As Ovelhas Detetives (The Sheep Detectives, 2026)

“Our shepherd was murdered! And we shall solve the crime!”

E SE EU DISSER QUE ESSE É UM DOS MEUS FILMES FAVORITOS DE 2026?! Absurdamente divertido, inteligente, surpreendente, com um excelente mistério a ser resolvido no estilo “Quem matou?” que associamos a detetives como Sherlock Holmes, Hercule Poirot, Nancy Drew e, mais recentemente, Benoit Blanc, bem como uma pitada deliciosa de emoção que me levou às lágrimas mais de uma vez, “As Ovelhas Detetives” é uma das mais gratas surpresas do ano! Baseado no livro de 2005 “Three Bags Full”, de Leonie Swann, o filme chegou aos cinemas em maio de 2026 e foi lançado na Prime em 24 de junho do mesmo ano, contando a história de um assassinato misterioso de um pastor em uma cidadezinha pequena – caso resolvido com a ajuda de suas ovelhas.

Interpretado por Hugh Jackman, George Hardy é um pastor considerado “rabugento e solitário” na cidade de Denbrook, mas ele tem a adorável companhia de suas simpáticas ovelhas – cada uma com um nome e com uma personalidade clara. Todo dia, George se dedica a manter a lã aparada, cuida de sua comida, do remédio que precisa dar e, à noite, ele lê livros de mistério e investigação e pode jurar que elas entendem cada palavra do que ele está dizendo, embora no fundo saiba que isso é impossível… mas, é claro, não é. Temos a visão de George assim como temos a visão das ovelhas, que se reúnem no celeiro e, antes de dormir, discutem quem pode ser o assassino do mais novo livro, e Lily, que é a mais inteligente de todas elas, sempre sabe quem é o culpado antes dos demais…

E ela sempre acerta.

Na cidade, George Hardy tem relações complexas com diferentes personagens que se tornarão os suspeitos de seu assassinato: Caleb Merrow, um outro pastor de ovelhas com quem George teve uma discussão no mesmo dia em que foi morto; o Reverendo Hillcoate, a quem George entrega uma grande quantia de dinheiro durante uma missa, embora normalmente não entre na igreja; Ham Gilyard, o açougueiro da cidade que quer as ovelhas para vender como carne; Beth Pennock, a dona de uma pousada aparentemente apaixonada por George, que rouba uma carta enviada a ele por alguém chamada Rebecca; a própria Rebecca Hampstead, a filha de George que acaba de chegar à cidade; além de Tim Derry, um policial inexperiente, e Elliot Matthews, um repórter em busca de uma história.

Quando George Hardy aparece morto em frente ao seu trailer, as ovelhas precisam lidar com algo que não estão habituadas a lidar: a morte. Elas acreditam que “morte” é algo fictício que só acontece em livros e que ovelhas “se transformam em nuvens” ao invés de morrer. Elas escolhem esquecer tudo o que é triste porque não suportam a dor. Lily, a líder do rebanho, pensa em ajudar todos a esquecerem George porque “assim vai ser mais fácil”, mas Mimoso a detém, porque eles amavam George… eles não podem esquecê-lo! O filme tem uma mensagem linda sobre como as pessoas que amamos nunca nos deixam de verdade porque a memória delas faz com que elas ainda estejam presentes, conforme as ovelhas precisam deixar aquele mundinho cor-de-rosa para trás…

E enfrentar a realidade.

Uma realidade que, agora, envolve um assassinato. Lily nunca achou que as coisas que George lia para eles nos livros de fato acontecessem na vida real, mas fica cada vez mais evidente que a sua morte não foi natural, e ela e o rebanho precisam descobrir o que aconteceu. O rebanho é liderado por Lily, Mimoso e Tião, um “Cordeiro de Inverno” que foi resgatado de maus-tratos em uma feira, mas conta também com personagens como Nuvem, que é uma diva (!), o atrapalhado Franjinha, os burrinhos e loucos para chifrar algo Reggie e Ronnie, e o pequeno Cordeirinho de Inverno que está tentando encontrar seu lugar no mundo e é inicialmente rejeitado pelo rebanho, mas que é a chave para a resolução de todo o caso, porque ele viu “o Fantasma de George”.

