Primeiro Capítulo da 2ª Fase de “Além do Tempo” (22 de outubro de 2015)
A próxima vida.
UM CAPÍTULO
E UM RECOMEÇO PERFEITOS! O conceito de “Além
do Tempo” é o que me fascina. Eu acho que a novela é incrível na primeira
fase e tenho certeza de que ela será incrível na segunda, e qualquer uma delas
daria, por si só, uma novela esplêndida – mas é na união entre elas que reside
a riqueza de “Além do Tempo”. A possibilidade
de encontrar os “mesmos” personagens em novas roupagens, com novas relações e
motivações, engrandece a experiência porque, ao mesmo tempo que sentimos que
conhecemos essas pessoas por causa dos 87
capítulos anteriores, eles também são novas pessoas… influenciados pela
vida anterior e por seus erros e acertos, mas com a chance de serem outras
pessoas, às vezes repetindo erros…
Às vezes
não.
A magia
desse Capítulo 88, que eu chamo de “Primeiro
Capítulo da 2ª Fase”, é ir entendendo a nova organização desses personagens e reconhecer as ironias… tem toda a
cara de um primeiro capítulo, mas é muito
mais rico do que um primeiro capítulo convencional, e eu passei os 40
minutos inteiros vidrado e empolgado. Uso a Severa como exemplo para expressar
o brilhantismo de “Além do Tempo”: a
preceptora do filho do protagonista, que ajudou a encontrar o diário da esposa
falecida e a desmascarar a vilã, agora retorna como irmã do protagonista e, consequentemente, tia do garoto de quem ela
cuidava na vida anterior, e cunhada da vilã que desmascarara… e como essas
novas relações desenham a dinâmica desses personagens na vida seguinte, 150
anos depois?
O capítulo
nos leva de volta para o momento em que Lívia e Felipe – ainda Lívia Diffiori
e/ou Castellini e Conde Felipe – caem na água e, abraçados, morrem afogados
enquanto, em áudio, recordamos uma conversa deles sobre Deus… a transição da
turbulência na água para o movimento dos trens em uma plataforma de metrô nos
apresenta a Lívia Beraldini, uma mulher ocupada e atrasada para uma reunião,
falando ao telefone, e a Felipe Santarém, que é impedido de entrar no mesmo
trem que Lívia por ninguém menos que Ariel. Em conversa com Cícero, Ariel fala
sobre como “o amor não vale a pena” e pergunta se “ele não lembra o que aconteceu
com eles na vida passada”, mas a ironia é que a interferência de Ariel fez com
que Lívia e Felipe se vissem além da
correria do dia-a-dia…
Tem o olhar,
o impacto, até um sorriso tímido e pescoços que se movem para se verem…
O primeiro impacto está ali.
Lívia
Beraldini chega atrasada para uma reunião onde estão Emília, sua mãe e poderosa
dona de uma empresa chamada Casa Beraldini, responsável por importações de
vinho, além de Pedro, seu noivo, e Anita, sua amiga e colega de trabalho. A
relação de Lívia e Emília parece menos
amistosa que no passado, com algumas farpas descaradamente trocadas na mesa
de reunião, e elas não concordam sobre alguns detalhes dos negócios. Lívia,
grande entendedora de vinhos, se apaixona pelo vinho servido em um restaurante
do Rio de Janeiro, por exemplo, e que ela se surpreende ao descobrir que foi
feito no sul do país, em uma cidade chamada Belarrosa, na Vinícola Campobello,
e tenta convencer a mãe a investir no Brasil, em alguma vinícola da região.
Parece
impensável, até Emília se deparar com o nome “Vitória Ventura”.
“Será que é ela, meu Deus?”
