Além do Tempo – Bernardo descobre que é filho de Guillermo Ventura
“A lembrança vai te libertar, Bento”
O principal
motivo para Bernardo Boldrin rumar a Belarrosa é a investigação a respeito de
seu passado… é verdade que ele também vai fazer algumas pesquisas para escrever
um novo livro sobre vinhos, mas a possibilidade de descobrir mais sobre seus
pais biológicos é o que realmente o levou até ali – e no Orfanato das
Carmesinas, que fora outrora um convento, ele consegue alguns nomes, como o de
Gabriela e de “Benvinda”. Luís, o desprezível prefeito da cidade, até tenta
impedir Bernardo de conseguir novas informações,
mas ele chega até uma mulher que tem a
história inteira para lhe contar, e a verdade vem à tona: ELE É FILHO DE
GUILLERMO VENTURA. De certa maneira, então, ele é “enteado” de Vitória, além de
ser irmão de Bento…
Bernardo
precisa contar isso para algumas pessoas, porque falar sobre isso o ajuda a
processar a informação. Primeiro, ele conta para Vitória, que fica emocionada
com a novidade, embora haja parte de seu egoísmo escapando na maneira como ela
percebe que isso pode, talvez, anular a venda da vinícola para a Beraldini, e
ela confronta Luís por sua mentira, e eu adoro a ouvir falar sobre “como isso
expôs o pulha que ele é” e garante que vai seguir com essa história. Emília,
por outro lado, fica inquieta, parece sentir raiva, abusa do ceticismo que, na verdade, vem do fato de que ela sempre soube que havia um herdeiro
escondido de Guillermo Ventura… ela só não imaginava que fosse Bernardo
Boldrin. E isso ainda vai dar pano para a manga!
Depois,
Bernardo vai conversar com quem ele nunca se deu bem, mas que acabara de
descobrir um parentesco: Bento, seu mais novo irmão. É uma situação delicada e
ele tenta ter algum cuidado ao se aproximar de Bento, mas não há maneira fácil
de dar essa notícia, nem de fazer o pedido que ele quer: ele precisa de uma maneira de confirmar esse parentesco, e a melhor
maneira é um exame de DNA com ele, que provará que eles são irmãos. Bento
fica revoltado, talvez nem ele mesmo entenda o porquê, mas ele já não quer mais
ouvir o que o Bernardo tem a dizer, ele só quer que o escritor saia dali de uma
vez, porque “ele está se controlando”. Ele
diz que, se Bernardo não sair dali, ele “não responde por si”. E, é claro,
é cheio de tensão.
Bento, no
entanto, é um personagem muito mais
complexo na segunda fase de “Além do
Tempo” do que na primeira. Se havia maldade
nele na primeira fase, e havia sim, na segunda existe trauma e mecanismos de
defesa que o tornaram uma pessoa de difícil convivência e que cometeu erros –
mas não é a sua natureza irrevogável, são consequências e marcas. E Bento vem
trilhando um caminho bonito de redenção que parte, inicialmente, da vontade de
ser uma pessoa melhor para quem está ao seu redor, como a ex-esposa e a filha,
e ele ganha a ajuda de Elias para o empurrãozinho final de que precisava.
Existe, em seu passado, a dor da perda da mãe e uma morte pela qual ele se culpa justamente por não se
lembrar direito de como as coisas aconteceram…
Agora, ele
precisa enfrentar isso.
Elias o
ajuda a colocar para fora sua história, porque nada pode ser feito enquanto o
Bento não conseguir falar sobre isso – e ele precisa fazê-lo para seguir em frente. A conversa de
Bento com Elias nos entrega um flashback
de Guillermo e Maria Benvinda na qual eles falavam sobre “o filho bastardo” de
Guillermo, a criança da qual a esposa se livrou dando para a adoção e cujo
paradeiro se recusa a revelar, e ela garante que Guillermo nunca vai saber nada
sobre essa criança. Essa memória, esquecida por Bento, retorna à sua mente
agora, tanto por ele estar aberto a uma mudança quanto pela aproximação de
Bernardo, que é justamente a criança sobre a qual eles estavam falando naquele
momento… é essa lembrança que vai libertar o Bento.
E Elias o ajuda a lembrar-se de tudo.
Bento tenta
interferir na briga dos pais, mas ele é apenas uma criança no meio daquela
confusão… ele é expulso do quarto enquanto o Guillermo violentamente pergunta à
esposa o que ela fez com o seu filho,
e Bento entende, agora, que foi o pai o culpado pela morte da mãe – o pai, que
ele havia “apagado” da cena em sua mente. Elias o ajuda a liberar-se da culpa
que sempre sentira, porque ele tentou ajudar a mãe e, de qualquer maneira, ele
era uma criança e não havia mais nada que ele pudesse fazer. Não é sua culpa. Elias também o
incentiva a chorar, e ele o faz… ele se sente mais leve depois disso tudo, seu semblante muda, e tudo se concretiza em
uma cena visualmente muito bonita na qual ele nada sozinho no rio. É um novo Bento.
Todo o
processo de “Além do Tempo” para
redenção do Bento foi muito bem construído, com a vantagem de sua segunda ser
mais fácil de redimir do que a primeira, e eu confio na sua mudança, consigo
enxergá-la – e todo mundo parece enxergá-la também… pessoas próximas a ele que
se importam de verdade, como a Vitória, a Alice e a própria Rosa. Bento também
sabe que tem uma pessoa que ele precisa procurar: seu irmão Bernardo Boldrin.
Ele sabe, agora, que Bernardo estava dizendo a verdade e que ele é mesmo filho
de Guillermo Ventura, então ele pede desculpas pela maneira como o tratou
anteriormente e se dispõe a ir com ele e fazer o exame de DNA de que ele
precisa, para confirmar o parentesco. Passos importantes para ambos os
personagens…
Que novela bem escrita!
Para mais
postagens de “Além do Tempo”, clique
aqui.
Visite, também, “Teledramaturgia
Brasileira” em nossa
página.

Comentários
Postar um comentário