Malhação 2008

“Eu sou quem te faz tão bem!”

Tenho ressalvas significativas em várias partes do roteiro, mas, ainda assim, “Malhação 2008” é uma das minhas temporadas favoritas de “Malhação” – e também uma das últimas que eu assisti na época de sua exibição na TV. A temporada 2008 vem com a missão de salvar o programa depois de uma temporada fraquíssima que, inclusive, é encerrada antes da hora… assim, “Malhação 2008” estreia, na verdade, em 15 de outubro de 2007, alguns meses antes do previsto, mas termina apenas no que era a época normal de troca de temporadas: em janeiro de 2009. Isso quer dizer que a temporada protagonizada por Sophie Charlotte e Rafael Almeida fica mais de um ano no ar, totalizando 324 capítulos e sendo a temporada MAIS LONGA da história de “Malhação” – o que, se você me perguntar, não joga a seu favor. Em algum momento, fica cansativo.

Isso porque a temporada segue os moldes de “Malhação” que foram usados por muitos anos, até que o formato começasse a ser lentamente modificado e ganhássemos outras temporadas incríveis como “Viva a Diferença”. O que eu quero dizer é que temos o casal protagonista apaixonado, mas que passa a novela praticamente inteira sem poder estar junto, por uma série de mentiras, armações, desentendimentos e, no caso de “Malhação 2008”, acordos e promessas descabidos. Essa é a penúltima temporada ambientada no Múltipla Escolha que, dessa vez, se torna o “Múltipla Escolha Ernesto Ribeiro”, depois de uma fusão para salvar a escola… assim, o colégio ganha uma dupla de diretores, Adriano e Beatrice, e uma série de donos, dos quais apenas o Félix aparece de fato na temporada… mas continua sendo basicamente a mesma escola que já conhecemos.

A temporada começa, como é de costume, no período de férias, e é aí que conhecemos Angelina, uma garota humilde que está trabalhando em um hotel de uns ricaços que ela ainda não sabe que serão seus colegas de escola… lá, ela conhece a enjoada da Débora, que se acha no direito de humilhar todo mundo só porque ela tem dinheiro, o mala do Andreas, que tenta agarrá-la à força e, é claro, o futuro amor de sua vida: Gustavo Bergantin, o Guga. Gosto muito da química que Guga e Angelina compartilham, eles formam um casal fofo pelo qual dá gosto torcer, pelo menos durante um bom tempo… em algum momento, para que eles se mantenham separados por mais tempo, ambos tomarão decisões bem questionáveis, o que deve ser normal entre adolescentes… sei lá, para dizer bem a verdade, eu já nem me lembro mais de como eu agia nessa época!

Uma coisa que me incomoda profundamente em “Malhação 2008”, e alguns acharão que eu estou sendo muito chato ao reclamar disso, é a maneira como o tempo não faz sentido – sério, quanto tempo dura esse ano letivo? A novela começa em outubro de 2007 e, na segunda semana da trama, vemos o começo do ano letivo, que só vai terminar lá em janeiro de 2009. Até aí, está quase que tudo bem, mas é difícil demais de acreditar que tudo isso aconteceu ao longo de apenas um ano, especialmente quando eles colocam datas nos acontecimentos. Como exemplo, peguemos um dos casamentos de Beatrice e a gravidez de Angelina: o casamento de Beatrice acontece no fim de abril (a data é DITA durante a novela) e Angelina engravida no início de maio; pouco depois das férias de meio de ano, no entanto, Angelina DÁ À LUZ AO SEU BEBÊ. É sério, quantos meses ela ficou grávida? 3?

Ah, isso me incomoda bastante, não vou negar…

A temporada tem várias características de “novelão”, como a garota pobre que se apaixona pelo garoto rico, mas eles são “de mundos diferentes”, ou a descoberta de que ela, na verdade, é filha de um homem rico e irmã da garota que ela mais detesta na escola… o conceito da temporada é claro e a trama é bem construída, de modo geral, apresentando os personagens, uma série de revelações no meio da história, que geram uma nova fase que começa com a Angelina “revoltada” e uma gravidez na adolescência… depois, a temporada pode adentrar em discussões a respeito do assunto e dramas como a briga pela guarda do bebê, que é o que guia a temporada até a sua conclusão, afinal. Nesse tempo todo, bastante sofrimento para os protagonistas – não espere ver o Guga ou a Angelina felizes por muito tempo… se eles estiverem, não vai durar.

