Jovem Sherlock (Young Sherlock) 1x07 – O Caso das Duas Esquinas
“It’s not
her. Trust me. It’s not
Beatrice!”
É
maravilhoso como esse “primeiro” caso de Sherlock Holmes acaba não sendo sobre
roubo de pergaminhos, tampouco apenas sobre quatro professores de Oxford que
estão sendo caçados e assassinados, mas um caso muito mais amplo que envolve seu próprio pai e a mentira da morte
da irmã há muitos anos, uma culpa com a qual Sherlock cresceu. “O Caso das Duas Esquinas” é o sétimo e
penúltimo episódio da primeira temporada de “Jovem
Sherlock”, e é um episódio com algumas explicações, deliciosas surpresas, a
união de forças nem tão improváveis assim e uma viagem à Constantinopla – e um
evento importante para James Moriarty, que ajuda na “transição” da figura que
conhecemos agora para a de Sir Arthur Conan Doyle.
A falsa
princesa Shou’an finalmente revela seu nome: Xiao Wei. Depois de ter atirado em
Sherlock nos túneis e de ele estar se recuperando de uma cirurgia apressada que
Cordelia conseguiu para ele com suborno no único “hospital” funcional de Paris
no meio de uma revolução, Xiao Wei compartilha sua história sobre o minério
encontrado em sua aldeia, sobre o plano de Hodge, a traição de Malik e a venda
da arma a um comprador privado, que é Silas Holmes – O APÓSTOLO 5. Com o
objetivo em comum de encontrar Silas Holmes, Xiao Wei acaba se unindo aos
demais, com o acordo de que primeiro eles usarão Silas para encontrar Beatrice
Holmes… depois disso, ela pode fazer com Silas o que bem entender, eles não se
importam mais.
Nessa toada,
é interessante mencionar a cena que James Moriarty compartilha com Xiao Wei, na
qual ele atira sem pensar em um homem que aparece no beco em que eles estão
conversando, e que teria matado qualquer um deles… aquilo choca Moriarty, mas
não da maneira mais convencional. É a
primeira vez que ele tira uma vida, e talvez o mais surpreendente para ele não
seja o fato de ele ter matado alguém…
mas o fato de que talvez ele tenha
gostado de fazer isso. Acho interessante e inteligente a maneira como “Jovem Sherlock” desenvolve o
personagem, e como essa cena e as conclusões a que ele mesmo chega durante esse
episódio se unem ao evidente fascínio
dele com o discurso de Silas no episódio anterior.
Gosto demais
de assistir à maneira como as várias mentes inteligentes dessa boa galeria de
personagens trabalham juntas, e de como uma sucessão de pistas os levam até um
bar no qual Napoleão Bonaparte supostamente deixou o seu chapéu, e eles têm um
plano para atrair Silas Holmes – ou para extrair informações de Esad Kasgarli
sobre o seu paradeiro. É um bom grupo destemido que se coloca em situações de
perigo, e o plano não funciona à perfeição uma vez que Silas não está ali, e então a tensão se instala. Ainda assim, o
improviso funciona bem, e eu gosto de como Moriarty consegue a informação a
partir de um suborno/ameaça ao homem que enviou um telegrama ao pai de Sherlock…
e, agora, eles sabem que eles precisam partir para Constantinopla.
“Jovem Sherlock” tem uma ambientação
excelente, e eu adoro a maneira como a série explora diferentes cenários, e não
demora muito para que eles localizem Silas Holmes, com a ajuda de crianças
“invisíveis” que andam pelas ruas da cidade – mas um telégrafo que trabalha para os dois lados, então Silas
também sabe que eles estão ali e estão procurando por ele. Assim, ele marca um
encontro com Sherlock sozinho, e por mais que pareça arriscado, ele sabe que
ele precisa seguir o jogo do pai se ele quiser encontrar a irmã… toda a
conversa de Sherlock e Silas é TENSA, e Silas diz que está disposto a entregar
Beatrice de volta para eles, desde que eles lhe entreguem a falsa Princesa
Shou’an/Xiao Wei, e isso rende uma sequência em que todos estão blefando…
Ou não.
A frieza de
Moriarty é em parte atuação e em parte prazer, mas o grupo é inteligente o
suficiente para saber que não se pode simplesmente confiar em Silas Holmes. Moriarty faz Xiao Wei de “refém”, enquanto
Cordelia e Mycroft assistem e Sherlock conversa com o pai e pergunta por
Beatrice, e quando a suposta Bi aparece, é muito evidente que não se trata dela de verdade. Sherlock e
Mycroft poderiam ter caído na armação, mas a teatralidade exagerada não nos
engana, e Cordelia também percebe de imediato que não é a sua filha. Então, O CAOS SE INSTALA. No meio de tiros, de
gritos e de alguma correria, a verdadeira Beatrice Holmes aparece, e não é uma
personagem realmente nova… ela esteve
por perto, Sherlock e Moriarty já a viram…
E ela talvez
seja mais parecida com Silas do que com
eles.
Afinal de
contas, ela cresceu com ele como exemplo, não?
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