Only Friends: Dream On – Act 1: Game On

Quem vai ser o Romeu?

Em 2023, assistimos a “Only Friends”, um BL que dividiu opiniões na internet – inclusive a minha. Gostei de assistir à série, me diverti com as dinâmicas, os jogos de sedução, as “amizades”, mas questionei também algumas coisas, e a principal crítica que eu tenho à primeira temporada e sustento agora é: a série tinha um potencial gigantesco para ser muito mais do que for, mas ela foi limitada pela dinâmica de shipp fixo e a covardia da produção que se rendeu a clichês e previsibilidades para poder manter a ideia de “casal fixo” de que eles tanto gostam. Foi escolhido o shipp como produto ao invés da série em si… não tenho esperança alguma de que isso seja diferente nessa nova temporada, e a própria abertura já parece querer dizer: “Se você tem qualquer esperança, não tenha”.

A segunda temporada da série, intitulada “Only Friends: Dream On” estreou no dia 27 de fevereiro de 2025, e compartilha com a primeira temporada/série o mesmo universo e conta com participações como o Sand e o Ray, que aparecem nas primeiras cenas do episódio, e o retorno de Boston como personagem fixo eventualmente, embora ainda não o tenhamos visto na estreia. A dinâmica segue sendo a de amigos, namorados, casos e ex-namorados que estão envolvidos de alguma maneira, em uma trama que envolve sexo, desejo, traição, romance, posse… o conceito é bom, apesar da produtora que teme se arriscar e joga sempre na defensiva porque é mais seguro para eles. A extensão e complexidade dessas relações ainda estão a ser definidas.

Gosto do tom da série… gosto de como existe tesão na maneira como as coisas são construídas e de como o primeiro episódio aproveita isso. Gosto da voracidade do reencontro sexual de Jack (interpretado por Earth, o homem mais lindo desse elenco) e Dean (Mix) mesmo depois de eles terem terminado o seu relacionamento; gosto do momento de volúpia que desperta no banheiro de um bar entre Rome (interpretado por Aou) e Raffy (Boom), no primeiro contato entre eles; e me interessa a provocação entre Arnold (Joss) e Tua (Gawin) com um quê mais terno que parece ainda não ter se entregado ao desejo, talvez unilateral. Nenhum desses personagens, no entanto, me despertou o interesse que eu tinha nos personagens do primeiro “Only Friends”, mas é claro que isso pode mudar.

É apenas o primeiro episódio.

Devo dizer, no entanto, que há mais coisas que me incomodam… não sei se compro a ideia de basear a série ou parte dela na montagem de uma peça de “Romeu & Romeu”. Eu amo Shakespeare – cheguei a fazer uma optativa de Estudos Shakespearianos na época da faculdade, quase 15 anos atrás –, mas o conceito apresentado por Jack de “uma versão gay de ‘Romeu & Julieta’ com final feliz” me parece não apenas forçado, mas preguiçoso… e pensar que foi escolhido sobre a segunda opção, que era “Wicked”, e rendeu toda uma trama sobre “quem vai ser o Romeu” me irritou, porque eles passaram a maior parte do tempo agindo como se houvesse apenas um papel protagonista pelo qual lutar. Quer dizer, o nome da peça é literalmente “Romeu & Romeu”.

Tem espaço para dois Romeus! E não me venha com “audicionou para o mesmo papel” porque um ator de verdade entregaria uma boa atuação tanto de um Montéquio quanto de um Capuleto – Susana Vieira chegou a ser escalada para interpretar a Nazaré em “Senhora do Destino”, antes de se tornar a Maria do Carmo e, mais recentemente, Sophie Charlotte e Letícia Colin tinham sido escaladas e anunciadas com os papeis invertidos em “Todas as Flores”, e eu tenho certeza que tanto a Sophie quanto a Letícia teriam arrasado em ambas os papéis… afinal de contas, atrizes, né?! O conceito de “ser ator” nesse universo BL, no entanto, parece sempre incluir muita coisa, mas não necessariamente a capacidade de atuar, o que me deixa intrigado, mas não é o tema aqui.

Parte do episódio é sobre “encontrar o Romeu perfeito”, e isso faz com que Jack acabe sendo o centro desse episódio de estreia, tendo em vista que é ele o responsável pela produção e pela escalação. Há quem ache que Dean será o escolhido porque ele protagonizou todas as produções anteriores de Jack, mas Raffy chama a atenção também nas audições, e Jack não consegue escolher entre eles – e eles estão disputando mais do que o papel de Romeu, e talvez o Raffy tenha começado a me conquistar de verdade no momento em que ele dissimuladamente diz a Dean que “é seu fã e quer ter tudo o que ele teve”. Também é uma das poucas coisas no episódio que me deixou curioso, já que Raffy teve aquele “encontro” com Rome, que é irmão de Jack.

Mas isso é quase um secreto… ninguém sabe na faculdade.

A série deve se dividir entre a faculdade e a produção dessa montagem de “Romeu & Romeu” e o Pink Pony Club, onde Rome trabalha como DJ, Dean se apresenta ocasionalmente, e todos se encontram para beber, dançar, flertar, transar… potencial tem, sempre tem. Se será aproveitado ou não, isso já é outra questão. Antes de encerrar o texto, preciso dizer algo brevemente, sem alarde, para quase passar despercebido entre tantos que possivelmente me xingarão por dizer isso: eu não gostei do Dean. Termino o meu texto basicamente parafraseando um tweet que fiz ainda no dia da estreia, logo que terminei de assistir ao episódio: posso mudar de ideia até o próximo episódio? Sim. Nesse momento, estou morrendo de vontade de ver o próximo? Não. Verei mesmo assim? Não sei ainda.

 

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