Turma da Mônica Jovem (3ª Série, Edição Nº 16) – Alento

A importância de se viver o luto.

OS CINCO ESTÁGIOS DO LUTO. Com “Alento”, publicado em novembro de 2022, chegamos ao quarto e último capítulo de “ASCENSÃO DO LIMIAR”, o arco da terceira série da “Turma da Mônica Jovem” que acompanha o Bairro do Limoeiro depois da trágica e inesperada morte de Ramona, atingida por um raio no Jardim Botânico. A Bruxa Viviane não conseguiu aceitar a morte de sua filha e, por isso, colocou em risco toda a realidade como a conhecemos para tentar trazê-la de volta, barganhando com a própria Morte para que Ramona pudesse retornar e, sem conseguir o que queria dessa barganha, assumindo o seu lugar e rompendo as barreiras entre o mundo dos vivos e o mundo pós-vida, o que liberou o caos no Bairro do Limoeiro… e a turma precisa resolver isso.

Nas edições anteriores, Viviane passara pela negação, pela raiva e pela barganha, e nesse último capítulo ela chega aos dois últimos estágios do luto… ela trilha o seu caminho até a Árvore da Vida para falar com as nornes, as tecelãs do destino, e elas também falam sobre como não há nada que se possa fazer – Ramona partiu para sempre. Agora, Viviane lida com a depressão e com as perguntas que martelam dentro de sua mente: Ramona morreu em vão, sua morte não tem significado nenhum? Ela precisará, agora, descobrir o que ela quer guardar da filha dentro de si e encontrar uma maneira de seguir adiante, embora essa ferida nunca se feche por completo… sempre doerá pensar em Ramona. Agora, no entanto, Viviane precisa deixar que as coisas voltem ao normal.

Viviane não abre mão de suas mudanças. Ela está paralisada demais para qualquer coisa, e é por isso que a ação acontece ao seu redor, em uma edição frenética, como exigia o clímax de “Ascensão do Limiar”. Temos uma parte da Turma lidando com um Bairro do Limoeiro tomado por zumbis – zumbis que podem incluir Carmem Frufru e o Professor Ruben, vejam só! –, enquanto a missão liderada por Milena e Licurgo resgata a Tia Nena da Dimensão do Reflexo Distorcido parque ela possa retomar os seus poderes, e Ângelo e Magali ficam para trás na Cidade dos Espectros, enquanto Cebola e o Seu Antenor seguem adiante para pegar o Grimório Proibido de volta e libertar a Morte original, que foi presa ali quando Viviane assumiu o seu lugar…

A edição é bonita, emocionante e eu gosto de como ela não é definitiva… gosto de como a ideia de “arcos” nessa terceira fase da “Turma da Mônica Jovem” dá alguma independência, mas mantém tudo como parte de uma mesma história. Quando as coisas começam a voltar ao normal, Viviane está entendo que não há nada que ela possa fazer… é muito bonito o momento em que ela retorna para casa apenas como ela mesma e está finalmente chorando, pela primeira vez desde a morte de Ramona, e Acácio está lá para acolhê-la. Ela não vai sair impune de tudo o que ela fez, rompendo a barreira entre os mundos e assumindo temporariamente o lugar da Morte, mas ela aceitou o seu destino, seja ele qual for… mais cedo ou mais tarde, também saberemos.

Embora goste muito da conclusão de “Ascensão do Limiar”, eu preciso dizer que as duas histórias curtas dessa edição não são realmente grandes destaques para mim… mas o fato de termos Keika protagonizando “A Imbatível”, tendo ela sido protagonista de uma outra história curta recentemente, me faz pensar que em breve ela terá alguma participação notável no arco principal da “Turma da Mônica Jovem”, assim como foi com a Ramona. Ainda que não seja uma de minhas histórias favoritas, eu gosto de como essas histórias curtas são um bom recurso para apresentar mais de personagens menores e, eventualmente, dar-lhes maiores papeis na narrativa. Aqui, vemos Keika tentar manter-se “imbatível” em um jogo de cartas e se perguntando se ela está disposta a trapacear para isso…

Por fim, temos o Titi protagonizando “Caos Café”, e o Titi é um personagem que divide opiniões… ele já foi um dos personagens mais detestados da “Turma da Mônica Jovem”, e ele realmente agiu como um babaca em mais ocasiões que podemos contar, mas eu vou dizer que eu gosto de como a publicação está fazendo com que ele aprenda e evolua – ele não é uma pessoa completamente livre de seus traços tóxicos e tudo o mais, mas notamos que a “Turma Jovem” olha para ele de maneira linear, sem que uma história não interfira na outra. Sua amizade com Dorinha, apresentada em uma história curta anterior, é importante e interfere diretamente em suas atitudes em “Ascensão do Limiar” e agora, em “Caos Café”, ele aprende um pouco mais…

E entende que seu namoro com Aninha não tem volta, mas pode sobreviver uma amizade!

 

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