Vale o Piloto? – The Shards (Estilhaços) 1x01
Estilhaços de uma vida perfeita…
Baseado no
livro homônimo de Bret Easton Ellis e desenvolvido para a televisão por ele
mesmo e por Ryan Murphy, “The Shards”
estreou no dia 05 de agosto de 2026 com dois episódios de uma temporada de nove
– com Ryan Murphy falando abertamente sobre planos para possíveis três
temporadas na série. Ambientada em Los Angeles nos anos 1980, a série
acompanhará o último ano de um grupo de adolescentes absurdamente ricos em sua
bolha hollywoodiana em Bel Air, cujas vidas são afetadas tanto pela chegada de
um novo aluno misterioso chamado Robert Mallory, quanto pelo surgimento de um
assassino em série que faz com que todos passem a viver com medo…
A série
começa em 1980, no lançamento de “O
Iluminado”, e nos apresenta a Bret Easton Ellis, um adolescente de 17 anos
que adora cinema, vive bastante sozinho enquanto os pais viajam, e tem uma vida
“oficial” com uma namorada que não chegou a planejar e encontros casuais com
rapazes que lhe chamam a atenção… e tem alguém que lhe chama a atenção
justamente na exibição de “O Iluminado”:
alguém que no ano seguinte chegará como aluno novo em sua escola e cuja
aparição coincidirá com o surgimento do assassino em série e do espírito de
medo em toda a escola e cidade. E alguém
que negará veementemente que esteve naquele cinema no fim de maio de 1980.
Igby Rigney
é o rosto desse primeiro episódio de “The
Shards”. Ele dá vida a Bret Easton Ellis com um magnetismo notável… é
verdade que ele é uma graça e que eu passei uma parte do episódio suspirando
por ele, mas é mais do que isso: eu gosto da dualidade de uma vida quase que
inteiramente encenada versus a falta
de sutileza na maneira como seus olhos e expressões se comportam, e como isso é
enriquecido pela narração em algum ponto do futuro que é o registro em livro e
que tem toda a magia ornamentada de belas palavras do processo de escrita… há
um quê de drama e de intensidade que parece combinar com esse jovem gay dos
anos 1980 que ainda leva uma vida dupla.
Ao seu lado,
temos todo aquele grupo de jovens absurdamente ricos cuja maior preocupação é o
baile, a popularidade na escola ou qualquer coisa que nunca fez parte da minha
realidade. Debbie é a namorada fogosa
de Bret; Susan e Thom são o “casal perfeito” que toda a escola parece admirar e
que todos sabem que serão eleitos Rei e Rainha do Baile quando chegar o
momento; e se essas são as três principais relações públicas de Bret, ele também tem histórias com pessoas como o Ryan,
alguém que termina a relação com ele no meio de uma festa, e Matt Kellner, “o
maconheiro da turma”, com quem Bret parece ter uma espécie de relacionamento mais duradouro…
E que talvez
esteja chegando ao fim.
E se une a
essa complicada equação Robert Mallory, o rapaz que causou uma impressão tão
grande em Bret no dia de “O Iluminado”
e que agora se aproxima da mesa deles em seu primeiro dia de aula, como o aluno
novo na turma do último ano… consequentemente,
chamando atenção por si só. Eu gosto do mistério, eu gosto da estranheza,
eu gosto do fato de ele descaradamente mentir que não estava naquele cinema no
ano anterior e que não viu esse filme, quando Bret tem certeza de que é ele…
gosto da perseguição de carro pela cidade, do “encontro” no shopping que é
repleto de tensão, e de como Robert Mallory está claramente aprontando algo.
Mas Bret
ainda não sabe o quê.
Toda a trama
do assassino em série que guiará a
trama é apresentada de maneira interessante nesse primeiro episódio. Vemos o constante
desaparecimento de animais – sejam eles gatos, cachorros, peixes, coelhos, etc.
–, seguido pelo sumiço de pessoas que começam a receber estranhos telefonemas
quase silenciosos antes de serem levados e aparecerem da maneira mais brutal
possível. Um corpo é encontrado amarrado a uma rede em uma quadra de tênis;
restos mortais são encontrados no pátio da escola no dia do primeiro dia de
aula; e é visualmente assombroso, com os corpos sendo adornados com restos dos
animais desaparecidos, de maneira doentia.
Robert
Mallory tem algo a ver com isso? É muita coincidência que sua aparição tenha
acontecido mais ou menos ao mesmo tempo que a do assassino em série, e ele vem
mentindo sobre ter estado ali no ano anterior quando Bret fala sobre “O Iluminado”. Ao mesmo tempo, decidir
que ele é o culpado parece óbvio demais…
gostei bastante desse primeiro episódio! Gostei do ritmo, gostei da
apresentação dos personagens, gostei dessa mescla desse mundo perfeito de Bel
Air com o horror de um assassino em série nos anos 1980, e o resultado é um
suspense interessante que me prendeu durante mais de 50 minutos. Estou curioso
para ver o que a série ainda vai nos entregar!
Mais
episódios de “The Shards” EM BREVE!
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