Um Amigo de Dorothy (A Friend of Dorothy, 2025)
“So… you’re
a friend of Dorothy?”
Escrito e
dirigido por Lee Knight e protagonizado por Alistair Nwachukwu e Miriam
Margolyes, “Um Amigo de Dorothy” é
um curta-metragem emocionante sobre duas pessoas que se encontram por acaso e
que se enxergam de verdade como
ninguém mais em suas vidas parece enxergar. O curta foi exibido no Festival de
Cinema de Raindance em junho de 2025 e ganhou alguns prêmios em outros
festivais no segundo semestre do ano passado – os Festivais de Cinema de
Odense, New Renaissance e HollyShorts –, além de uma indicação como Melhor
Curta-Metragem em Live-Action no Oscar 2026.
A história
de “Um Amigo de Dorothy” começa na
leitura do testamento de Dorothy Woodley, que conta com a presença de um jovem
chamado JJ depois de uma alteração feita por ela mais ou menos um mês antes… os
dois se conheceram quando um chute péssimo de JJ fez com que a sua bola de
futebol caísse no quintal da casa de Dorothy e ele precisasse apertar a
campainha de sua casa. JJ não imaginava que encontraria ali uma amiga que de fato o enxergaria sem
que ele precisasse dizer nada; e Dorothy secretamente ansiava por uma
companhia. A relação sincera que eles constroem é lindíssima de se acompanhar!
Gosto de
como tudo é delicado, singelo e bonito. Gosto de como Dorothy fala sem parar
enquanto prepara um chá ou procura a chave para o jardim, e como JJ tem um
momento muito íntimo começando a se
sentir em casa na casa de Dorothy porque as coisas ali parecem conversar com ele: os quadros expostos
na parede, que de fato são lindíssimos, e a coleção de peças de Dorothy,
inclusive “Bent”, de Martin Sherman…
é naquela peça “secreta” e na emoção e verdade na leitura de um trecho de “The Inheritance”, de Matthew López, que
o reconhecimento acontece.
Talvez JJ
nunca tenha contado a ninguém que era gay, assim como nunca teve coragem de
admitir, talvez nem mesmo para si mesmo, que ser ator era mais do que um
“hobby” para ele. E Dorothy o enxerga, o conhece melhor do que ninguém. É
absurdamente emocionante todo aquele
diálogo de Dorothy e de JJ depois da visita de Scott, o neto dela, quando
Dorothy fala sobre envelhecimento, sobre o seu corpo não responder mais à sua
mente, e sobre como JJ foi a primeira pessoa em muito tempo que a enxergou de
verdade. A diferença que ambos fazem um
na vida do outro…
Gosto das
referências do curta, gosto do uso de elementos. O termo “Amigo de Dorothy” foi
muito utilizado na década de 1980, especialmente nos Estados Unidos, para
reconhecimento entre homens gays, e por si só o fato de JJ ser gay e,
literalmente, um amigo de Dorothy é
algo belíssimo! Gosto, também, da utilização de peças como “Bent”, que é o primeiro interesse de JJ e a peça que ele leva
emprestada no primeiro dia, e “The
Inheritance”, cuja leitura de uma passagem rende uma das cenas mais
emocionantes do curta, bem como a “surpresa” da conclusão…
“Um Amigo de Dorothy” é um conto sobre
identidade, sobre reconhecimento, sobre pertencimento e sobre envelhecimento. É belo, breve,
emocionante e rico. Gosto demais da conclusão do curta, do que foi deixado como
herança para JJ: não foi uma propriedade, tampouco dinheiro, mas foi uma
maneira de seguir fazendo, postumamente, o que Dorothy vinha fazendo dia a dia,
que era incentivar JJ a seguir seu sonho e a ser ele mesmo… uma coleção de
peças montada e cuidada por mais de 50 anos e a oportunidade de tornar seu
sonho mais do que um hobby.
Lindíssimo!
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