O Mar Sem Estrelas (Erin Morgenstern)
“Todas as histórias são a mesma história”
Ler “O Mar Sem Estrelas” foi uma das
experiências mais fantásticas da minha vida. Parece um eufemismo iniciar o
texto com essas palavras e tenho essa consciência, mas o segundo livro de Erin
Morgenstern, publicado originalmente em 2019, é um dos – se não o – melhores livros que eu li na vida.
Mesclando o realismo e a fantasia em uma linguagem com toques de poesia e
filosofia, “O Mar Sem Estrelas”
envolve, emociona, surpreende e fascina. É, como a própria sinopse do livro
adianta, “uma história sobre histórias”, mas ironicamente vai muito além disso…
é um livro de sensações. É mais sobre o que você sente do que qualquer outra coisa. E é a habilidade esplendorosa de
uma verdadeira artesã de histórias que torna possível a magnitude desse livro.
Não cheguei
ao livro sozinho, tampouco sabia muito sobre o que se tratava quando finalmente
sentei-me para ler, porque sinto que a sinopse entrega o suficiente para ser intrigante ao mesmo tempo em que
propositalmente nos entrega muito pouco. O livro foi o presente de aniversário
de um amigo muito querido a quem a história tocou antes, e jamais poderei
agradecer o suficiente por ele ter compartilhado essa história – tal qual
Mirabel desenhando portas que abriam para um lugar aparentemente impossível e
fascinante, meu amigo deixou a meu alcance uma das melhores histórias e
experiências possíveis a um leitor; e eu, diferente do filho da vidente, acreditei imediatamente nessa “porta desenhada” e
a abri sem pensar duas vezes… rumo ao Mar Sem Estrelas.
Já comentei
isso em outras ocasiões, mas deixo registrado aqui: quanto mais eu gosto de
algo, mais difícil é escrever sobre isso. Sinto que nada que eu diga de fato
fará jus ao que é a experiência de ler “O
Mar Sem Estrelas” e, portanto, encaro esse texto como um registro de
emoções e como uma lembrança a qual retornarei ao longo dos anos, mas te
convido a encará-la como uma porta pintada em um muro que impossivelmente se abre
para um lugar totalmente novo: é um
convite para que você confie em mim e viva você mesmo tudo isso. Gosto da
sensação transformadora que vem da
leitura de um livro que te convida a não ser mais o mesmo… aquela leitura que
te marca tão profundamente que é como se aquela obra passasse a viver com você, como se você fosse parte
disso.
Em parte,
somos. Todos somos histórias.
Eu sabia que
eu gostaria de “O Mar Sem Estrelas”
quando ele me envolveu depressa em suas primeiras páginas. Há algo na escrita
de Erin Morgenstern que te convence desde as primeiras palavras… Zachary Ezra
Rawlins, o protagonista desta história (um dos?) aparece apenas depois de
algumas páginas de leitura: antes disso, temos três passagens de “Doces Dores” que são intrigantes e
pequenas histórias e universos aparentemente contidas em si mesmas. Não são, mas parecem inicialmente. É a
história de um pirata prestes a ser executado e uma mulher que o visita e com
quem compartilha histórias; depois, todo o processo de iniciação de acólitos
que vivem em um Porto do Mar Sem Estrelas; por fim, um garoto que é filho de
uma vidente e encontrou uma porta.
Zachary Ezra
Rawlins é um jovem em seus 20 e poucos anos, fazendo pós-graduação na área de
jogos e apaixonado por livros. É no período antes do início das aulas que ele
passa com poucas outras pessoas no campus
da faculdade em janeiro que ele descobre algo inusitado na biblioteca: um livro sem autor, sem editora, sem ano
de publicação, mas repleto de histórias… e uma dessas histórias é sobre ele: ele é o filho da vidente
cuja porta no muro atrás da loja da mãe não foi aberta. Aquela experiência
inusitada de ver parte de sua história nunca compartilhada com ninguém
registrada em um livro “escondido” na biblioteca acaba o consumindo: ele nunca
mais será o mesmo depois disso, e ele já
é parte de algo muito maior do que ele.
E do que ele
imagina.
Zachary tem
poucas informações… mas determinação de sobra para descobrir o que for
possível. A leitura daquele livro misterioso lhe dá muitas informações sobre um
lugar conhecido como “Mar Sem Estrelas”: um lugar que parece impossível, mas que de alguma maneira ele sente que é real. A investigação através
dos símbolos da abelha, da espada e da chave o levam a uma festa, a uma mulher
elegante, misteriosa e magnética vestida de monstro e um homem bonito e
charmoso em quem ele quer confiar,
ainda que não saiba bem por quê.
Zachary se vê no meio de uma guerra entre pessoas que querem fechar portas e outras que querem abrir
caminho, mas nada é o que parece e as surpresas se sucedem em uma trama que não
tem nada de óbvia.