A maneira como o filme conduz a sua narrativa, mesclando o protagonismo das ovelhas e dos humanos na resolução de um mesmo caso, é sensacional. Eu gosto de como há um quê proposital de exagero quase caricaturado nos humanos, e como as ovelhas proporcionam momentos de pura comédia, como quando Lily fica com medo de atravessar a rua ou Mimoso fica com o focinho preso em uma cerca, inadvertidamente “esbarrando” em uma pista importante, mas como também entregam momentos da mais pura emoção, como quando Tião retorna para proteger seus companheiros, mesmo que dissesse que “não tem um rebanho” e Lily percebe que ele não foi a primeira ovelha que ela viu morrer… o filme explora temáticas de perda e luto.

E o caso jamais teria sido resolvido se não fosse pelas OVELHAS DETETIVES. George Hardy lera histórias o suficiente para que eles percebam padrões e regras que toda história de “Quem matou?” parece seguir – regras como a desconfiança de alguém que veio de fora, a chegada de alguém que muda tudo, ou o fato de o culpado sempre retornar à cena do crime. E como Tim é um policial bastante limitado, para dizer o mínimo, Lily e as outras ovelhas resolvem ajudar entregando para ele o livro que George estava lendo para eles recentemente, para que ele também saiba como identificar sinais… e é uma delícia ver o Tim melhorando no quesito “investigação”, ao mesmo tempo em que parece perceber que “sempre que algo interessante no caso aparece, as ovelhas estão presentes”.

A primeira e principal suspeita é Rebecca Hampstead, já que existe um testamento que fala sobre os 30 milhões de dólares que George tinha pela patente de um remédio que ele criara para uma doença comum em ovelhas, mas nós que gostamos desse tipo de história sabemos que quanto mais óbvio parece, menos provável é que essa pessoa seja mesmo a culpada… e ninguém queria que Rebecca, um “Cordeiro do Inverno”, fosse a culpada. E não era. Uma boa história de detetives é aquela em que muita gente poderia ter matado… podia ser Rebecca, a herdeira em busca do dinheiro; podia ser Caleb, o outro pastor que vendia ovelhas para o açougueiro; podia ser Beth, a mulher que tinha um amor não correspondido; podia ser Hillcoate, o “mau pastor”…

E podia ser Peter Van Vuuren, o irmão gêmeo de Rebecca.

Toda a sequência de resolução do caso É UMA DELÍCIA DE SE ASSISTIR! São as ovelhas que entregam a Tim tudo o que ele precisa ver para resolver o caso, com as patinhas azul e amarela do cordeirinho de inverno que entra na delegacia por uma janela basculante, e ele tem um grande momento como aquele que desvenda todo o caso e conta o que e como aconteceu na presença de todos os suspeitos – até aquele que ninguém tinha desconfiado que também era um suspeito. A revelação de que Elliott Matthews é Peter van Vuuren e como tudo aconteceu é um momento catártico que resulta na prisão de um dos filhos que George Hardy buscava com a ajuda da igreja… mas não aquele que era óbvio demais para ser culpado. E é uma resolução ELETRIZANTE!

Nicholas Galitzine estava excelente no papel e suas facetas, por sinal!

A sequência final do filme é profundamente emocionante… Rebecca, agora “Rebecca Hardy”, aceita a herança do pai e fica com suas terras e suas ovelhas, bem como com as ovelhas que pertenciam a Caleb e que ela compra, as livrando do matadouro e, assim como o pai costumava fazer, ela se senta para ler para elas conforme o dia finda. Enquanto isso, Lily busca o Cordeiro do Inverno anteriormente rejeitado pelo rebanho por “ter nascido na época errada” e finalmente lhe dá um nome, porque “toda ovelha merece um nome”: George. É tão bonitinho ver o George se reunindo com seus novos amigos e seu novo rebanho, enquanto Lily olha para o céu e vê uma nuvem que poderia ser o Tião. Aquela nuvem foi a cereja do bolo de toda a beleza dessa reta final!

“As Ovelhas Detetives” é mais, muito mais, do que eu jamais teria imaginado. É um filme verdadeiramente divertido e carismático que fez com que eu me apaixonasse por ovelhas falantes e resolvedoras de assassinatos e desse boas risadas, mas também é uma história sensível e emocionante sobre a família que a gente escolhe, sobre perder pessoas que a gente ama e sobre como mantê-las como parte de nós – e como as feridas que ganhamos com a vida se tornam cicatrizes que são parte de quem somos e, mais do que isso, nos ajudam a ser quem somos, ainda que às vezes queiramos “escolher esquecer”, porque acreditamos que assim seria mais fácil. Mas não é assim que a vida funciona, né? Nem precisa ser. Ah, e além disso, é um excelente filme de investigação!

Novamente: QUE FILME MARAVILHOSO!!!

“For, like humans, they cherish belonging above all. They allow themselves to belong to us. And so, we find we belong to them”

 

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