Além do Tempo – A Condessa Castellini reencontra Bernardo

Caçado como um animal.

Bernardo se lembra muito pouco de seu passado… e, no que depender de Emília Diffiori, ele seguirá para sempre sem saber que é um Castellini e sem nunca reencontrar a Condessa Vitória. A mente confusa de Bernardo, no entanto, acaba o levando para lugares como o próprio casarão, onde ele aparece de surpresa em uma noite na qual Vitória resolveu se sentar à mesa novamente para jantar depois de algum tempo fazendo suas refeições no quarto para guardar repouso, e causa o maior susto em Zilda, que desmaia ao vê-lo. Naquela visita, Bernardo conversa brevemente com Valmir e com o Conde Felipe, e quando Zilda conta o que acreditara ver da janela que a assustou tanto, a Condessa Vitória coloca o Afonso para tentar descobrir quem é esse misterioso homem

Enquanto espera pelo reencontro com o seu filho, a Condessa se sente cada vez mais próxima de Lívia, sem entender ela mesma por que sente um carinho tão grande por aquela garota, e então ela toma uma decisão inesperada quando diz a Lívia que quer contar algo para ela… e ela conta para Lívia a história de seu filho Bernardo Castellini, e como ele ainda está vivo. No fundo, Lívia queria escapar daquela situação complicada, mas Vitória quer falar sobre isso, quer tirar esse peso da costa, quer que Lívia saiba… então, ela conta que mentiu sobre a morte dele e o internou em um hospício porque não queria que as pessoas o vissem assim, e quando Vitória fala sobre a “desclassificada que o roubou dela”, ela se altera e podemos ver de volta a Condessa do início de “Além do Tempo”.

É o seu ódio por Emília Diffiori que a define e a marca tão intensamente. É angustiante e é nojenta a maneira como ela celebra a suposta morte de Emília e fala sobre o prazer que sentiu ao pisar e cuspir no túmulo daquela “maldita”, e isso tudo mexe com Lívia – mas não tanto quanto a informação do que Vitória pretende fazer ao reencontrar o filho: interná-lo novamente. A cena é forte demais para Lívia, que acaba saindo correndo com lágrimas nos olhos, e agora ela está decidida a proteger a sua mãe e o seu pai da Condessa: ela não pode deixar que Vitória os encontre! Enquanto isso, Bento é chamado de volta para procurar por Bernardo, e ele contrata Pedro para ajudá-lo em sua caça, mas Pedro garante para Lívia que planeja enganar o Bento e provar para ela que não é um traidor.

A aparição surpresa de Pedro no casarão faz com que o Conde Felipe retorne à sua face mais duvidosa também. Ao vê-lo na porta do quarto de Lívia, ele tira suas conclusões e retorna às acusações frias, tentando mantê-la longe dele e falando sobre “ter se decepcionado”, sobre como entregar seus sentimentos a ela é algo que “nunca mais vai acontecer” e sobre como “vai se casar em poucos dias e é uma pena que a condessa queira que Lívia continue ali até lá”. Lívia não gosta de ouvir as acusações feitas por Felipe, mas, antes de sair, ela exige que ele não duvide do amor que ela sente, mas não fica para que ele possa reagir… até porque ela tem outras coisas com que se preocupar – precisa avisar à mãe sobre a nova caçada de Bento, por exemplo, para que ela esteja em segurança.

Emília e Bernardo estão escondidos no convento, mas o fato de eles não serem casados na igreja faz com que a “ajuda” dada a eles seja apenas de fachada, com uma série de julgamentos, e é a Irmã Lúcia quem acaba fazendo com que Bernardo seja descoberto… quando Emília o deixa sozinho por alguns minutos para buscar um casaco, a Irmã Lúcia o coloca para correr, e ele “desaparece”. Ele acaba no túmulo falso que levantaram para ele, e as coisas começam a voltar à sua mente quando ele vê a sua foto mais jovem: memórias sobre brigas que tivera com a mãe por causa do seu amor por Allegra, por exemplo. É ali, naquele túmulo, que ele pergunta a “Bernardo Castellini” quem ele é e se dá conta de que é ele. E é naquela região que ele é descoberto por Bento…

É desesperador assistir ao Bento ordenando que Bernardo seja amarrado e amordaçado. Ele o chama de “bicho” e de “caça”, como se realmente não visse Bernardo como um ser humano – porque não vê –, e então ele o esconde em lugar seguro para poder ir buscar a Condessa Vitória, o que nos entrega OUTRA CENA FORTÍSSIMA. Emocionada, a Condessa Vitória reconhece Bernardo Castellini, mas essa é uma das cenas mais intensas e mais complexas de “Além do Tempo”, porque há um quê de beleza que acaba sendo ofuscado pelo ódio que a Condessa dispensa a Emília, e que ela faz questão de deixar claro mais uma vez, quando pergunta a Bernardo quem cuidou dele, porque ele está usando roupas limpas, e ele responde que “foi a Allegra”.

Ouvir o nome de “Allegra” desperta em Vitória sentimentos péssimos, e ela parece transfigurada em uma figura furiosa e selvagem, mais raivosa a cada vez que Bernardo repete o nome da mulher que ama e diz que eles são felizes e ele quer se casar com ela… a memória de Allegra é muito clara, a de Vitória Castellini não necessariamente – depois de ficar transtornado, Bernardo volta a perguntar à mãe quem é ela, e então a reconhece como a “mulher que habita seus pesadelos”, e ele pergunta por que ela o odeia. Ele se agita, percebe que está amarrado e a Condessa grita com o filho e segura a sua boca mandando que ele se cale a cada vez que o nome de Allegra é mencionado… é a Condessa quem lhe faz mal… e essa Condessa é a Condessa do início de “Além do Tempo”.

Aqui, nos lembramos do quanto a detestamos.

Seu ódio não é coisa que se resolva em uma vida mesmo…

 

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