CEBOLINHA (2026) #2 – Inteligência Superficial

“Vou aploveitar a solidão pla me leencontlar com o meu veldadeilo eu”

TEMOS UM CLÁSSICO INSTANTÂNEO AQUI! QUE EDIÇÃO MARAVILHOSA! Publicada em maio de 2026, “INTELIGÊNCIA SUPERFICIAL” é o título da história principal da Edição #2 da 4ª Série do “Cebolinha” pela Panini e, com roteiro do Emerson de Abreu, essa é uma história astuta, divertida e que inteligentemente critica a maneira como a Inteligência Artificial é usada para o roubo de propriedades intelectuais e usada por muitas pessoas para substituir artistas de verdade. Eu gosto do tom político, da mensagem clara e de como ainda é uma história divertidíssima do Cebolinha!

O Cebolinha retorna de uma viagem à praia com a família do Jeremias, e os dois se deparam com um Bairro do Limoeiro estranhamente diferente – “Selá que tlocalam o desenhista enquanto a gente tava fola?” – com seus amigos apresentando traços que não refletem o estilo da turminha e a Magali tentando “se adaptar aos seus seis dedos”, por exemplo, o que por si só é algo que me fez abrir um sorriso tremendo! Enquanto eles se perguntam quem foi que fez aquilo tudo e se estão em um universo paralelo ou algo assim, eles descobrem que isso é coisa do Doutor Spam…

 

“Afe! Esse cara de novo?”
“Já tá ficando lepetitivo. Bem que podiam valiar um pouco esses vilões”
“Sabe quem podia aparecer? O Lorde Coelhão! Ele é muito irado!”
“Lembla da Cabeleila Negla? Por onde selá que ela anda?”

 

Eu amo como a história é boa nas PIADAS e na CRÍTICA!

O Doutor Spam orgulhosamente apresenta aos garotos o que chama de “Inteligência Superficial”, como se fosse mais do que a “Inteligência Artificial” por ser “Super”, e quando o Cebolinha lhe pergunta se ele sabe o que significa “superficial”, o Doutor Spam responde: “Não importa! Sabedoria e conhecimento são coisas do passado”. Pouco depois, ele está dizendo “A partir de agora, eu não tenho que aprender mais nada. Minha máquina já sabe de tudo por mim”. ISSO É MUITO BOM! Eu adoro a perspicácia e como a história é espirituosa e inteligente.

Um provocar constante!

A história segue na onda de denúncia e crítica quando o Doutor Spam quer usar o Cebolinha e pede que ele assine o contrato de termos e condições, mas quando o Jerê não o deixa assinar, o vilão cai na gargalhada e escancara outro problema do uso desenfreado da Inteligência Artificial: “Eu não preciso da sua permissão pra nada! Eu simplesmente pego o que eu quero!”. Então, o Doutor Spam faz algumas cópias do Cebolinha para o ajudar a “dominar o mundo”, evidenciando como ele só copia o que já existe, e o Cebolinha usa isso a seu favor virando o jogo com cópias do Doutor Spam…

Por ora, eles estão livres do vilão!

Gosto de como a história conclui. Ela é breve como é o caso da fase atual da turminha, mas é densa e marcante. Tem uma conclusão que envolve humor com o Jerê dizendo que o Cebolinha “bem que podia fazer umas aulas de desenho” e a Mônica correndo atrás deles com o Sansão por causa do mais novo desenho do Cebolinha, e uma fala interessante do Jeremias sobre como a tecnologia em si não é ruim, o problema é o uso que algumas pessoas fazem dela. Terminei de ler a história completamente encantado, e com a plena certeza de que tinha em mãos aquela que seria a minha edição favorita na quinzena!

O restante da edição traz outras boas histórias, como o Louco dando uma verdadeira aula de “FIGURAS DE LINGUAGEM”, e embora o Cebolinha não entenda muito, a representação física e visual das figuras de linguagem torna essa uma ótima história a ser usada por professores em sala de aula; temos o Do Contra apitando um jogo de futebol em “A REGRA NÃO É CLARA”, o que deixa os meninos perdidos e cansados, e eu amei, porque amo o Do Contra; e, falando em futebol, temos a má sorte e má energia do Titi em “É SÓ UMA FASE”, que meio que pode ajudar em um jogo, talvez.

Gostei de “A DESCOBERTA CIENTÍFICA”, e elenco três motivos para isso: 1) eu gosto muito do Franjinha; 2) traz de volta o conceito apresentado em “Dimensão Floquiniana”, que é uma história da série anterior da qual eu gosto bastante; e 3) não acho que trazer esse conceito de volta em uma história que é claramente uma apresentação tenha sido à toa. Temos, ainda o Xaveco e o Cebolinha conversando sobre os Xis-Men em “QUAL PODER MUTANTE?”, e eu gostei de ver o Xaveco sendo desenhado como personagens de X-Men, com a finalização perfeita do Cebolinha escolhendo “o poder de cula do Vovoveline”.

O Cebolinha, dono da revista, ainda nos entrega ótimos momentos em “REAÇÃO INFALÍVEL”, quando ele explica para Cascão e Xaveco que não conseguiu pensar em nenhum plano infalível naquele dia, sentindo que os decepcionou; em “UM PLANO PRODUTIVO”, no qual a Mônica o coloca para reciclar; em “DOCE ILUSÃO”, na qual ele se empolga demais jogando Banco Imobiliário, gritando que é rico, e eu amo esse Cebolinha; e em “UM PLANO ENROLADO”, na qual ele coloca os meninos enrolados como múmias e pensa em vantagens no “caso remoto de o plano dar errado”.

Gostei demais de “GIRANDO O QUÊ?”, com o Cebolinha correndo da Mônica enquanto ela corre atrás dele girando alguma coisa que não é o Sansão, porque o coelhinho azul está com ele, e descobrimos então que o que ela estava girando e arremessa É O PRÓPRIO CASCÃO; e de “UMA JORNADA DE AUTOCONHECIMENTO”, que tem a Mônica “pregando uma peça” no Cebolinha e entrega aquele maravilhoso “Vou me isolar em casa por alguns dias… talvez meses ou anos. Aqui ninguém me abolece. Vou aploveitar a solidão pla me leencontlar com o meu veldadeilo eu”.

EDIÇÃO DE OURO!

 

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