Camp Rock 3 (2026)

“I’m exactly where I’m supposed to be”

E se algumas semanas em um acampamento de música pudessem te fazer ser escolhido para abrir o show de uma banda famosa em uma turnê e, consequentemente, impulsionar a sua carreira? O terceiro filme de “Camp Rock”, que chegou no Disney+ em 13 de agosto de 2026, é uma aposta com um novo elenco e, quiçá, para uma nova audiência, mas uma coisa precisa ser dita: é inegavelmente “Camp Rock”. E, portanto, EU ME APAIXONEI! O filme é feito com carinho, brinca com referências a eventos e frases que ficaram icônicas nos filmes originais e conta com participações especiais que dão continuidade a esse universo, mas também se sustenta como um filme independente que pode abrir portas para uma nova era nesse famoso acampamento de música.

E eu espero que esse seja o caso!

O primeiro “Camp Rock” foi lançado em 2008 e se tornou rapidamente um clássico do Disney Channel – e, ao contrário do que muita gente pensa, é um filme com bastante música, mas não um musical. Já “Camp Rock 2: The Final Jam”, de 2010, é um musical em sua essência, o que na época me causou alguma estranheza, embora eu ame o filme, porque ele não segue o conceito apresentado no primeiro filme e se assemelha mais a outros filmes musicais do canal. “Camp Rock 3”, de 2026, é uma mescla de ambos… tem alguma semelhança com a estrutura do primeiro filme, ao mesmo tempo em que incorpora cenas que são inquestionavelmente musicais. Com influência de “Camp Rock” e de “Lemonade Mouth”, o novo filme se sai muito bem em sua proposta!

O legado dos dois primeiros filmes é respeitado – o sucesso do Connect 3 e de Mitchie Torres, o seu caderno de músicas, a mãe agora como diretora do acampamento… mas “Camp Rock 3” é, também, uma passagem de bastão, e eu gosto demais da ideia de um conceito e/ou de um lugar ser maior do que as pessoas que a protagonizaram primeiro, porque isso permite que histórias continuem sendo contadas em um mesmo espaço icônico. Assim como o Múltipla Escolha serviu de cenário para tantas temporadas de “Malhação”, com veteranos cedendo seus lugares a novatos que assumiam o protagonismo e davam sequência à produção, eu acho que essa é a melhor maneira de se manter uma ideia viva… o Camp Rock tem muitas histórias a contar com novos jovens talentosos.

E muita música a oferecer.

“Camp Rock 3” começa recebendo novos campistas, dentre eles Sage Scott como a nova protagonista da franquia, uma garota que passou sua vida inteira dedicando-se à música e esperando o momento de estar sob os holofotes. Em paralelo, o Connect 3 está tendo problemas para se entender… e, no meio de tantas brigas, eles precisam lidar com o fato de que a banda que abriria o show de sua turnê se separou e eles precisam de alguém para substituí-la depressa – e que lugar melhor para encontrar essas pessoas do que o Camp Rock? Então, eles aparecem por lá para dar um motivo a mais para o Final Jam: quem vencer a competição será a atração que abre os shows da Connect 3 nos próximos meses. E, é claro, isso deixa todos os campistas alvoroçados.

Recheado de boas referências aos primeiros filmes, “Camp Rock 3” arranca vários sorrisos vindos da nostalgia dos fãs da época… temos a “marchinha do Camp Rock”, que parece ter se tornado uma espécie de tradição anual no acampamento; temos a vilãzinha do momento reproduzindo o “Whatever, major loser” da Tess, com o gesto na testa e tudo; temos a Mitchie aparecendo para dizer “She’s really good!”; temos a Sage chegando ao acampamento e dizendo que “está exatamente onde deveria estar”, usando uma frase palavra a palavra de “This is me”; temos Connie como diretora do acampamento; temos uma guerra na oficina que acaba com a diretora sendo acertada, tal qual a guerra de comida do primeiro filme; temos a vilã tentando tirar a protagonista do Jam Final…

São vários momentos que nos remetem deliciosamente aos dois primeiros filmes!

