Sítio do Picapau Amarelo (2005) – Marcela denuncia João da Luz

De volta à instituição…

Desde que o Angico descobriu onde era o esconderijo do João da Luz, sabíamos que era uma questão de tempo até que a Marcela o denunciasse à instituição… e as coisas pioram quando Marcela é finalmente desmascarada e jogada para fora de casa pelo Coronel Teodorico. O Dr. Saraiva estava mesmo disposto a entregar-lhe a joia de Cléo (o que eu acho um absurdo), e só não o fez porque Emília a tirou de onde ele a escondeu antes que ele pudesse fazer alguma idiotice, então ele precisa ir até o lugar onde combinou com a Marcela ao menos para explicar-lhe que a joia não está mais com ele e que “eles dois foram passados para trás”. Revoltada, Marcela começa a se perguntar se pode ter sido o Teodorico, e é uma cena aguardadíssima, porque Zequinha levou o avô para a mata para que ele pudesse ver com os próprios olhos a Marcela tentando passá-lo para trás e fugir sozinha com a joia…

Mas acontece ainda muito mais que isso. Quando acha que perdeu a joia para o Teodorico, Marcela fala um monte de atrocidades sobre ele, o chama de “velho sebento”, de “velho gagá”, fala sobre como se casou com ele e o aturou apenas para pôr as mãos na joia e como “não aguenta mais ele”, e um monte de coisa – devo dizer, no entanto, que a cena só não foi mais perfeita porque eu detesto os dois igualmente. Foi muito bom ver a máscara de Marcela caindo, é claro, mas eu não compro qualquer tentativa de colocar o Teodorico como “vítima” dessa situação, porque ele é tão asqueroso e criminoso quanto a Marcela… a parte boa foi que a Marcela disse coisas horríveis e isso machucou ele e, quer saber? Eu adorei ver o Coronel Teodorico sofrendo por isso… até porque Marcela é vilã “oficial” e vai pagar pelos crimes, mas e todos os crimes que o Teodorico cometeu? Vão passar impunes?

Teodorico expulsa Marcela de casa, joga as suas coisas na rua e faz toda uma cena, e Dona Joaninha fica toda feliz assistindo da varanda da pensão, falando sobre como “até parece novela, em que a gente se diverte vendo a vilã pagando pelos seus pecados”. Mas é claro que a Marcela vai se vingar, e ela o faz ligando para a instituição e denunciando o João. Agora, bem quando a máquina do tempo estava consertada e tudo parecia que ia ficar bem para o João, Marcela aparece no Sítio do Picapau Amarelo com agentes da instituição que estão ali para buscar o João – e ela está cruelmente feliz com isso tudo, dizendo que “a captura do marginalzinho é o seu presente de natal”. Dona Benta fica agitada, passa mal, implora para que não levem o João, enquanto João e as crianças correm para o laboratório do Visconde, e a Marcela os segue, mas não chega a tempo de impedi-los de viajar no tempo.

João, Pedrinho e Emília viajam de volta ao passado e, dessa vez, finalmente chegam ao dia e ao lugar certo: o dia em que a Cuca lançou a maldição sobre o João. Revemos o começo da cena exatamente como ela aconteceu, mas então Emília e Pedrinho interrompem a Cuca com uma água de colônia que a Emília joga sobre ela e umas bodocadas do Pedrinho. Mesmo assim, determinada, a jacaroa continua lançando a maldição e, no fim das contas, o João consegue escapar e quem é atingido é o Pesadelo, que vira o mais novo lobisomem do Capoeirão. Então, o João está livre e as crianças podem voltar para o presente, sem que o “Sítio do Picapau Amarelo” se preocupe com as possíveis mudanças na linha temporal sem que o João estivesse amaldiçoado – a verdade é que muita coisa seria diferente nos últimos 90 capítulos, mas eles ignoram as reverberações da viagem no tempo.

