Turma da Mônica Jovem (3ª Série, Edição Nº 14) – Ruptura

“As barreiras entre o nosso mundo e o Mundo Pós-Vivo não existem mais!

“Ascensão do Limiar” tem tudo para ser um dos arcos mais diferentes da “Turma da Mônica Jovem”, e eu estou muito contente por como a publicação está arriscando… matar uma de suas personagens foi um baque para o Bairro do Limoeiro, e a vítima sendo, ainda, a filha da Bruxa Viviane, os desdobramentos culminam em toda uma nova história, porque Viviane está disposta a roubar o lugar da Morte se isso significar trazer a sua filha de volta. Enquanto a trama principal da edição segue os planos de Viviane, as histórias curtas e independentes trazem, primeiro, uma trama que envolve Inteligência Artificial para o Cebola, bem como uma história inusitadamente protagonizada por Keika, quando um estranho Mestre dos Sonhos aparece no bairro.

O segundo capítulo de “Ascensão do Limiar” foi intitulado “Ruptura” – e, como o nome sugere, traz a ruptura entre o nosso Mundo e o Mundo Pós-Vivo. A edição começa com o Xaveco, ainda muito afetado por causa da morte de Ramona, que era sua amiga, e quando o Cascão fala sobre Viviane “querer tomar o lugar da morte”, o Xaveco diz que já sabe disso, porque foi ele quem lhe deu a ideia… a briga dos dois gera uma advertência para ambos, enquanto a Magali, a Marina, a Milena e a Mônica vão atrás da Viviane porque ela levou a Dona Nena, e conseguem a ajuda de Acácio Félix para entrar na casa. Uma vez lá dentro, Magali pode usar o que aprendeu na Ordem dos Cozinheiros para descobrir o que aconteceu, e é assim que ela consegue ver o passado…

Gosto da temática de magia na “Turma da Mônica Jovem”, e ela é bem utilizada em um arco que vai ganhando um tom cada vez mais sombrio… com o poder de Magali, conseguimos ver o momento em que Viviane pegou os poderes da Tia Nena para poder chegar até a Morte, e a aprisionou dentro de um espelho, na Dimensão dos Reflexos Distorcidos, de onde os jovens agora precisam salvá-la. Enquanto isso, Viviana seguiu seu caminho, enfrentou o Ângelo (gostaria que o Ângelo aparecesse mais!), enfrentou ceifeiras e chegou até a Morte em pessoa, talvez sem saber exatamente o que significa assumir o seu lugar – Viviane não está pensando para além da sua determinação de trazer a sua filha de volta… ela pretende fazer isso, custe o que custar.

Devo dizer que esse capítulo é, até o momento, A EDIÇÃO VISUALMENTE MAIS BONITA DESSA SÉRIE DA “TURMA DA MÔNICA JOVEM”. Tudo aqui está de cair o queixo, e cada virada de página é um presente. Demorei-me mais do que o normal na leitura para apreciar as ilustrações que por vezes tomaram páginas inteiras – no confronto de Viviane com a Morte, nos vários nomes e aparências que a Morte assume em diferentes culturas, e nas reações que se espalham por toda a turma no momento em que se rompe a barreira entre os mundos. No fim do capítulo, a “nova” Morte aparece para visitar o Xaveco enquanto ele está chorando em frente ao túmulo de Ramona, e lhe estende a mão. Os dois saem caminhando juntos, e não sabemos ainda o que isso significa.

Mas é de arrepiar!

A primeira história curta da edição é “Hábito”, que o nome de uma Inteligência Artificial que surge por conta própria a partir de um programa em um HD externo antigo de Cebola e uma pasta cheia de seus “planos infalíveis”, e agora essa IA, no melhor estilo Skynet, pretende “se tornar o dono do lua” – o que é uma jogada interessante com a maneira como o Cebola falava “rua” na infância, por causa da dislalia, e o poderoso Satélite Lua II que a BRASA está mandando agora para o espaço. Felizmente, o Cebola consegue “passar uma mensagem codificada para o Franja” que impede a IA de assumir o controle do Lua II, mas sinto que essa história não chegou ao fim… o comentário sobre como “ele não se lembra de como conseguiu o programa” que gerou o Hábito não está ali à toa.

E já percebemos como essas histórias curtas podem ser introduções ao que vemos depois!

Por fim, tivemos “O Mestre dos Sonhos”, uma história que de modo algum figura entre as minhas favoritas… tampouco imagino que ela terá algum reaproveitamento futuro, a não ser, talvez, por mostrar um pouco mais de Keika – como já disse outras vezes, é interessante a possibilidade de explorarmos outros personagens além dos principais nessas histórias de 30 páginas. Keika é a única pessoa sensata no Bairro do Limoeiro quando um suposto “Mestre dos Sonhos” aparece entregando tudo o que as pessoas desejam, até que elas estejam fracas e sem energia vital, em uma história que tenta falar sobre o consumismo para adolescentes. Não sou o público-alvo e a história não me chamou a atenção, mas o restante da edição foi EXCELENTE.

 

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