Além do Tempo – Vitória descobre que Emília é sua filha!
“Minha filha está viva!”
Vitória
Ventura ficou extremamente abalada com a visita de Alberto Navona à sua casa,
com aquela história estapafúrdia de que ele tinha “mentido para ela” sobre a
morte de sua filha – afinal de contas, ela viu a matéria no jornal e visitou o
túmulo de Mili em um cemiteriozinho pequeno na Itália, não seria possível que
ela tivesse passado uma vida inteira
acreditando em uma mentira e se sentindo culpada por isso… seria? Ainda assim,
a confissão de Alberto mexe com Vitória, porque ela precisa entender por que ele disse isso, e é por isso que
ela resolve ir atrás dele, e pede que Ariel o leve até onde Alberto está
hospedado: e se surpreende quando Ariel a leva para a sua antiga casa, aquela
que lhe foi tirada por Emília Beraldini de maneira tão cruel.
Ela acredita
que entendeu tudo no momento em que Ariel para o carro na frente daquela casa…
só pode ser mesmo coisa de Emília, essa mulher que, por algum motivo, a detesta
tanto. O embate das duas, que serve como gancho de um capítulo para o próximo,
ganha uma versão de olhares prolongados para a conclusão desse capítulo, com
direito às vozes de Vitória Castellini e de Emília Diffiori em uma discussão
acalorada e cheia de ódio da vida anterior, e eu adoro esses paralelos que
enriquecem “Além do Tempo” –
inclusive, a Condessa Vitória Castellini comprara a casa na qual Emília
Diffiori morava no início da trama justamente
para poder a colocar para fora porque não queria compartilhar a mesma cidade
com ela… como é irônico, não?!
Agora,
Vitória quer respostas, quer saber por que Emília trouxe o seu ex-marido para
Belarrosa – “Afinal, o que foi que eu te
fiz pra você me odiar tanto?”. Vitória não admite que brinquem com os seus
sentimentos e quer saber, de uma vez por todas, a verdade e o motivo de tanto
ódio, e percebemos que esse é um momento aguardadíssimo e importantíssimo de “Além do Tempo”, porque Emília não
consegue mais segurar isso ao ser confrontada dessa maneira, e ela vai falar…
com sarcasmo e com escárnio na voz, Emília pergunta se ela quer mesmo saber a
verdade e diz que quer ver como ela vai ficar ao saber que “tudo de ruim que está
lhe acontecendo tem um dedinho ‘da sua filhinha Mili’”, e a menção a Mili
revolta Vitória, que a manda não falar da sua filha…
“A sua
filhinha Mili cresceu, virou uma mulher cheia de ódio por você. […] Alberto
Navona está aqui sim, está na minha casa… e sabe por quê? Porque ele é meu pai”
O primeiro
impulso de Vitória, assim como aconteceu quando Alberto lhe contara a verdade,
é dizer que não acredita, é tentar duvidar de algo tão absurdo que estava bem na sua cara, mas a ficha está
caindo, ela está finalmente entendendo… Emília continua falando, diz que sua
Mili morreu mesmo, morreu no aniversário de sete anos, quando a mãe que ela adorava foi embora… o
grito pungente de Vitória dá à cena uma carga dramática impressionante, e toda
a sua dor está estampada em seu rosto e em sua voz quando ela a chama de Mili,
quando a “reconhece” como a sua filha, aquela que acreditava estar morta há
tanto tempo – mas Emília grita com ela, manda que não se aproxime, diz que não
permite que ela toque nela, e ela também está sofrendo.
De maneira
diferente, mas está.
Com toda a
dor escancarada, Vitória fala sobre como a procurou e como o seu pai lhe disse
que ela tinha morrido, e Emília não pretende acreditar nessa história… ela diz
que essa é uma mentira, que o pai sempre esteve ao seu lado e que nunca faria
isso. As duas estão afetadas, por anos de culpa e de mágoa, as feridas abertas
naquele momento, uma cena fortíssima e dolorosa, e eu sofro por ambas, porque
nenhuma teve culpa – a culpa é toda e inteiramente de Alberto. Vitória conta
que seus gritos a acompanharam diariamente durante todos esses anos e ela não
conseguiu ficar sem ela e por isso voltou, mas Emília não quer ouvir quando ela
diz “Minha filha, ele nos separou com uma
mentira terrível”. Para Emília, a mãe só quer inverter a história a seu
favor e jogar a culpa em Alberto…
Para Emília,
essa é a expressão de sua “falta de caráter”, e Vitória sabe que não vai ser
fácil convencê-la dessa verdade, mas pede que ela olhe para ela e que pense,
por um segundo, que isso é verdade, que considere que ela não sabia de nada e
acreditava que ela tinha morrido, mas Emília se recusa, manda ela parar de
falar e sair dali, porque ela não pode se
permitir sequer cogitar que isso seja verdade, porque isso significaria que seu
pai mentira esse tempo todo. Vitória vai até o quarto atrás de Alberto,
querendo que ele confirme tudo, mas ele está desmaiado porque acabou de ter um
AVC, e ele não poderá contar a verdade, pelo menos não por enquanto… e Vitória
vai embora, mas agora é uma questão de tempo até que Emília processe a
informação…
E acredite.
Vitória
chora no caminho de volta para casa, mas ela diz a Ariel que está chorando de alegria, porque a sua
filha está viva e ela nunca esperou por isso, e acaba de se dar conta também de
que tem uma neta… uma neta linda, amorosa e que gosta dela. É bastante irônico,
no entanto, ver a Vitória se lamentando de toda essa mentira e se perguntando
“quem forja o túmulo do próprio filho”, com a novela propositalmente nos
levando de volta para a vida anterior dessa alma, quando a Condessa Vitória
Castellini estava brava com o fato de o túmulo falso de Bernardo ter sido
violado, porque não queria que ninguém soubesse que, enterrado ali, só haviam
pedras, porque seu filho não estava morto de verdade… mas, nessa vida, ela não
carrega essa culpa…
Inclusive,
mais tarde, ela mostra a Emília o jornal com a notícia de sua morte…
Emília só acha que é outro jogo perverso de
sua mentira elaborada e sustentada por anos.
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