Além do Tempo – A reconciliação de Emília e Vitória
“Eu estou aqui, minha filha”
Pode até ser
que Lívia e Felipe foram vendidos como os protagonistas de “Além do Tempo”… a verdade, no entanto, é que as verdadeiras
protagonistas da novela são Emília e Vitória. Não houve nada na segunda fase da novela que tenhamos esperado com tanta
ânsia quanto os encontros das duas, os momentos de descoberta, as
possibilidades de perdão! Foram elas que carregaram toda a trama e a carga
emocional de “Além do Tempo” durante
esses meses de segunda fase, e ganhamos momentos emocionantes que acontecem no penúltimo capítulo da novela, quando
finalmente Emília desperta e, sabendo de toda a verdade e tendo tido enfim o
tempo para processar todas as informações, ela está preparada para olhar para
Vitória como “mãe”.
A cena de
Emília com o pai foi fortíssima – é muito triste, para ela, aceitar que o pai
passou 40 anos de sua vida mentindo para ela e a fazendo odiar a mãe que
supostamente nunca a procurou e nunca quis saber dela e a quem ele mentiu que
ela havia morrido, mas quando tudo vem à tona, o que mais ela pode fazer? Ela
ainda está profundamente transtornada quando ela entra em um carro para procurar
Vitória depois de saber toda a verdade, e ela não tem coragem de falar com a
mãe… ao ver Vitória sair de dentro de casa com os braços abertos, esperando por
um abraço, e a chamando de “minha filha”, Emília vai embora, assustada, e é aí
que ela acaba sofrendo um acidente que a deixa entre a vida e a morte em uma
cama de hospital, vigiada pela mãe.
E assim como
deveria ser, é a Vitória quem está ao lado de Emília quando ela finalmente
desperta, dias depois. Ela pouco saiu do lado da filha, e ela está segurando a
sua mão quando Emília acorda e a segura de volta, colocando naquela mão
apertada tudo o que ela ainda não consegue dizer: é um pedido para que a
Vitória não saia do seu lado, para que ela esteja sempre com ela… ao acordar,
Emília chama Vitória de “mãe” pela primeira vez em 40 anos, E É O MOMENTO
EMOCIONANTE PELO QUAL TODOS NÓS ESTÁVAMOS ESPERANDO, e é claro que Irene
Ravache e Ana Beatriz Nogueira, como as duas grandes atrizes que são, entregam
toda a emoção necessária para a cena… Vitória a recebe dizendo “Eu estou aqui, minha filha”, e Emília a
abraça.
Na verdade,
ambas esperaram ANOS por esse abraço. Foram anos e anos e anos de sofrimento de
ambas as partes, inteiramente causado por Alberto (!), que não pode ser anulado por nada, mas pode ser superado para que elas sigam em frente…
não é possível “recuperar o tempo perdido”, mas é possível tomar a decisão de
fazer o restante do tempo valer a pena e, naquele momento, ambas deixam claro
que é essa a sua intenção! É belo, emocionante e sincero e tudo está expresso
na atuação gigantesca dessas duas atrizes, em cada sorriso, cada novo abraço,
cada carinho, cada fala atropelada e pedido de perdão que nem precisa mais ser
dito porque ambas já entenderam. Eu amo como “Além do Tempo” nos preparou a
novela toda para esse momento!
E, então,
ainda temos o Alberto… e eu preciso dizer: eu
o detesto profundamente. Eu não seria capaz de perdoá-lo no lugar de
Emília, porque não o perdoo e o desprezo mesmo como espectador, e eu o acho
patético e covarde até o momento de sua morte, quando ele faz toda uma cena
sobre como “precisa pedir perdão para a Emília” e se mete a tentar subir
sozinho uma escada que ele sabe que não consegue subir… é quase como se ele
tivesse escolhido morrer e como se quisesse fazer disso uma grande cena, além
de não dar à filha a oportunidade de outra coisa a não ser “o perdoar”. Ele
morre caindo da escada, com a Vitória ao seu lado, dizendo que a Emília está
ali e que ela o perdoa… a verdade, no entanto, é que eu não me importo com o
Alberto o suficiente.
Para mais
postagens de “Além do Tempo”, clique
aqui.
Visite, também, “Teledramaturgia
Brasileira” em nossa
página.

Comentários
Postar um comentário