E, ainda assim, é um filme novo, em um equilíbrio excelente! Assim como é uma sequência do legado e cheio de referências, ele é um filme suficientemente independente, e eu gosto de como ele não segue necessariamente a mesma fórmula, embora tenha semelhanças claras na estrutura, como o Final Jam que se assemelha bastante ao do primeiro filme. Eu gosto de como o Camp Rock, em si, parece intocado: os chalés, o refeitório, o lago… mas como existem algumas novidades nas dinâmicas, como o fato de o romance não ter tanto destaque assim e o protagonismo ser dividido por cinco personagens que são diferentes entre si e que têm carisma e talento o suficiente para serem os novos rostos de uma grande produção. Eu consegui me afeiçoar a eles!

Algumas coisas são muito rápidas, sim, precisávamos de mais tempo para a evolução…

Mas eles fizeram o que podiam no tempo e quantidade de personagens que tinham para eles.

Sage é uma garota determinada, extremamente confiante e, talvez, imparável – ela tem um objetivo claro em mente e pouca disposição para deixar que alguma coisa a detenha. Desi, o irmão de Sage, é um garoto um pouco mais inclinado à diversão, embora ele adore a música e lamente que a irmã tenha deixado a banda deles por uma escola chique de música, o que também pode ter afetado a relação deles como um todo. Rosie é uma garota com o seu violoncelo e inclinação à música clássica imposta pela família, mas que no fundo quer tentar algo diferente e ser ela mesma. Cliff é o carisma em pessoa, de uma fidelidade impressionante e o dom de arrancar sorrisos. E Fletch é o garoto com fama de problemático que, na verdade, só tem uma história bem difícil.

Talvez a minha relação favorita no filme tenha sido a de Sage e Desi. Achei bem-vinda a dinâmica de dois irmãos que são diferentes entre si sem que nenhum deles precise ser vilanizado… e talvez ambos tenham algo a aprender um com o outro. Sage precisa aprender a sentir a música de uma maneira menos técnica e se divertir com o que faz, para que possa encher suas performances de sentimento; Desi, por sua vez, precisa aprender que música não é apenas diversão se ele quiser levar isso adiante, e então ele se dedica a algumas aulas de dança que fazem com que ele de fato evolua. Gosto das interações, do cuidado, da conversa que eles finalmente têm na qual ele fala sobre sentir que foi abandonado, e a música dos dois é muito fofa…

“Rhythm’s Only Right”

Já Sage e Fletch têm aquele início de romance que é característico do Disney Channel… eles acabam “casualmente” juntos em um trabalho proposto em dupla, e vão aos poucos conhecendo mais um do outro, e ambos precisam ser vistos… gosto de como a vilã do filme, Maddie, não tem qualquer interesse em Fletch ou em separar o casal: ela quer ganhar a competição e, quando é desclassificada, ela quer se vingar. Sua participação é diminuta e rápida e seus planos não dão certo por mais do que alguns minutos, mas ela rende um momento bacana quando ataca objetos importantes a cada um dos cinco finalistas, por exemplo, e uma guerra começa quando Cliff decide defender Rosie e aquilo se torna um delicioso caos ao estilo “Camp Rock”.

Musicalmente, o filme conta com algumas regravações e músicas originais. Embora haja um número razoavelmente grande de regravações, eu gostei de como elas foram utilizadas no filme… “It’s On” é utilizada como fundo da já mencionada “guerra”, por exemplo; “Play My Music” se torna uma sequência de audição que brinca com diferentes estilos e vozes, nem todas tão boas assim, durante a primeira fase do desafio rumo à Final Jam; “Start the Party” se torna a trilha da segunda fase do desafio, que é uma competição de dança que em muitos sentidos nos remete ao uso da música no primeiro filme em uma aula de Shane Gray; “Brand New Day” é a música trilha da chegada ao acampamento; e “We Rock” é a música que reúne o elenco e encerra o filme.

