Primeiro Capítulo de “Rosalinda” (01 de Março de 1999)

Um segredo do passado e uma vingança…

EU NEM ACREDITO QUE ESTAMOS DE VOLTA À THALÍA! Depois da famosa “Trilogia das Marias”, Thalía ainda retorna para interpretar mais uma protagonista sofrida e sonhadora, em uma novela que não é adaptada da obra de Inés Rodena. Dessa vez, temos um texto de Delia Fiallo (cujos argumentos são a base para outras obras, como “Esmeralda” e “Te Sigo Amando”), e realmente a introdução é diferente do que estávamos habituados a ver desde “María Mercedes”, e temos pontos positivos e negativos para isso… a principal diferença é a ausência de Thalía ao longo do capítulo, e eu fiquei o tempo todo ansiando pelo momento em que a veríamos novamente… afinal de contas, é a Thalía. Ao mesmo tempo, no entanto, foi bacana como a narrativa escolheu contar sua história, dando todo um background para a história principal da novela…

Narrativamente, é excelente.

O único problema mesmo é que não sacia nossa saudade da Thalía ainda!

Mas isso fica para os próximos capítulos… Thalía é quem inicia a novela, a primeira cena é dela – e, nesse momento, não vejo diferença alguma entre “Rosalinda” e qualquer Maria que ela tenha interpretado… uma filha carinhosa, um lugarzinho pobre, e a mãe debilitada, quase morrendo. Rosalinda é uma filhona e vai até o quarto da mãe para se despedir antes de ir trabalhar, preocupada em deixá-la sozinha, tendo em vista que ela está muito doente… Thalía está espetacular, e diferente do que a víamos até “Maria do Bairro”. Agora com o cabelo mais liso (sinto falta de seus cachos!), uma rosa branca o enfeitando e um vestido curtinho e colado, ela parece mais madura. Vai ser interessante acompanhar essa nova fase de Thalía. Assim que ela sai para o trabalho, chamando Dolores de “mãezinha”, a senhora fica pensativa, e fala sobre como ela não sabe a verdade…

Não conhece o passado…

Dali em diante, o capítulo “esquece” a Thalía – com um motivo que só vai ser claro da metade para a frente. Conhecemos Soledad, uma mulher casada e apaixonada por seu marido, mas que sofre porque, embora estejam casados há 3 anos, eles vivem escondidos, porque, basicamente, Alfredo é um covarde… elemento, por sinal, importantíssimo para o pontapé inicial da trama. Ele sabe que sua irmã, Valéria (que é uma mulher desprezível), nunca vai aceitar esse relacionamento, porque Soledad é a secretária de Alfredo… para complicar ainda mais a situação, José Fernando, o esposo da Valéria, é “louco” por Soledad… daqui em diante, as cenas do capítulo se tornam bem fortes e angustiantes, porque José Fernando faz de tudo para agarrar Soledad à força, e embora ela lhe dê dois tapas e tente escapar, ele a segura e a leva à força do escritório…

Alfredo chega logo que José Fernando leva Soledad, por isso ele vai atrás dos dois, e pega uma arma no meio do caminho… então, temos uma perseguição de carro, uma perseguição de lancha, um acidente, e parece que Alfredo morreu ao bater a lancha – José Fernando celebra essa morte e leva Soledad para uma ilha deserta, onde ele poderá fazer o que quiser, porque ela não tem para onde fugir nem quem possa ajudá-la. Tudo aqui causa uma angústia tremenda e, por isso, chega a ser reconfortante o momento em que ouvimos os tiros atingindo as costas de José Fernando, e então ele cai, praticamente morto… eles poderiam ter alegado legítima defesa, e eu acho que eles teriam conseguido se inocentar, mesmo que passassem por um julgamento, mas Alfredo teme o escândalo e Soledad manda ele fugir: diz que vai dar um jeito e ninguém vai saber que foi ele.