Enquanto Lívia
retornou em uma família mais abastada, Felipe leva uma vida simples no sul do
país, embora confortável, já que é dono de uma pequena vinícola. Ele está no
Rio de Janeiro a negócios, tentando vender o seu vinho – claro, o vinho da
Vinícola Campobello que chama a atenção de Lívia –, enquanto sua esposa,
Melissa, e seu filho, Alex, ficaram em Belarrosa. Encontramos Melissa
trabalhando no tear da “Tramas e Linhas”, e é aqui também que reencontramos
Severa, a dona da empresa, irmã de Felipe e alguém por quem Melissa não tem o menor apreço. Gosto de ver
essa alternância na dinâmica, de ver a Melissa sendo funcionária de Severa, e ter a Severa como irmã de Felipe e tia de
Alex foi algo de que eu gostei bastante.
Falando em
“alternância na dinâmica”, foi um prazer conhecer Vitória Ventura e Zilda
Santarém… em uma cena sentadas à mesa, as duas se bicam e se provocam e a
maneira como Vitória fala com Zilda é muito similar a como falava na primeira
fase da novela, mas é mais pose do
que qualquer outra coisa. Falida e devendo dinheiro para seus antigos
funcionários, Vitória precisará de um lugar para morar assim que sua casa na
Vinícola Ventura for vendida, e quem oferece uma casa a ela é sua cunhada
Zilda, porque, afinal de contas, elas “são família”. Imagine só a Vitória vivendo de favor na casa de Zilda?! Os novos
ares e as novas relações e circunstâncias mudam o ritmo das interações entre os
personagens e, como eu disse, é essa a maior riqueza de “Além do Tempo”.
Esse
“primeiro capítulo” também nos traz um pouquinho de outros personagens, cujas
novas tramas ainda precisaremos explorar com o tempo… Bento, aparentemente, é
“o carma de Dorotéia”, e ela o encontra bêbado do lado de fora da casa bastante simples na qual ela mora, e me
pergunto se ele pode ser o pai de Melissa; na livraria que Felipe visita no Rio
de Janeiro, por sua vez, encontramos Bernardo Boldrin, que é um escritor, e
Raul Fontana, que é fotógrafo, e eles trabalham juntos e acabaram de lançar um
livro sobre vinhos no Brasil. Gema,
por sua vez, vive um casamento infeliz com Queiroz e trabalha exaustivamente no
negócio da família, onde Ritinha é sua funcionária. Destaque ainda: a “Estrela”
foi substituída por uma moto para o
Felipe!
Apesar da
aparente conexão instantânea de
Felipe e Lívia no Rio de Janeiro, a sua relação familiar com Melissa e Alex
parece muito boa… diferente de como
começamos a primeira fase, Felipe parece um pai mais presente e mais querido
com Alex, foi bom ver a relação dos dois, e gosto muito de como o diálogo
apresenta outro elemento interessante dessa nova fase quando Alex diz que
“estava com a avó” e Felipe pergunta se ele está falando da Vó Dorotéia ou da
Vó Zilda. O FELIPE SER FILHO DA ZILDA É MUITO BOM! Agora, ele é irmão do
Afonso, e me pergunto se a Zilda vai seguir não gostando de Lívia… existe a
possibilidade. E Afonso e Severa irmãos? Gosto! Melissa também parece uma boa
mãe para Alex, a primeira cena dos três é quase estranha…
Eles parecem
tanto uma “família feliz”.
Por fim,
Lívia e Anita viajam para o Sul, para conhecer as vinícolas da região, e eu
adorei elas terem A RITINHA COMO GUIA. Destaque para aquele diálogo todo no
qual a Lívia fala sobre “desejar pisar nas uvas como se fazia antigamente” ou
qualquer coisa assim, com a Rita dizendo que existe isso para os turistas e a
convidando, o que nos remete à festa para a qual Rita convenceu Lívia a ir
quando elas fugiram do convento na primeira fase, e a Lívia pisou em uvas e se
sentiu mais feliz do que jamais tinha se sentido na vida… então, o capítulo
termina no momento em que Lívia encontra Melissa – e assim como houve algum
“reconhecimento” entre ela e Felipe no metrô, também há aqui através daquele
balcão… e sentimos que a novela recomeçou.
Que capítulo
delicioso!
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