The Shards (Estilhaços) 1x02 – Don’t You Want Me

“No one was there. Not yet. But I could tell they were coming”

Eu acho maravilhosa a forma de contar a história em “The Shards”. O fato de Bret Easton Ellis, o protagonista, ser um escritor acaba dando à série um ar peculiar com uma narração que envolve um quê de dramaticidade que tem tudo a ver com a linguagem literária – eu gosto das palavras, gosto da cadência, gosto da voz de Bret nos conduzindo por eventos… eu percebi, ao escutá-lo desde o início desse segundo episódio, que eu estava totalmente rendido. Aqui, Bret nos apresenta, além do medo, à possibilidade de a “Traineira” não ser um assassino em série apenas, mas membros de uma seita, e cada vez mais invasões, desaparecimentos e assassinatos tomam conta das notícias.

Também exibido em 05 de agosto de 2026, junto ao episódio de estreia, “Don’t You Want Me” é o segundo episódio de “The Shards”, e as coisas estão ficando mais sérias… mais inegáveis. Bret é o primeiro a ficar com medo, e eu gosto muito da sequência de abertura do episódio que traz ele e os amigos na hot tub (e não apenas porque o seu olhar desejoso para Thom faz com que ele tenha a imagem do amigo em mente quando transa com Debbie mais tarde, tornando tudo mais visceral e quente), o que parecia tão “distante” inicialmente vai se tornando cada vez mais concreto quando alguém que ele conhece, e conhece muito bem, desaparece.

E temos a tensão causada continuamente por Robert Mallory, a quem Susan agora quer dar uma festa… há algo de misterioso e de estranhamente provocante em Robert, e ele gosta de jogos. Toda aquela conversa sobre Susan que ele tem com Bret em um evento de lançamento de videoclipe é pensada para atormentar o Bret – Robert sabe o que está fazendo quando fala sobre transar com Susan Reynolds e quando é exageradamente gráfico porque ele sabe o quanto é fácil desestabilizar Bret. Mexido, Bret termina na casa de Matt, e aquele é o momento em que ele deveria ter percebido que alguma coisa estava errada… mas ele também estava afetado demais.

Matt Kellner lhe manda “parar de ligar para ele”, embora Bret não esteja fazendo isso… Matt está convencido de que é ele quem está ligando a semana toda sem dizer nada e ficando respirando do outro lado da linha – ele também acha que foi Bret quem entrou na sua casa e esvaziou o seu aquário ou desenhou aquele símbolo em vermelho em um pôster seu. Naquele momento, Bret está mais interessado em saber sobre o que Matt estava conversando com Robert no estacionamento da escola no outro dia… e tudo o que ele consegue saber é que Robert fez perguntas sobre ele“Why don’t you tell me: what did he ask you about me? About us?”.

Matt manda Bret embora…

Bret também tem toda uma sequência curiosa com Terry, o pai de Debbie – ele é um figurão da indústria e pode, talvez, comprar os direitos do livro que ele está escrevendo ou o convidar para escrever um roteiro de filme… e Bret tem interesse nessa carreira. A relação é estranha, quase predatória, e temos todo um diálogo no qual Terry pergunta sobre Debbie, sobre suas intenções, sobre ele gostar ou não de garotos também, sobre Ryan, sobre Thom e confessa ter inveja do tempo que ele pode passar com Thom, e tudo vai deixando Bret cada vez mais desconfortável, até o ponto em que ele encerra a conversa e sai… mas é o início de uma história ainda a ser explorada.

Agora, Bret precisa lidar com o fato de que MATT ESTÁ DESAPARECIDO. É Susan quem dá essa notícia ao grupo: aparentemente, faz cinco dias que ninguém sabe dele, e Bret imagina que pode ser a Traineira, embora até agora os alvos tenham sido apenas mulheres… a mochila de Matt é encontrada em uma pedra próxima a uma praia, e Bret vê uma fita marcada com o seu nome – e então ele escuta o Matt ser torturado por uma voz misteriosa que o obriga a comer os peixes do seu aquário ainda vivos, e é perturbador de se ouvir e, no nosso caso, de assistir em paralelo… a voz macabra, o Matt implorando, a tortura, a dor acentuada pelas reações de Bret…

Que episódio bom!

 

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