Vale o Piloto? – Jovem Sherlock (Young Sherlock) 1x01 – O Caso dos Pergaminhos Roubados

Jovem Sherlock Holmes.

Sempre fui um grande fã do personagem de Sherlock Holmes. Li “O Signo dos Quatro”, o meu primeiro livro de Sir Arthur Conan Doyle, quando ainda era pequeno demais para entendê-lo de fato, mas foi uma experiência importante. No fim de minha adolescência, li os livros de Andrew Lane, com uma juventude inventada para o detetive no seu “início de carreira”, e me apaixonei pela maneira como os casos eram apresentados e desenvolvidos. Acompanhei, de 2010 a 2017, “Sherlock”, a série da BBC protagonizada por Benedict Cumberbatch que eu acho excelente. Agora, o detetive está de volta, em uma versão jovem inspirada pelos livros de Andrew Lane, em “Jovem Sherlock”, série cuja primeira temporada de 8 episódios foi lançada no dia 04 de março de 2026.

A série, desenvolvida por Matthew Parkhill, traz Hero Fiennes Tiffin como um Sherlock Holmes de 19 anos que acabou de passar três meses preso e é resgatado por seu irmão mais velho, Mycroft Holmes, e levado para Oxford – não exatamente como ele esperava ser enviado para Oxford, é claro, porque ele não está ali para ser um estudante… ele está ali para trabalhar como servente. A atuação de Hero Fiennes Tiffin é excelente e ele entrega algo essencial para fazer com que gostemos de uma série já de cara: carisma. Ele fala depressa, demonstra sua inteligência sem deixar de lado um quê de deboche e deslocamento, tem energia para dar e vender… é um magnetismo inegável que torna a experiência de acompanhá-lo em tela muito gostosa.

Tudo é muito ágil, muito frenético, e eu gosto disso… acho que nos coloca em uma posição de atenção constante que emula a experiência da própria mente rápida de Sherlock Holmes. Seus dias em Oxford são divididos entre o trabalho que precisa cumprir e os momentos em que consegue “se esconder” na biblioteca para ler, e ele chama a atenção por onde passa… servindo a mesa do grande salão durante um jantar importante, ele se apresenta ao Professor Hodge como irmão de Mycroft, e depois ele faz uma correção ao Professor Thompson enquanto passa por uma sala de aula durante uma aula de matemática. E eu confesso que abri um sorriso sincero e feliz no momento em que o seu caminho encontra o de JAMES MORIARTY. Irônico, não?

James Moriarty é um contraponto interessante – e uma figura importante na mitologia de Sherlock Holmes. Atento e inteligente, ele percebe que Sherlock furtou um relógio do bolso de Hodge durante o jantar, por exemplo, mas não está ali para julgá-lo por isso… é uma parceria inusitada cuja primeira ação é entrar de penetra em uma festa chique da faculdade, o que culmina em um interessante jogo de dedução com Peregrine, julgado por uma aluna, e tudo bem que aquilo termina em briga e tudo e os dois precisam escapar, mas eles novamente deixaram a sua marca… a vitória de Sherlock é inegável, e eu pensei muito em Lorraine Baines falando sobre como “Calvin Klein é um sonho”. Existem ações que inevitavelmente deixam uma forte impressão.

Oxford também é a nova casa de importantes pergaminhos antigos, que são levados para lá pela Princesa Gulun Shou’an – uma história em andamento. A princesa chinesa consegue impedir sozinha o roubo dos pergaminhos que datam do Século V a.C. no meio do caminho, e eles são colocados em segurança na biblioteca de Oxford – até que eles desapareçam. O suposto roubo desperta Sherlock e Moriarty como os principais suspeitos, já que eles foram as últimas pessoas sendo vistas entrando na biblioteca. Agora, Moriarty pode perder a sua bolsa de estudo e Sherlock pode ser mandado de volta para a prisão… por isso, é uma questão de urgência resolver o caso e descobrir quem está por trás desse roubo. O primeiro caso de Sherlock na série.

A própria princesa intercede por Sherlock antes que ele seja preso – ela não acha que tenha sido ele, e consegue ver a sua capacidade de resolver o caso. Gosto de muitos detalhes aqui, como a primeira visita à janela arrombada da biblioteca, a conversa em mandarim de Sherlock com Gulun, e as evidências que são encontradas, como o relógio quebrado e parado no momento do roubo. Sherlock e Moriarty formam uma boa dupla e encontram um suspeito em uma estalagem, mas algo parece errado… visitando sua própria mente (adorei a maneira como foi apresentado visualmente, com direito à participação de Moriarty – “Oh, you’re here too” –, conforme Sherlock observa, revive e capta detalhes) para se dar conta de que o homem aguardou antes do soco…

Ele queria esperar que Moriarty chegasse.

Isso vira todo o caso de cabeça para baixo. Essa pequena atitude do suposto ladrão, notada e interpretada eventualmente por Sherlock, quer dizer que ele estava ali para despistar e atrasar os dois, porque não os queriam em Oxford. Os pergaminhos não estavam ali com ele, talvez nunca tenham saído da biblioteca de Oxford. As novas informações também levam Sherlock a perceber como não houve mesmo uma invasão pela janela, aquela é outra distração criada para parecer isso – no fim, os pergaminhos não eram o principal objetivo… no fim, alguém precisava que a biblioteca, que é normalmente vistoriada a cada 30 minutos, ficasse vazia por mais tempo, para que eles tivessem tempo de fazer o que quer que quisessem fazer. E que Sherlock e Moriarty querem descobrir agora.

É UMA DELÍCIA. Eu adoro as reviravoltas, o tom quase divertido e rápido da série – a revelação de uma parede falsa e um corredor secreto e uma bomba escondida, que era o objetivo de quem armou toda essa encenação. Uma bomba que nem Sherlock nem Moriarty têm tempo ou conhecimento para desarmar, então o melhor que eles têm a fazer é evacuar o prédio mais próximo… justamente o novo prédio de ciências com o nome do Professor Hodge, onde está acontecendo um baile de gala. Sherlock e Moriarty precisam quebrar uma parede, interromper um discurso de maneira dramática e sensacional e comandar uma evacuação para que ninguém fique ferido na explosão da bomba. E posso dizer? TODA ESSA SEQUÊNCIA FOI MARAVILHOSA!

O caso não é inteiramente resolvido… eles ainda não sabem quem está por trás disso ou por quê, mas ao menos os nomes estão limpos – Sherlock não vai preso e Moriarty vai manter a sua bolsa de estudos. Há, no entanto, uma trama maior para guiar “Jovem Sherlock”, que exploraremos aos poucos… no fim desse episódio, a Princesa Gulun Shou’an faz uma visita estranha ao quarto de Sherlock, lhe serve bebida e se oferece para limpar seu rosto. Sherlock apaga sem saber o que aconteceu e, quando ele acorda, ele está sendo acusado pelo assassinato do Professor Charles Thompson. Se a Princesa está por trás dessa incriminação, ela também pode estar por trás da história da bomba? Quer dizer, o lance dos pergaminhos é genial, ninguém desconfiaria dela!

E os pergaminhos nunca estiveram em perigo real.

Interessante. Já estou envolvido!

 

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