Vida (Life, 2017)


WE WERE BETTER OFF ALONE.
Confesso que eu não estava verdadeiramente preparado para o filme que veria – embora tenha visto o trailer, e tenha me interessado muito tanto pela história quanto pelo elenco principal, Vida foi muito mais apavorante do que eu esperava. Não é a delícia (e desesperadora) aventura espacial de Sandra Bullock em Gravidade, ou a inteligente jornada de Matthew McConaughey em Interestelar, porque embora beba de fontes semelhantes (o espaço), o gênero ainda é outro. Temos um brilhante suspense (quase terror) espacial que me deixou apreensivo e fez com que eu me encolhesse na cadeira. Vida traz a história de uma equipe de astronautas que encontrou, finalmente (ou não), vida em Marte, através de uma pequena amostra que conseguem resgatar, e uma célula que começa a crescer rápida e assustadoramente. Desde o começo, o filme é envolto em um pouco de suspense, mas quando Calvin (como a vida alienígena é batizada) ataca a mão de Hugh Derry e nós percebemos do que ele é capaz, dali em diante eu já não pude mais respirar tranquilamente.
Protagonizado por Jake Gyllenhaal, como o Dr. David Jordan, Rebecca Ferguson como a Dra. Miranda North e Ryan Reynolds como Rory Adams, Vida é um interessante filme que questiona uma das vontades mais ambiciosas e perigosas da humanidade: DESCOBRIR VIDA FORA DA TERRA. Acontece que não sabemos com o que estamos lidando, nem se estamos preparados para fazê-lo… assim, quando a Estação Espacial Internacional começa a estudar uma célula marciana viva (Calvin), e ela começa a crescer rápido demais e apresentar sinais de inteligência em todo seu ser, tudo começa a ficar complicado. Assim, Calvin se une a outros interessantes alienígenas malvados e cruéis do cinema e da ficção científica, com um visual amedrontador, com tentáculos meio translúcidos, e uma boca que se assemelha um pouco a Stranger Things.
E que cresce sem parar.
Toda a construção do filme é inteligente. Gostamos dos personagens, gostamos da química que eles têm, e de como aquele é um trabalho interessante para eles – e como a Terra reage, na Times Square por exemplo. É quase reconfortante. A partir do momento em que Calvin ataca pela primeira vez, o caos se instala. Hugh tem a sua mão totalmente quebrada pela vida alienígena, mas sobrevive, enquanto Rory é formalmente capturado quando, depois de usar a ponta da haste para rasgar a luva e fugir da caixa que o prendia, Calvin o segura pela perna… é a primeira morte do filme, e é completamente ANGUSTIANTE. Bastante gráfica (muito sangue para todo lado), o filme cria bem o clima de horror, com aqueles movimentos rápidos e assustadores, e uma trilha sonora impactante. Dali em diante, você sabia que só podia haver MORTES.
O título é curiosamente irônico.
Hugh diz que Calvin não “os odeia”, mas ele precisa matá-los para que possa sobreviver. Então ele ataca um a um, se alimentando deles, enquanto eles tentam mantê-lo para fora, ou preso em um só lugar sem oxigênio onde possa sufocar até a morte, mas ele é resistente e, infelizmente, INTELIGENTE. Além de todo, orbitando a Terra, a equipe precisa se certificar de que a Estação não vai cair de volta na atmosfera, porque mesmo que eles morram na reentrada, Calvin pode sobreviver… assim, quando tudo parece perdido, apenas David e Miranda sobrevivendo, ele arma um plano no qual se sacrifica para levar Calvin para longe da Terra, enquanto Miranda volta para casa em segurança… são cenas finais desesperadoras, com muita ação e repletas de angústia… e se você conhece esse tipo de filme, você já sabe mais ou menos o que esperar quando UMA cápsula cai de volta na Terra.
E não é a cápsula que todo mundo estava esperando.
Final apavorante, e brutalmente MARAVILHOSO. Cruel, mas inteligente! Porque em algum momento eu me perguntei o que aconteceria – não via como eles podiam ser mais espertos que Calvin, não depois de tudo, mas achei que talvez eles conseguissem mantê-lo no espaço. Mas a luta de Calvin e David dentro da cápsula foi intensa, e resultou no que resultou. Aquela cápsula caindo no meio do oceano NÃO PODIA ser um final feliz e bonitinho, porque não é esse tipo de filme… assim, ver os pescadores se aproximando da cápsula, enquanto prendemos a respiração porque não queremos acreditar no que sabemos que está lá dentro, foi perturbador. E a visão do lado de dentro foi igualmente assustadora. O final do filme é uma vista aérea do oceano, mais dois barcos se aproximando e a escotilha da cápsula sendo aberta…
Vida acaba em morte.
Morte total.

Para outras reviews de FILMES, clique aqui.


Comentários