Quando retornam, a Marcela já invadiu o laboratório e está estrangulando o Visconde para que ele diga onde o João da Luz está, e depois ela surta ao ver a Cléo usando a joia no pescoço, diz que é dela, as duas brigam, Cléo chega a dizer que a joia podia ter sido dela se ela não tivesse denunciado o João… o laboratório do Visconde é o cenário de uma briga generalizada quando os viajantes do tempo retornam, e embora Marcela eventualmente leve um choque da máquina do tempo e desmaie, os agentes que ela trouxera invadem o laboratório e conseguem capturar o João da Luz, em uma cena revoltante, porque eles pegam o João com violência desnecessária e absurda, que merecia, talvez, denúncia. Então, o João da Luz terá mesmo que retornar à instituição, mas, pelo menos, agora ele não é mais um lobisomem e não colocará ninguém em perigo.

Dona Benta o abraça, diz que isso vai ser por pouco tempo porque ela vai conseguir a sua guarda e ele vai ficar morando ali como seu neto, e ele responde com um lindo: “Obrigado, vovó”. Pedrinho, choroso, se despede com um “Até a volta, João!”, e João responde com “Até a volta, meu irmãozinho”. A cena é linda e profundamente triste, e eu chorei com todos eles… Cléo está arrasada, mas o João está quase tranquilo, garantindo para ela que não vai demorar para voltar e que, quando voltar, será definitivo e nada poderá separá-los. Cléo diz que ele nem foi ainda e ela já está com saudades dele, e ele diz que também já está com saudades – nesse momento, no entanto, ele precisa ir. Os dois se despedem e João retorna para a instituição, esperando que a Dona Benta finalmente consiga tirá-lo de lá e, então, ele poderá ficar morando no Sítio do Picapau Amarelo…

 

Para mais postagens sobre o Sítio do Picapau Amarelo, clique aqui.

Ou visite nossa página: Cantinho de Luz

 

Comentários

  1. Eu sei que você odeia o Teodorico com todas as forças, mas, nesse caso, eu devo defendê-lo. Todas as vezes em que ele passou pano para as atrocidades da Marcela foram porque ele estava enfeitiçado pelo perfume mágico da Dona Carochinha. Ele não estava agindo por livre arbítrio.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tudo bem, vou dar o benefício da dúvida nesse caso haha Mas ele me irrita há muuuito tempo, desde 2004 no mínimo, então não é só o perfume da Marcela, embora seja nesse caso kkkkk

      Excluir
    2. Por exemplo: Eu não acho que ele deixaria a Marcela queimar as coisas do Zequinha e mandar ele pro colégio interno, se não fosse o perfume. Ele nem se casaria com a Marcela, pra início de conversa. Esse é o ponto da existência do perfume na narrativa.

      Excluir
    3. O perfume é uma estratégia para amenizar a culpa do personagem, mas eu não coloco toda essa fé no Teodorico, não... do jeito que ele sempre foi burro e de se apaixonar e se deixar enganar, eu acho que ele se casaria com a Marcela de qualquer jeito se ela desse bola pra ele, mas enfim.

      Excluir
    4. Cara, você me abriu os olhos! A existência desse perfume no roteiro foi só uma passada de pano pro Teodorico não precisar ser derrotado no final, como a Marcela. Ele sempre foi assim. É só lembrar de "Bruxa Mãe... Bruxa Filha", "Rapunzel do Sertão", "O Rodeio"...

      Sinceramente, o roteiro poderia tratá-lo abertamente como vilão, sem precisar se livrar dele. Cuca, Pesadelo e Dona Carochinha estão aí pra mostrar isso. São oficialmente vilões, mas nunca definitivamente derrotados. Com o Teodorico poderia ser a mesma coisa.

      Excluir
    5. Concordo com você! Mas acho que ele nunca foi oficialmente "convertido em vilão" (reconhecido como tal) porque ele não foi originalmente concebido assim... se a gente avalia o Coronel Teodorico da primeira temporada, 2001/2002, por exemplo, ele era mais rabugentinho, metido e implicante, mas não exatamente "vilanesco", e isso foi se tornando tão grande no personagem que sim, em 2003, 2004 e 2005 ele acaba sendo quase um vilão, mesmo que nunca reconhecido como tal.

      Excluir
    6. Começou em "O Menino Bruxo", em que ele se recusava a acreditar que o Conde X-Parmesão era um feiticeiro, mesmo depois de ter ficado preso no livro. Daí em diante ele ficou insuportável.

      Excluir
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  3. Eu gostaria que nós tivéssemos tido mais cenas do Pesadelo de lobisomem.

    ResponderExcluir

Postar um comentário