Vale o Piloto? – Elle 1x01
“Seattle
isn’t a costume. And pink isn’t a personality”
Ambientado
em 1995, quando Elle Woods tinha 16 anos e precisou se mudar para Seattle por
causa de uma rinoplastia que deu errado e
ameaça a carreira do pai, “Elle”
é uma prequel de “Legalmente Loira”
cuja primeira temporada, de 8 episódios, foi lançada no dia 01 de julho de 2026
na Prime Video. Desenvolvida por Laura Kittrell e tendo Reese Whiterspoon como
uma das produtoras executivas, a série é divertida e tem o espírito da história
original… talvez até um pouquinho demais?
Depois de assistir ao primeiro episódio, eu tenho duas coisas a dizer: 1) eu
amei cada segundo e é um episódio delicioso; 2) como prequel, tem problemas sérios. Não é uma grande novidade, é claro,
porque são coisas que ficaram evidentes no trailer e assumimos o risco ao
escolher assistir…
Preciso
pensar em “Elle” como algum tipo de universo à parte. A narrativa da
patricinha de 16 anos que só conhecia Malibu e precisou se mudar para Seattle,
enfrentar um cenário completamente distinto do seu e recebeu um choque de
realidade não se encaixa de verdade com a narrativa da patricinha de 20 e
poucos anos que só conhecia Malibu, entrou em Harvard e precisou enfrentar um cenário completamente distinto do seu e recebeu
um choque de realidade em “Legalmente
Loira”. O fato de Elle Woods não conhecer nada além do seu mundinho
cor-de-rosa em Malibu é essencial para a trama de “Legalmente Loira” e é uma amarra que “Elle” está disposta a ignorar, porque ela começa depressa a aprender algumas coisas.
E,
consequentemente, amadurecer.
Muito antes
de Harvard.
Eva e Wyatt
Woods, os pais de Elle, lhe dão a notícia bombástica logo depois de sua festa
de aniversário, e foi mais ou menos naquele momento que Lexi Minetree me convenceu
que ela seria a Elle Woods perfeita. A sua incredulidade dando lugar ao seu
choro exagerado, a maneira como ela entrega aquele “No. That doesn’t sound right”, como ela se esconde sob a coberta,
come Ferrero Rocher e diz que “vai fingir sua própria morte”… e como Elle não
está lidando bem com toda essa coisa de se mudar subitamente quando ela tinha
um plano perfeito em três passos para o Ensino Médio, os pais a presenteiam com
um cachorrinho: O BRUISER! Não é como se tudo estivesse magicamente resolvido, é verdade, mas ela ao menos não se sente
mais sozinha.
E enfrenta a
nova escola.
As coisas
acontecem depressa, e eu adoro o contraste da Malibu ensolarada e das cores
vivas em todos os cenários e objetos para aquela Seattle cinzenta e nublada em
que todas as pessoas parecem usar “cores neutras”. E se eu vou ser inteiramente
sincero, eu preciso dizer que a Elle é mesmo bastante sem-noção; as pessoas, no entanto, também são bem
maldosas, então na maior parte do tempo eu fiquei com pena dela! Quer dizer,
ela está deslocada ao não entender o sarcasmo do comentário de seu guarda-chuva
cor-de-rosa ou quando tenta se enturmar com o pessoal do xadrez ou nas
perguntas que faz ao professor que pede um trabalho sobre “Muito Barulho Por Nada”, mas ninguém se deu ao trabalho de ajudar…
quer dizer, ela acabou de ser transferida, ela não recebeu a lista de leitura em maio!
Ela tem
razão!
No
refeitório, os grupos são divididos claramente, e nenhum deles parece ter lugar
para ela… as veteranas não a querem por perto, e era ali que começava todo o
seu plano de se enturmar! Sem ter para onde ir e pensando que talvez seja
melhor fingir que está doente e ficar na enfermaria até a hora de ir embora,
ela vai falar com a secretária da instituição, Donna, e ela é a única pessoa
que é verdadeiramente legal com ela – e a convence a “dar uma chance” para essa
nova realidade. No meio do caminho do seu primeiro dia, ela conhece dois
rapazes: Dustin, que é o rabugento dono do armário ao lado do seu; e Miles, o
rapaz bonitinho com quem ela esbarra na saída do ginásio depois de ter feito um
teste para líder de torcida e ter sido aceita, embora não seja uma grande
vitória.
Aparentemente, todo mundo que se inscreveu
será aceito.
Depois de um
dia difícil, ela recebe a ligação de
Madison no telefone novo que tem no carro, e suas amigas parecem ter tido um
dia excelente na escola. Ela não pode dizer o mesmo, mas ela resolve tentar uma
nova abordagem no Dia 2: quem sabe tentar
falar um pouco a língua de Seattle? Infelizmente, o tiro sai pela culatra,
porque ela personaliza uma camiseta de Nirvana e a coloca junto com uma calça
de couro rosa, mas ela é rapidamente recebida com crueldade, mesmo que ela
tenha se esforçado: as meninas dizem que
não suportam posers ali. Então, ela termina comendo sozinha do lado de fora
até começar a chover, e aos poucos ela começa a repensar algumas coisas… afinal
de contas, Kimberly lhe dissera que “rosa não é uma personalidade”.
E o que isso
quer dizer?
Como eu
disse, é nesse sentido que “Elle” se
precipita demais e talvez não funcione tão bem como prequel de “Legalmente Loira”,
porque Elle Woods já começa a APRENDER e a REPENSAR no primeiro episódio da
série! Ela fica contente com a surpresa da mãe que preparou toda uma decoração
em tons de rosa que é a cara dela no seu novo quarto, mas ela mesma se pergunta
“que tipo de pessoa tem o dia melhorado por cortinas rosas”. Será que ela é uma
garota fútil? Quando ela retorna para a escola, ela tem outra atitude… ela quer
mostrar para todo mundo que ela sabe se
importar… e talvez ela possa ajudar o Dustin com aquele leilão que ele
planejara para arrecadar fundos para os funcionários da escola, que ganham uma
mixaria, como está passando no noticiário.
Mesmo que
dure pouco, é um momento tão bonitinho e tão felizinho para a Elle! Ela se
intromete no leilão e ela é boa no que faz, talvez. Ela consegue vender o vaso
da mãe do Jacob, embora quem compre seja o Miles, Dustin aceita a sua ajuda
porque vê que ela tem mesmo potencial e ela faz todo um discurso à favor de
Donna, que vive ajudando os alunos da escola, mesmo que tenha que quebrar
regras para isso, que emociona as pessoas e as motiva a movimentar o leilão…
teria sido uma vitória: ela consegue dinheiro, impressiona alguns, é vista. Mas
logo ela descobre que a Donna, a única pessoa ali que foi legal com ela, foi
demitida por sua causa, porque ela “expôs algumas ilegalidades de suas
atitudes”. Ela só estava tentando ajudar
e estragou tudo…
Ela está de volta no fundo do poço!
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