Adolescência (Adolescence) – Episódio 2
Escola.
É impressionante o que eles
fizeram aqui! Ao comentar a estreia de “Adolescência”,
eu falei bastante sobre a concepção da série em plano sequência e como ela
servia a propósitos narrativos claros que traziam os espectadores para dentro da série, e o que é feito com
essa técnica no segundo episódio é espetacular. Se o primeiro episódio começa
na casa da Família Miller, mas se passa quase que inteiramente na delegacia
para onde Jamie é levado, acusado de ter matado uma colega de classe, esse
segundo episódio se passa inteiramente na escola. É tudo muito mais amplo,
repleto de personagens, e o plano sequência dá a ideia e a sensação de realidade, bem como a percepção de que
há muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo, como sempre há.
Bascombe, um dos investigadores
responsáveis pelo caso da morte de Katie, está na escola em que Jamie Miller
estuda em busca da faca usada no assassinato – ainda que o vídeo seja uma prova
do crime cometido, ele quer mais informações como o motivo e a arma utilizada.
O cenário é movimentado, quase caótico: o retorno às aulas em uma escola em que
uma aluna foi morta a facadas e um aluno foi detido por ter cometido o crime.
Todos estão afetados: professores, colegas de classe, amigos de Katie… a
primeira pessoa com quem Bascombe e Frank conversam em busca de novas
informações é Jade, a melhor amiga de Katie, e a revolta dela é compreensível:
para ela, o que importa é que sua melhor amiga está morta e que foi Jamie quem
a matou.
Digo que “o que foi feito com a
técnica de plano sequência no segundo episódio é espetacular” porque ela é
muito mais complexa e difícil do que no primeiro episódio. É
de tirar o fôlego! Toda a sequência do alarme de incêndio, por exemplo, é uma
obra-prima do audiovisual com todo o caos brilhantemente atuado e registrado
conforme os adolescentes descem para o pátio da escola, se perguntando o que
está acontecendo… é muita gente, muita movimentação e, por isso, muito mais
impressionante o uso da técnica, porque são muitos detalhes captados ao mesmo
tempo. E os nervos à flor da pele parecem intensificados
naquele pátio da escola, e é o momento em que Jade parte para cima de Ryan, um
dos amigos de Jamie, o acusando de ter matado a Katie…
A briga, os gritos em volta, os
celulares, a confusão!
Então, Bascombe e Frank vão até a
enfermaria conversar com Ryan… é impossível não o comparar com Jamie, embora
ainda seja difícil chegar a conclusões, até porque não vimos o Jamie nesse segundo episódio. Jamie parece mais
contido, mas também talvez haja mais frieza, encenação, dissimulação. Ryan é imediatamente mais distante e evasivo,
mas talvez menos dissimulado? Enquanto os policiais falam com Ryan, que
eventualmente sai sem responder muito, uma professora tenta falar com Jade
sobre Katie, e ganhamos pequenas informações sobre como a mãe de Katie não
gostaria de vê-la ou como a Katie era a sua melhor amiga e “a única que a
aceitava como ela era”, e agora ela não sabe como vai seguir em frente sozinha.
Bascombe acaba recebendo a ajuda
de Adam, seu filho adolescente que também estuda naquela escola. A relação dos
dois não é perfeita, mas Adam diz que “ele queria falar com quem o ajudasse a
entender”, e ele pode ajudar a perceber que eles
interpretaram as mensagens no Instagram de maneira errada. Adam lhe dá
contexto, fala sobre a “manosfera”, fala sobre a “regra 80-20”, fala sobre os
significados dos emojis utilizados e de como o que a polícia interpretou como a
Katie “sendo legal” era uma espécie de cyberbullying
na qual ela estava chamando Jamie de “incel”, e todas as curtidas em seu
comentário eram pessoas que concordavam com ela… e essa conversa com Adam acaba
entrando em outra temática desse universo.
Por isso… “Adolescência”.
Adam não pode falar muito sobre
Jamie e sobre Katie… ele não os conhecia de verdade, mas ele está ajudando o
pai a entender a linguagem adolescente
na internet, e localizar significados que ele não conhecia. A ideia de Bascombe
é encontrar um motivo, não para
justificar o Jamie, jamais, mas para saber o que o levou a fazer o que fez… é
interessante o impasse entre ele e Misha Frank, a sargento no caso, porque ela
não se importa o suficiente com o “motivo”: Katie está morta, existe um vídeo
mostrando o Jamie a matando, e é isso o que importa para ela… por que dar
protagonismo ao assassino e tornar isso sobre ele e não sobre a vítima? É uma
conversa razoavelmente breve entre eles, mas que abre também um leque de
discussões!
O investigador retorna para a
sala de aula de Ryan para pedir para conversar com ele, e é nesse momento em
que Ryan foge pela janela, e
acompanhamos toda a perseguição pelas ruas até que Bascombe finalmente consiga
pegar o Ryan e perguntar por que ele
estava fugindo – porque, a partir do momento que fugiu, ele provou que queria
esconder algo. Então, Ryan confessa que a faca que Jamie usou era dele, embora
ele tenha achado que o Jamie “só ia dar um susto nela” e “não saiba onde está a
faca agora”. Ryan também é levado sob custódia, acusado de cumplicidade em um
homicídio. Desdobramentos veremos mais tarde. Gosto da cena do Eddie, pai de
Jamie, indo até o estacionamento em que Katie foi morta e deixando uma flor
junto a tantas outras…
É de uma sensibilidade incrível,
e só imagino a sua mente como está!
Forte demais!
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