Nas originais, talvez falte uma música tão forte quanto “This is Me”, mas “This is Me” é o tipo de música cujo sucesso estoura a bolha e é difícil de replicar, tal qual “Let It Go” em “Frozen”. Ainda assim, temos, sim, músicas que são muito boas, e destaco “One Beat Away”, que é a primeira música original do filme e reapresenta o Camp Rock de maneira excelente: a voz de Liamani Segura é ótima e a energia da música inteira não poderia ser mais “Camp Rock”, com o ritmo, as coreografias, os cenários… foi ali que eu me senti de volta em casa! Destaco, ainda, músicas como “Echo”, cantada pelos cinco protagonistas em uma das minhas cenas favoritas do filme, “Play It My Way”, da Rosie, que é minha música favorita do Final Jam, e “Work in Progress”, a grande apresentação de Sage.

Sage, Desi, Rosie, Cliff e Fletch são os cinco finalistas que chegam ao Final Jam e à chance de competir para abrir os shows da Connect 3, e a última fase de seu desafio antes da apresentação na Final Jam é passar 24 horas dentro de um ônibus – afinal de contas, a realidade de uma turnê é mais do que o momento em que eles estiverem no palco. E aquelas 24 horas são muito bonitinhas de se acompanhar, porque é o momento em que eles se dão conta do quanto eles gostam do Camp Rock e do quanto aprenderam a gostar uns dos outros… em uma sequência meio “Clube dos Cinco” e meio “Lemonade Mouth”, eles compartilham experiências e cicatrizes que fazem com que eles se conheçam e se entendam melhor… e eles falam sobre, agora, terem uns aos outros.

E isso os leva a uma composição original de cinco vozes!

Sou bem sentimental… eu adorei aquela cena e adorei “Echo”.

O Final Jam, nos moldes do primeiro “Camp Rock”, traz as cinco aguardadas apresentações para que a Connect 3 escolha um vencedor. Cliff canta “My Own Drum”; Fletch canta “Tomorrow”; Desi canta “Get Ready”; Rosie canta “Play It My Way” e, sinceramente, eu acho que é a apresentação mais poderosa desse Final Jam; e Sage, antes de cantar, fala sobre os seus amigos, fala sobre por que cada um deveria ser escolhido, fala sobre o que aprendeu e como não é mais a mesma garota rígida que chegou ao Camp Rock semanas antes… quando ela canta “Work in Progress”, que tem também seu poder, ela recebe a ajuda dos outros quatro, e quando aqueles cinco estão juntos sobre o palco arrasando daquela maneira, eu sabia exatamente o que aconteceria…

Mas os Connect 3 não conseguem chegar a essa decisão sozinhos e, por isso, precisam de uma forcinha de Mitchie Torres, em sua rápida participação em “Camp Rock 3”. Ela fala sobre como eles são bons sozinhos, mas como parte do que os faz tão bons é como um impulsiona o talento do outro… temos vozes poderosas, temos pessoas no teclado, na guitarra, na bateria, no violoncelo… é Mitchie quem lhes diz que talvez eles não precisem escolher apenas um vencedor – e é assim que a Connect 3 anuncia a sua decisão e o resultado da Final Jam: OS CINCO OS ACOMPANHARÃO NA TURNÊ E SE APRESENTARÃO COMO UM GRUPO. Com um aceno e um sorriso a Sage, Mitchie passa o bastão e permite que a franquia siga em frente… e é breve e simples, mas bonito.

They rock.

Veremos mais “Camp Rock”? Sinceramente, EU ESPERO QUE SIM. “Camp Rock 3” é um novo olhar sobre a franquia, sendo respeitoso com o que veio antes e acenando constantemente aos fãs antigos, brincando com elementos e músicas conhecidas, mas também é novo, fresco e delicioso, e deve chamar a atenção de uma nova geração de fãs… o que eu sinto que é difícil para algumas pessoas é a ideia de “deixar ir”, e os Jonas Brothers e Demi Lovato fizeram um trabalho incrível que amamos e ao qual sempre poderemos retornar, mas o “Camp Rock” não precisa ficar para sempre limitado a eles, porque é um cenário bonito e um conceito bacana que ainda pode ser explorado com novos rostos, talentos, músicas e histórias. Eu adorei estar de volta… e espero que não tenha sido pela última vez!

 

Leia também as reviews de “Camp Rock” e “Camp Rock 2: The Final Jam”

 

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