Dark Matter (Matéria Escura) 2x01 – A Quiet Life

“We’ll never be safe, that box ruined everything!”

EU NÃO PODERIA ESTAR MAIS EMPOLGADO POR ESTAR DE VOLTA! Em 2024, “Dark Matter (Matéria Escura)” estreou adaptando o livro de mesmo nome de Blake Crouch, e o autor está diretamente envolvido com a adaptação para a TV de sua obra, sendo creditado como o criador e o showrunner da série – o que nos deixa empolgados para uma segunda temporada que vai além do material original. “A Quiet Life”, exibido originalmente em 28 de agosto de 2026, é a estreia da segunda temporada da série que começa a explorar as consequências da variedade de Jason Dessens em um mesmo universo, enquanto a família tenta encontrar uma maneira de recomeçar, se perguntando se um dia eles estarão realmente em segurança… e as possibilidades seguem sendo infinitas.

Quando assisti à primeira temporada, em 2024, eu comentei algumas vezes sobre como “Dark Matter” talvez tenha uma das melhores explorações do conceito de multiverso na ficção, e sobre como é uma das melhores séries de ficção científica dos últimos anos – e eu sou um grande apaixonado por esse gênero. Também me lembro de comentar sobre como aquele Finale era a conclusão de uma história fechada, mas, como comentei há pouco, a responsabilidade de Blake Crouch como condutor da série me deixa confiante para a exploração além, e esse primeiro episódio foi tão excelente que eu estava vidrado o tempo todo, ansioso por mais! Gosto demais do conceito da Caixa, da infinidade de realidades e versões e de como não há uma vida segura para a qual Jason possa retornar…

Vários “Jasons” retornaram. E Daniela precisou “escolher” um.

A aparição de tantos Jasons que tinham retornado ao seu universo de origem depois de terem sido sequestrados pelo até então Jason2 é um dos pontos altos do fim da primeira temporada, em um episódio que envolve tensão de maneira eletrizante. Agora, uma variedade de Jasons está aparecendo morta – e cada novo corpo que compartilha não apenas a mesma aparência, mas as mesmas impressões digitais e DNA, deixa a história mais intrigante para aqueles que desconhecem a Caixa e do que ela é capaz… e alguns Jasons são capturados para interrogatório e estudos, enquanto forças maiores tentam entender o que está acontecendo. E o Jason Dessen que acompanhamos na primeira temporada, antes de “se partir” em tantos, apenas quer viver tranquilamente…

É praticamente impossível, no entanto. Ele tenta levar uma vida isolada com Daniela, a esposa, e Charlie, o filho, mas é apenas uma questão de tempo para que tudo dê terrivelmente errado. Daniela recebe a visita de um outro Jason Dessen na ausência do seu Jason escolhido, por exemplo, e em algum momento ela não sabe como reagir a isso, angustiada esperando que o seu Jason retorne… e quando aquele outro Jason se aproxima e ela se desespera, ela atira nele. É um corpo do qual Jason e Daniela precisam se livrar, e não conseguem fazer isso antes de serem interpelados pela polícia e, quando isso acontece, eles precisam fugir… e eu sinto que é aí que a temporada começa de verdade, depois de uma introdução breve que nos mostra como as coisas estão agora…

Meses depois do “retorno”.

Todo o trecho da fuga da família nos leva de volta à Caixa e às suas infinitas possibilidades, que é um dos conceitos mais interessantes de “Dark Matter”. Eles tentam acessar uma Chicago que não tenha outra versão deles e focam em não serem famosos nem criminosos, mas operar a Caixa não é simples… sinceramente, achei que eles acabariam separados de Charlie naquele momento em que a Caixa se fechou no mundo dos tornados, e ainda não tenho certeza de que aquela cena foi colocada ali aleatoriamente. Ainda assim, é razoavelmente reconfortante ver Jason e Daniela voltarem para junto do filho e então eles “baixam as exigências”, pelo menos por enquanto, tentando focar em um mundo que tenha um hotel, para que não tenham que passar a noite na Caixa.

O mundo ao qual chegam, no entanto, não é o mundo no qual eles poderão ficar e recomeçar… adoro a cena dos três na rua conversando sobre como precisam de WiFi para pesquisar seus nomes e são respondidos por uma tecnologia que não apenas os conhece – mas que foi criada por Jason Dessen. Ele é reconhecido como o diretor científico da Velocity Tech desde 2015, uma empresa fundada por ele e por Leighton Vance. Inclusive, o episódio também nos traz um pouco de Leighton Vance em diferentes versões do personagem, e duas estão se unindo para atingir seus objetivos: um deles precisa aprender a acalmar a mente para que possa controlar a Caixa, consciente de que a Caixa é a coisa mais poderosa já criada nesse mundo, e outro dele pode ensinar.

Em paralelo, exploramos um pouco daquele mundo no qual Ryan Holder foi deixado por Jason2, e no qual Amanda Lucas também terminou a temporada anterior… e os caminhos dos dois se encontram. Ryan, o melhor amigo de Jason1, conta que buscou a Camilla daquela realidade, sua irmã, e descobriu que o Ryan Holder daquele universo havia morrido há 10 anos, e então ele contou a ela toda a verdade e ela o acolheu, como se ganhasse do universo o presente de ter o seu irmão de volta. Ele, no entanto, ainda acha que não é certo e que não pertence àquele lugar, e depois de algum tempo tentando recriar a droga que permite que eles alternem entre mundos com a ajuda da Caixa, ele precisa saber onde está a Caixa… ele ainda quer voltar para o seu próprio mundo.

Gostei demais de ver Amanda novamente, e estou curioso para saber como e se essa temporada vai explorar essa dinâmica de Amanda e Ryan. E, através deles, descobrimos um pouco mais sobre a realidade na qual eles estão vivendo nos últimos meses… o diálogo entre eles é interessante, porque a verdade é que eles se entendem mais do que qualquer pessoa original daquele universo pode entendê-los: ali, é como se todos fossem emocionalmente conscientes de si mesmos, otimistas e, como diz Amanda, “irritantemente pacientes”. Ryan ainda adiciona que “é um mundo de sexo comportado”, onde eles “não fodem, só fazem amor”. Um mundo de roupas muito mais coloridas que o nosso, e no qual a Caixa está sendo inaugurada no centro de Chicago como uma obra de arte…

Ela ainda consegue se conectar às demais Caixas?

O quanto isso muda a vida de Ryan e Amanda?

Quando penso na primeira temporada de “Dark Matter”, lembro-me também de comentar sobre as suas características filosóficas. A união de ficção científica e filosofia funciona à perfeição e faz com que o gênero cumpra o seu objetivo de fazer pensar. E a conclusão desse primeiro episódio é bastante emblemática. Dentro da Caixa, o Jason Dessen que recuperou a sua família enuncia o seu desejo por um mundo no qual eles possam recomeçar e, quando ele abre a porta, ele reconhece com certa surpresa o mundo no qual Amanda está vivendo agora, mas ele diz que “não serve”, e então ele se vira e fecha a porta atrás de si. Há tanto simbolismo nessa ação, e funciona tão bem em paralelo com as percepções de Amanda e Ryan sobre aquele mundo e tudo o que estão vivendo ali…

Que série fantástica!

 

Para mais postagens de “Dark Matter (Matéria Escura)”, clique aqui.

 

Comentários