Interessante notar que Nathalia Dill faz um excelente trabalho como Débora Rios, a principal vilã da temporada, mas Cleiton Morais, que começa a temporada com a promessa de ser um grande vilão, acaba ficando apagado como Andreas – gosto da sua atuação, mas o personagem mesmo é diminuído, especialmente com a chegada de Bruno, interpretado pelo Caio Castro. Bruno se torna um anti-herói que movimenta todo o restante da temporada, já que ele vira uma espécie de “interesse romântico” de Angelina que, eventualmente, se torna mais um vilão do que qualquer outra coisa… e com o Bruno que Angelina fica quando o Gustavo faz um sacrifício para salvar a sua vida, é dele que ela engravida e, então, a vida parece afastar Guga e Angelina cada vez mais um do outro… até que, em algum momento, começamos a pensar que não tem mais como eles serem felizes juntos.

Como eu comentei lá no início do texto, a temporada estreou meses antes do previsto porque a temporada de 2007, protagonizada por Thaila Ayala e Rômulo Neto não estava dando certo e precisou ser encurtada… a audiência era péssima e mesmo eu, que não era tão crítico na época, já não suportava mais. Assim, 2008 é uma renovação para “Malhação”, com quase todo o elenco reformulado, por exemplo – entre os jovens, apenas o Bodão já era um personagem de “Malhação”, todos os outros são estreias. A ruptura é grande com os anos anteriores, mas isso acaba se mostrando uma escolha acertada, porque a temporada dá certo, consegue se manter por 15 meses no ar, dando lugar a uma nova temporada, que começa em janeiro de 2009, e, dessa vez, mantém uma grande parcela dos personagens, como a Domingas, o Fernandinho, a Yasmin, o Peralta, o Caju…

Acho que Sophie Charlotte e Rafael Almeida são muito carismáticos e têm uma química ótima, e isso faz toda a diferença para o sucesso da temporada!

Gosto muito de vários personagens da temporada, mas às vezes eles são contraditórios. Domingas, por exemplo, é para ser a melhor amiga de Angelina, e muitas vezes atua como tal, mas também tem momentos em que ela tem umas atitudes escrotas que não se espera de uma “amiga”. Yasmin, também, é quase tão mau-caráter quanto a Débora, em alguns momentos até mais do que a Débora, mas o seu personagem é construído em cima de uma veia cômica que Mariana Rios sabe explorar muito bem com seu carisma e, então, a personagem acaba caindo nas graças do público e sendo uma das favoritas. Enfim, são 324 capítulos e um montão de textos (!) que vocês acompanharão até janeiro de 2024, então se preparem para ler várias críticas, porque eu não sou obrigado a simplesmente gostar de tudo só porque eu gosto da temporada: tem um monte de coisa ali que tem que ser criticada mesmo!

Saldo geral: EU GOSTO BASTANTE DESSA TEMPORADA. É longa, sim, pode ser cansativa, e tem umas forçações de barra lá na reta final que são típicas de “Malhação” e a gente precisa aprender e relevar se quiser mesmo assistir a uma temporada dessas mais antigas… no fim, a experiência é bacana e eu me vi novamente rindo de várias situações, me emocionando com vários personagens e, é claro, passando bastante raiva das armações e mentiras de Débora e Bruno. Mas a temporada tem o que precisa para nos encantar, que é o carisma dos personagens, a boa química entre seus protagonistas, e histórias secundárias rápidas e divertidas de se acompanhar, com destaque para as protagonizadas por Caju, um dos personagens mais queridos da temporada. Agora, “Malhação 2008” está completando seus 15 ANOS, e é uma boa hora de relembrá-la!

Vocês estão convidados!

 

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