Além do Tempo – A chegada de Alberto a Belarrosa
“Nós somos um só e você não vai me trair”
Alberto
Navona é, nesse momento, A PESSOA MAIS DESPREZÍVEL DE “ALÉM DO TEMPO”. O que ele fez tanto com Vitória quanto com Emília
é uma violência gigantesca que ele manteve durante décadas! Vitória pode, sim,
ter sido insensível e ter partido com outro homem no momento e da maneira
errada ao fazê-lo no aniversário de
Emília e tudo o mais, mas Alberto NUNCA tinha o direito de, como vingança e
despeito, mentir para Vitória que Mili havia morrido quando, não muito tempo depois, ela veio em busca da filha,
arrependida de ter ido embora… a perversidade de Alberto é inegável porque o
que ele fizera não foi “algo de momento”, impulsivo: ele planejara a mentira,
forjara uma matéria de jornal e um túmulo, e depois passou a vida toda incutindo ódio contra Vitória em Emília.
Ele é um
monstro.
E, agora,
esse monstro acaba de chegar a Belarrosa. Trazido por Pedro, contra a vontade
de Emília, como parte de um plano estúpido que ainda o faz pensar que há alguma
maneira de “ganhar pontos com Lívia”, Alberto chega para o desgosto de Emília,
que faz de tudo para escondê-lo e para despachá-lo de volta ao Rio de Janeiro,
porque não pode correr o risco de ele ser visto por Vitória Ventura. E, em seus
primeiros momentos em Belarrosa, Alberto só
sabe falar sobre o quanto está ansioso para o casamento entre Pedro e Lívia
– que é mais ou menos o que o Pedro queria quando o trouxe mesmo. Brava com
toda a situação e por ter sido claramente contrariada, Emília faz questão de
jogar ao vento logo a informação de que não
vai mais ter casamento.
Como era de
se esperar, é um pequeno caos… impressionante como Alberto consegue ser
desprezível em toda e qualquer cena que protagoniza. Ele é egoísta, arrogante e
dissimulado, do tipo que gosta de se fazer de vítima quando é um grandessíssimo
desgraçado. Ao saber da suspensão do casamento, ele age como se aquilo fosse
sobre ele, como se, por ele, Lívia tivesse
que se casar com Pedro, e chega a pedir que “ela não faça isso com o seu avô”,
o que é um absurdo indizível. E Emília conta para Alberto sobre o fim do
noivado porque quer dizer para ele que Lívia está saindo com um homem casado e que tem dois filhos no meio da história –
afinal de contas, isso lhe traz memórias terríveis, e Emília faz questão de
dizer que “Alberto sabe quem ela puxou”.
A chegada de
Alberto a Belarrosa faz com que ansiemos pelo momento em que todas as verdades virão à tona, porque o
tempo está acabando. É quase irônico como Vitória, que desenvolveu uma relação
muito bonita com Zilda desde que se mudara para a sua casa, mostra à amiga uma
foto de Alberto enquanto fala sobre como nunca mais vai vê-lo porque ele nunca
a perdoou por ter ido embora… ela jamais imaginaria que ele está ali, em
Belarrosa, até porque ela não imagina que
a Emília Beraldini, que comprou a sua vinícola e a sua casa, é a mesma Emília
que ela abandonou há tanto tempo e que Alberto dissera que estava morta… a sua
Mili. Enquanto isso, Emília garante ao pai que não vai parar porque ela
ainda não terminou a sua vingança…
“Pai, eu ainda não acabei a minha vingança.
A Vitória não pode saber que é minha mãe”
E é aqui que
Lívia se torna parte da história… ela escuta quando Emília diz que “a Vitória é
a sua mãe” – “O que você disse, mãe? A
Vitória é sua mãe?”. Emília e Alberto até tentam voltar atrás e mentir para
Lívia, mas ela ouviu muito claramente e não tem mais como seguir mentindo… e
ela quer saber tudo, quer entender toda a história, e eles não têm outra
alternativa a não ser contar… e
Emília conta a história como a conhece, como ela foi manipulada por Alberto,
com todas as omissões, mentiras e com o ódio que ele sempre fez com que a filha
nutrisse pela própria mãe. Lívia acredita inicialmente, porque tudo é muito
chocante, mas Anita a aconselha a ouvir
também o outro lado da história, e Emília roga que a filha não se aproxime
mais de Vitória…
…que não
“lhe dê esse desgosto”.
Naturalmente,
Lívia não consegue não ir falar com
Vitória. Ela mantém o segredo, porque não cabe a ela contar a verdade, mas ela
quer sondar, quer tentar entender se Vitória realmente mente para todo mundo que a sua filha morreu ou se ela
acredita nisso – e não é difícil entender que Vitória não está mentindo, porque
a dor está estampada nos seus olhos e no seu ser. É a caixinha de música da
outra vez que inicia o assunto, e Vitória vai se abrindo às perguntas de Lívia
sem perceber o que está acontecendo… ela mostra a foto de sua Mili, que carrega
sempre consigo no pescoço, e fala sobre como a filha morreu de pneumonia e
morreu por sua causa, e tudo o que
lhe restou agora foi remorso e amargura. Lívia escuta e sente toda a dor da mulher na sua frente.
É sincero…
ela não está mentindo.
Lívia conta
isso à mãe e ao avô mais tarde, diz que Vitória acredita realmente na morte de
sua filha e se culpa por isso, e Emília fica brava, porque de fato acredita que
é uma mentira… Alberto, por sua vez, segue o dissimulado de sempre. Mais tarde,
Alberto pede que Lívia o leve até Vitória para falar com ela, e Emília,
confusa, os encontra e os impede, e quando Alberto diz que “não quer mais
vingança, quer paz”, como se ele fosse uma alma bondosa e cansada, Emília o
confronta: “Papai, o senhor insuflou ódio
em mim a minha vida toda, agora o que que é? Você quer sair de bonzinho nessa
história, hein? Pai, desde que a Vitória nos deixou, nós estamos juntos nisso.
Nós somos um só e você não vai me trair”. Eu espero que Alberto tenha mais
vidas para pagar pelo que fez…
Não há redenção para ele nessa.
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