Além do Tempo – A história de Vitória Ventura
“Você sabia que a Vitória perdeu uma filha? Sua xará…
Emília”
A ideia de “Além do Tempo” e sua divisão em duas
fases separadas por 150 anos é a de reencontrar almas em sua próxima vida e
entender as oportunidades que lhes são dadas, sendo elas aproveitadas ou não…
sinto que Vitória Ventura tem uma dor profunda que pode ser interpretada como “pagamento
pelo mal que causara anteriormente”, mas também é uma penitência que permite
que a sua alma evolua, e podemos ver como ela está fazendo diferente dessa vez. Sua relação quebrada com Zilda, por
exemplo, que também começa turbulenta nessa segunda fase, vai se amenizando
quando elas passam a morar juntas; e a sua relação com Emília, agora sua filha,
é marcada pela injustiça de uma mentira que não
é culpa sua, e haverá correções quando a verdade vir à tona.
Vitória
sente a dor da perda de sua filha diariamente. Ela vive com a culpa de “a ter
abandonado no dia do seu aniversário”, quando Emília/Mili tinha 7 anos de
idade, mas ela sempre amou a filha e a buscou não muito tempo depois,
arrependida… o grande vilão da história é Alberto Navona, o pai de Emília, que
criou a filha à base de mentiras para que ela odiasse e se ressentisse da mãe
para sempre, e que mentira para Vitória que Mili
morrera por causa de uma pneumonia. Quando Vitória o procurou, ele contou
essa história e mostrou uma matéria em um jornal, forjada por ele, para
endossar sua mentira, e Vitória viveu o resto da vida com uma culpa terrível
que a consume, sentindo, em parte, que ela merece todo esse sofrimento pelo mal
que causara…
Aos poucos,
no entanto, percebemos a história “vazar”, e é só uma questão de tempo não para
que chegue aos ouvidos de Emília, mas para que ela acredite nela… Lívia faz uma
visita a Vitória porque realmente não concorda com como a mãe tem feito as
coisas, e leva para ela de presente uma caixinha
de música que comprara de volta no antiquário no qual Vitória empenhorara
tantas de suas coisas… e Vitória fica verdadeiramente emocionada com o
presente, porque era uma caixinha de música da qual sua Mili gostava – e, com o
retorno dessa memória, Vitória compartilha um pouquinho de sua história com
Lívia, e conta que sua filha morrera, mas esse ainda não é um assunto sobre o
qual Lívia queira conversar com a própria mãe.
A eventual
chegada de Alberto ao Brasil também vai fechar o cerco. Quando ele fica doente,
Emília faz uma viagem até a Itália para ver aquele homem perverso que ele não
sabe que arruinou a sua vida e a de Vitória, e impediu que elas construíssem
qualquer relação de mãe e filha ao longo dos anos. Quando acha que está em seu
leito de morte, no entanto, Alberto quase
conta tudo a Emília, antes de retornar a si e perceber que não vai morrer e que
a filha nunca o perdoará se souber da verdade… ainda assim, ele fala sobre
retornar ao Brasil e “ver sua mulher”, o que Emília não entende: ele não
dissera tantas vezes que Vitória não queria saber nada deles e que ela era uma
página virada em sua vida? Ela está prestes a começar a entender…
Imaginei que
a missa rezada anualmente em Belarrosa pela alma da filha de Vitória pudesse
ser um momento de revelação, mas é um evento pequeno ao qual Vitória costuma
comparecer sozinha – é bonita a chegada de Bento e Zilda, no entanto, o que
significa muito para ela, e as relações vão se curando… existe muita dor e
muita emoção naquela sequência, e essa história chega até Bernardo, que é um
dos maiores defensores de Vitória Ventura. Ele gostaria de entender o que é que Emília tem de concreto contra Vitória, porque
ele percebe que não é uma “implicância”, mas uma mágoa… e, quiçá, uma mágoa
antiga. Então, mais de uma vez, ele traz o assunto “Vitória” à tona em
conversas com Emília, com quem ele está saindo…
Ela nunca
recebe esse assunto muito bem.
Mas a
história da “filha que Vitória perdera e que também se chamava Emília” pode dar
frutos. Enquanto Bernardo contava a história e ela ouvia em silêncio, eu sabia que ela ia duvidar de tudo, mas eu
também sabia que uma semente seria
plantada… a dúvida começa assim. Bernardo diz que todo ano a Vitória manda
rezar uma missa pela alma da filha e Emília se faz de durona, como se não se
importasse, mas isso mexe com ela de formas que ela ainda não entende de
verdade – então, ela faz um telefonema a Alberto, seu pai, para xingar Vitória
e para falar sobre como “ela mente para todo mundo que sua filha morreu, para
que ninguém saiba que ela a abandonou”. Emília chama Vitória de “criatura
sórdida por mentir assim”, sem saber quem é a “criatura sórdida” de verdade
dessa história…
Não vejo a hora de vê-la descobrir.
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