Glee 5x03 – The Quarterback


“How do you measure a year in the life?”

Um dos episódios mais tristes e mais difíceis de “Glee”. Exibido originalmente em 10 de outubro de 2013, “The Quarterback” é o terceiro episódio da quinta temporada da série e lida com a morte de Finn Hudson, seguindo a morte poucos meses antes de seu intérprete, Cory Monteith. Lembro-me muito bem de como a notícia nos pegou desprevenidos e de como eu acordei surpreso e arrasado ao vê-la no dia. O episódio é uma poderosa mescla entre ficção e realidade porque, assim como aqueles personagens estavam sofrendo por Finn, aqueles atores também estavam sofrendo por Cory, e eu acho que é isso o que o torna ainda mais impactante. A dor da morte de alguém tão jovem está escancarada ali e me destrói ainda hoje, mas é um episódio lindíssimo.

A abertura do episódio é ao som de “Seasons of Love”, e é uma das músicas mais perfeitas para esse momento. A música mais famosa de “Rent” fala justamente sobre “medir” a vida, sobre relembrar, sobre sentir… é uma música sobre amor, sobre amizade e sobre partida. Quase todo o elenco jovem de “Glee” está no palco, em uma referência a como a música é apresentada na obra original, e é o primeiro momento em que eles derramam a sua dor, antes de se virarem para um telão que traz uma foto de Cory Monteith como Finn Hudson, na época da primeira temporada da série. É uma homenagem bonita, e o episódio segue lidando com o luto e dando aos personagens a chance de lidar, cada um à sua maneira, com a partida de alguém que amavam.

O glee club de modo geral está pensando em Finn e cantando músicas para ele – músicas que ele tenha cantado ou das quais ele gostava, ou que os façam lembrar-se dele ou que expressem como estão se sentindo. Todos estão arrasados e, consequentemente, a audiência também. Mercedes é a primeira, e ela canta “I’ll Stand By You”, que é a música que uma vez o Cory cantou para o ultrassom do filho que a Quinn estava esperando; também temos “Fire and Rain”, interpretada por Sam e Artie e o resto do New Directions no auditório escuro, e é um momento bastante sentimental que traduz bem o clima do episódio como um todo. E temos alguns episódios que se tornam o foco da narrativa… personagens como o Kurt, a Santana e, eventualmente, a Rachel.

A narração do Kurt no início do episódio é profundamente dolorosa. Ele fala sobre como Finn era seu irmão e como ele sentirá sua falta para o resto da vida. Nada nos preparou, no entanto, para a cena com Burt e Carole quando eles começam a limpar o quarto de Finn e decidir o que será guardado e o que será doado, e cada objeto é repleto de história e de memória. Burt fala sobre sentir culpa, fala sobre como gostaria de ter abraçado mais o Finn, mas acho que nada se iguala à dor de uma mãe que perdeu um filho… a fala de Carole sobre se perguntar como acordar toda manhã, sobre acordar e se esquecer por um segundo e então se lembrar e ser “como receber aquela ligação vez atrás de vez”, sobre aprender a ser uma mãe que não tem mais um filho…

Ela desaba. Burt e Kurt a abraçam. Nós desabamos juntos.

Santana também protagoniza algumas das melhores cenas do episódio e, hoje em dia, elas se tornam ainda mais tristes com a morte de Naya Rivera em 2020. Tudo parece a sobrecarregar na sala do glee club, então ela sai antes que “sua cabeça exploda”, e quando ela encontra Cheerios retirando as velas do memorial de Finn que está no corredor há uma semana, ela invade o escritório de Sue e explode com ela – e é uma junção de tudo: é sobre como ela foi tratada durante anos, é sobre o que ela está sentindo agora, é sobre o que ela não consegue conter ou que tentou conter até então… quando ela canta “If I Die Young”, eu choro do início ao fim, e é tão cru e tão doloroso como ela não consegue terminar a canção e grita e recusa o toque de qualquer pessoa…

Então ela sai correndo, e se isola no auditório agora vazio. Santana tem outras duas cenas muito bonitas depois disso: ela tem a cena com o Kurt no próprio auditório, na qual ele é incrível e pede que ela lhe diga o que escrevera sobre o Finn, e diz que ela não é uma pessoa terrível, ou então o Finn não teria sido legal com ela como foi, e ele lhe dá de presente a jaqueta do time de futebol do Finn, que ele tinha guardado para ele; depois, Santana tem uma nova cena com Sue na qual ela diz que precisa pedir desculpas, e essa é a vez da Sua se abrir, dizendo que ela não estava errada em nada do que dissera, e ela lamenta que o Finn tenha morrido achando que ela não gostava dele, porque ele era um garoto incrível e ela nunca vai poder dizer isso agora.

Rachel chega apenas na reta final do episódio, e ela diz que precisava ver o memorial para Finn. Sua primeira cena no glee club é dilaceradora. Ela faz um discurso breve e sincero e então canta “Make You Feel My Love”, e a realidade daquela cena nos atinge em cheio. Lea Michele está tremendo durante a performance, suas lágrimas nunca foram tão sinceras e dolorosas, e o clima ali é tão triste que todos estão sofrendo – destaque para o choro da Mercedes, da Tina e do Sam, que é acolhido por Santana. Mais tarde, Rachel tem uma conversa lindíssima com o Will e é talvez a cena mais linda do episódio, na qual ela fala sobre os planos que tinha, sobre como ainda fala com Finn, sobre como ouve sua voz e sobre como teme que um dia não vá mais ouvi-la.

Por fim, ainda temos duas pessoas que estão tendo dificuldade para lidar com a morte de Finn. Primeiro, temos o Puck, que está agindo com raiva e em negação, e as coisas só começam a mudar depois de uma cena bonita que ele tem com a Beiste no vestiário, e ele canta “No Surrender” para uma cadeira vazia na sala do glee club. E o próprio Will Schuester, que Emma diz que não chorou desde a morte de Finn, porque ele está desempenhando o papel de manter-se forte para as pessoas ao seu redor, porque sente que é sua obrigação junto àqueles jovens, e nós sabemos que, em algum momento, isso explodirá… isso acontece no fim do episódio, quando descobrimos que ele ficou com a jaqueta que pertencera a Finn: quando Emma chega, ele está chorando descontroladamente.

Episódio fortíssimo. Termino destruído.

 

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