… sem saber o que está acontecendo no Reino Encantado, Thirza fica sozinha
no Mundo Real, onde ela é ajudada não apenas pelo pessoal do Sítio do Picapau
Amarelo, mas pelo bonito, heroico e educado veterinário e ambientalista Chico
Maciel, por quem ela se apaixona.
Recebendo o
nome de “Entre o Amor e a Promessa”,
o fio condutor da temporada é justamente a escolha da Princesa Thirza: ela vai
viver o amor que descobriu no Mundo Real ou ela vai cumprir a promessa feita
pelos seus pais no dia do seu nascimento e se casar com Theo, garantindo a
união entre os Reinos de Lumar e Luterra? É uma história romântica e bonita que
se sustenta com bastante maestria durante a maior parte dos capítulos –
infelizmente, no entanto, a reta final da temporada é mais fraca do que os seus primeiros 140 capítulos, como se a
história já estivesse pronta para terminar, mas os autores tivessem que
preencher um número extra de
capítulos antes de poderem encerrar como planejavam… isso não torna a temporada
ruim, porque eu amo a Temporada 2006 por vários motivos, mas ela é melhor no
início do que no fim, sim.
Os
protagonistas da temporada são interpretados por Fany Georguleas, como a
Princesa Thirza, e Caetano O’Maihlan, como o Chico Maciel, e eles são
absolutamente lindos juntos, e têm uma química incrível que é gostoso de se
assistir… também destaco Marcela Rosis, no papel da “vilã” (?) Mirthes, que tem
um carisma imenso e um timing para
comédia perfeito, sendo, certamente, um dos pontos altos da temporada! O time
de vilões é completado por Patrícia Selonk, como a Matilda, que também faz um
excelente trabalho, o José Rubens Chachá, como o Valdo Serrão, um homem rico e
ambicioso que está em busca de um tesouro nas terras de Dona Benta (um vilão
com uma certa veia cômica, mas que é bastante inconstante durante a temporada),
e Ricardo Petraglia como Trévan, o “grande mal” que ameaça a vida e a segurança
do Mundo Real e do Reino Encantado.
No núcleo
central de personagens que já conhecíamos também temos novidades. Emília segue
sendo interpretada por Isabelle Drummond, e o Visconde de Sabugosa por Aramis
Trindade, enquanto o Pedrinho fica a cargo de Rodolfo Valente e Narizinho de
Amanda Diniz. Tia Nastácia e Dona Benta continuam com as mesmas intérpretes do
ano anterior: Dhu Moraes e Suely Franco. Dessa vez, no entanto, a personagem da
Dona Benta não tem toda aquela questão de “não
acreditar no fantástico”, que a marcava na temporada de 2005, inclusive ela
até sabe mais do que deixa transparecer
em alguns momentos – ela conhece, por exemplo, a história do eremita
(interpretado por Flávio Migliaccio), um senhor misterioso que vive no
Capoeirão dos Tucanos e que parece ter uma “missão” secreta e de extrema
importância que o fez se afastar de todo o mundo.
A Temporada
de 2006 não é uma sequência direta de suas temporadas anteriores, e decisões
foram feitas, conforme entendemos no início da história – 2005 é completamente
ignorada, a ponto de não termos nenhuma menção ao João da Luz, Cléo ou Patty
Pop, por exemplo, e o próprio Arraial dos Tucanos sofre uma reformulação, que conta com um novo Seu
Elias, por exemplo, agora dono de uma venda e de uma pensão, e personagens como
a Dona Joaninha e o Coronel Teodorico parecem, também, nunca ter existido nessa
“linha temporal”. A reformulação do Arraial dos Tucanos traz ao local uma
veterinária, onde o Chico Maciel trabalha, e um jornal, o Grito do Picapau,
comandado por Samuel, mas preciso destacar a personagem de Samira, sobrinha do
Elias, que marca o retorno de Lara Rodrigues, a primeira Narizinho dessa
versão, ao “Sítio”.