Covarde, Alfredo realmente foge… a polícia chega logo em seguida, graças ao acidente da lancha virada, e então fica parecendo que Soledad matou José Fernando – afinal de contas, a arma está em suas mãos. Valéria, ao saber da morte de seu marido, jura de vingar de Soledad, e é assim que nasce a vilã… uma vilã caricata, unilateral, canastrona, mas uma vilã. Ela grita, chama Soledad de “maldita assassina”, e ainda diz que ela o matou porque era apaixonada por seu marido e ele a desprezava… aham, tá sabendo legal. Tudo acontece depressa… Soledad é levada a julgamento, condenada pelo crime que não cometeu, e ganha 25 anos de prisão, enquanto Alfredo se sente culpado, porque sabe que não pode deixá-la lá por todo esse tempo por algo que ele fez, mas ele acaba não fazendo nada… e Soledad insiste para que ele vá embora quando ele vai visitá-la: e a deixe ali, sabendo que fez algo bom por ele.

Bem submissa, não?

Enfim…

Enquanto isso, Valéria rumina um ódio crescente por Soledad, e ensina o filho, Fernando José (sim, o nome do filho de “José Fernando” é “Fernando José”, deal with it), a odiá-la também… e para sempre. É aqui que se fala sobre “passar o tempo”, sobre “ele assumir o lugar do pai”, e então os rumos da novela já vão ficando bastante claros. Valéria está determinada a se vingar, e mandar Soledad à cadeia por 25 anos não é o suficiente para ela. Ela jura fazer o resto de sua vida um inferno, e ainda diz que, quando ela morrer, o filho continuará o seu trabalho, ela se encarregará disso: basta enchê-lo de ódio dia após dia de Soledad Romero. Como já era de se esperar, então, descobrimos que Soledad está grávida, e então uma angústia muito forte nasce nela, pela primeira vez: “Meu Deus… se eu soubesse. Tenho o direito de me sacrificar? Tenho. Mas o meu filho não…”

Quando o bebê de Soledad nasce, é uma menina, “linda como uma rosa”. Mas ela não pode ficar com ela na cadeia, seria sofrido demais… por isso, tudo parece se encaminhar quando sua irmã, Dolores (!), vem visitá-la. Convenientemente, Soledad pergunta a Dolores sobre a sua filhinha, também recém-nascida, e descobre que a filha de Dolores morreu, e então ela imediatamente toma uma decisão: Dolores deve ficar com Rosalinda e criá-la como sua filha, e ninguém nunca precisa saber da verdade. 20 anos depois, encontramos Soledad ainda no centro de reabilitação, se perguntando se “Deus já a perdoou por ter se separado de sua filha”, encontramos Valéria se preparando para ir ao cemitério visitar o túmulo do marido, ainda incentivando o filho a odiar Soledad Romero, e Rosalinda descendo do ônibus para ir trabalhar na floricultura…

E então Rosalinda começa de verdade…

Agora, temos que ver como se desenvolve essa trama toda. É a primeira vez que teremos um galã para Thalía que é movido pela vingança, e é com esses olhos que ele se aproxima dela… afinal de contas, foram 20 anos ouvindo a mãe falar sobre Soledad Romero, o incentivando a odiar não apenas ela, mas qualquer coisa que tenha relação a ela. Assim, quando Maria Mercedes Rosalinda está andando pela rua com uma cesta de flores, para fazer uma entrega em um restaurante, e cai, Fernando José para o carro ao seu lado para ajudá-la… e quase achamos que algo surgiu entre os dois naquele primeiro encontro, nos primeiros olhares, e talvez até pudesse ter sido assim… mas não é, não exatamente. Quando Rosalinda se apresenta, dizendo seu nome completo, Fernando José reconhece o “Romero” no seu sobrenome e se lembra dos ensinamentos da mãe…

Sempre odiar Soledad Romero.

E tudo que tiver ligação com ela…

 

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