Apesar de
acontecimentos recentes terem sido deixados de lado, a história desse Sítio do
Picapau Amarelo não começa do zero, e algumas aventuras parecem ter acontecido – conforme algumas memórias da
canastrinha da Emília sugerem, por exemplo, e vamos entendendo, através dos
diálogos, o que foi que já aconteceu
por ali… na minha teoria, o que “sobreviveu” foram as histórias contadas nos
livros originais, como “Reinações de
Narizinho” e “Viagem ao Céu”,
aventuras como a viagem das crianças ao País das Fábulas, à Grécia Antiga, todo
aquele arco inicial que envolve o Reino das Águas Claras, o Príncipe Escamado,
a viagem à lua, já que essa Tia Nastácia se lembra de ter conhecido o São Jorge
e ter cozinhado para ele, e assim por diante… é um recorte interessante e que
faz sentido, no fim das contas, para que a temporada não tenha que
“reapresentar” tudo.
Um elemento
de que gosto bastante em “Entre o Amor e
a Promessa” é o fato de termos arcos, “pequenas narrativas”, que tomam
conta de alguns capítulos, sendo uma espécie de fusão entre o estilo “novela” e o estilo “histórias”. Vemos as
crianças pedirem a ajuda do Aladim para tirarem alguém de dentro de uma
garrafa, por exemplo; vemos o Visconde de Sabugosa se transformar no Dom
Quixote de la Mancha (um dos meus arcos favoritos na temporada) ao colocar um
elmo encantado; vemos as princesas dos contos de fadas virem ao Sítio do
Picapau Amarelo para tentar acordar um príncipe adormecido; vemos Pinóquio ser
retirado de dentro do livro e se transformar em um menino de verdade; e vemos
até um super-herói dos quadrinhos e do cinema, o Capitão Kosmos, sair da tela
durante uma exibição e viver aventuras no Arraial dos Tucanos.
O clima da
temporada de 2006 é uma delícia… o “Sítio
do Picapau Amarelo” assume aquele tom mágico, nostálgico e acolhedor que
tanto amamos, e faz com que abramos um sorriso toda vez que estamos assistindo…
é uma proposta diferente da temporada anterior (e eu amo as duas, cada uma de
uma maneira), dessa vez mais lúdico e leve. E também é uma temporada que,
reassistida agora, tem um quê de despedida,
porque é uma temporada de encerramento de vários ciclos – nos despediremos da
Isabelle Drummond no papel de Emília, que ela interpretou por seis temporadas,
por exemplo, e é impossível não chegar à reta final de 2006 pensando a respeito
disso. Divertida, ocasionalmente emocionante e com protagonistas competentes, “Entre o Amor e a Promessa” é uma
temporada memorável, uma grande aventura deliciosa de se viver.
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de Luz
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Pra mim essa temporada só tem um problema: COMO ELES SE ATREVEM A TIRAR O PESADELO? Depois de três temporadas, ver a Cuca sozinha é muito estranho. Tiraram o meu personagem preferido! Ele fez falta...
ResponderExcluirsim eu amava as pérolas do estrupício kkk
ExcluirVocê deve ter adorado a ausência do seu nemesis, Coronel Teodorico, né?
ResponderExcluirAi, foi um alívio uma temporada sem ele depois de quem ele se tornou em 2004 e 2005 kkkk
ExcluirQuem é pior? Coronel Timbó ou Valdo Serrão?
ResponderExcluirVou ficar de Valdo Serrão porque ele foi um incômodo por mais tempo, já que esteve em uma temporada "novela" haha
ExcluirQue legal achar um lugar que comente sobre essa temporada, já que ela é quase Lost mídia :/
ResponderExcluirO novo visual da Emília é muito bonito, realmente remete mais a uma boneca de pano simples. E as cantigas da tia Nastácia deixam um clima bem aconchegante na temporada.
No começo tendo o Sítio de 2001 como referência absoluta da adaptação pra tv eu estranhei esse de 2006, mas eu vi os episódios e percebi ser mais fiel ao que acontece nos livros.
Temporada que divide opiniões. Pra mim 9/10.
Eu sempre gostei muito dessa temporada, e em grande parte por causa do visual dela! Tendo reassistido há não tanto tempo a de 2005 e a de 2006, eu acho que a de 2005 tem um roteiro muito mais coeso... ele é redondinho enquanto o de 2006 acaba tendo algumas contradições e se perde mais próximo da reta final. Ainda assim, é uma temporada maravilhosa e eu amo demais!
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