Gosto da
complexidade da composição dessa obra. Não apenas pelos rumos inusitados e
ricos que a história toma, mas pela concepção de personagens que são
imperfeitos e, justamente por isso, reais. Não é aquela coisa maniqueísta de
“bem versus mal”, porque reduzir o
mundo e as relações a isso é simplista demais. É muito mais sobre crenças,
sobre interpretações e sobre objetivos. Zachary Ezra Rawlins se vê
eventualmente em um Porto em decadência do Mar Sem Estrelas, e quanto mais as
coisas parecem absurdas e fantásticas, mas elas parecem reais… paradoxalmente. Quanto mais a razão lhe fala de
impossibilidade, mais ele sente. E
somos guiados por uma série de emoções e questionamentos que nos deixam
incertos, inseguros, apreensivos e encantados.
Por isso eu
digo que é um livro de sensações.
Senti DEMAIS
durante a leitura.
Sou
profundamente apaixonado pela estrutura do livro, e pela inteligente mescla
entre linearidade e não-linearidade que favorece a riqueza da narrativa. Há uma
condução que é suficientemente linear a partir do ponto de vista de Zachary,
mas constantes intervenções não-lineares que são peças de um quebra-cabeças que
vai se formando durante a leitura, e cada nova descoberta é um deleite. O livro
entrega o que parecem pequenos contos, ensaios e reflexões que são completos e
ricos por si só, mas que entregam uma sensação catártica quando passam a fazer
parte de um todo, conforme vamos constatando algo que o livro nos avisou desde
sempre: que todas as histórias são a
mesma história. Fica marcada em mim a sensação de sorrir enquanto lia…
Mas não só
no rosto… é como se todo meu ser sorrisse
em êxtase.
Uma das
tramas mais importantes de “O Mar Sem
Estrelas” vem de uma história que é contada por Dorian a Zachary no dia em
que eles se conhecem e aquela voz falando em seu ouvido é o motivo pelo qual
tudo muda… é a história de como o Destino se apaixonou pelo Tempo, e como eles
foram separados por um parlamento de corujas, com o coração do Destino
espalhado pelo mundo. Gosto de como Erin Morgenstern brinca com símbolos e com
possibilidades, e de como, mais cedo ou mais tarde, histórias que pareciam
metáforas se tornam literais de alguma maneira. Conhecemos o Destino e o Tempo
em formas humanas ou quase muito
antes de nos darmos conta de que eles são o
Destino e o Tempo, e conhecemos também os seus sucessores sem percebermos…
Até que o
façamos, e então tudo se encaixa.
E é tão
belo!
O livro está
dividido em cinco partes, e elas acompanham a narrativa protagonizada por
Zachary Ezra Rawlins, bem como as histórias “paralelas” que são inevitavelmente
parte de uma mesma história e que se intercalam ao fio narrativo central. A
primeira parte é intitulada “Doces Dores”,
que é o título do livro encontrado por Zachary na biblioteca da faculdade –
histórias sobre um pirata e uma mulher, sobre o filho da vidente, sobre
acólitos, guardiões e cuidadores, sobre uma casa de bonecas, sobre um homem
perdido no tempo, sobre uma garota e a lembrança de uma porta, sobre um Porto
em um Mar Sem Estrelas… há algo que nos remete à beleza da poesia, e entendemos
o fascínio gerado em Zachary, que faz de tudo para saber mais a respeito desse livro e do que ele conta.
Até que ele
mesmo passe por uma porta.
A segunda
parte é intitulada “Fortunas &
Fábulas”, que é o título do livro de Dorian: o primeiro livro do qual ele
cuidara e que ficara “aprisionado” no Clube de Colecionadores, e que ele
incentivara Zachary a conseguir de volta para ele – seu livro traz espécies de
contos de fadas, que começam com frases como “Era uma vez um mercador que viajava por muitas terras, vendendo
estrelas”, “Era uma vez um homem que
colecionava chaves”, “Era uma vez uma
mulher que esculpia histórias” e “Era
uma vez um estalajadeiro que tinha uma estalagem em uma encruzilhada
particularmente inóspita”, uma de minhas favoritas; histórias sobre
princesas, sobre espadas, sobre caixas que guardavam o maior segredo possível,
sobre encontros entre o sol e a lua.
Enquanto
isso, Zachary e Max/Mirabel precisam resgatar Dorian de Allegra.
A terceira
parte é intitulada “A Balada de Simon e
Eleanor” e essa é uma história paralela e complementar à que acompanhamos
em primeiro plano, e tem algumas das revelações mais interessantes do livro.
Eleanor é a garota que caiu através da lembrança de uma porta e Simon é o homem
perdido no tempo de “Doces Dores”;
eles se encontraram em um lugar fora do
tempo e viveram uma história de amor inusitada que nos revela algo sobre
Mirabel, que “nascera ali embaixo”, como ela conta a Zachary, mas não, ainda,
toda a extensão de sua identidade, bem como revela a origem de “Doces Dores”, como um presente de
Eleanor a Simon, que por sua vez é o responsável por levar o livro à superfície
e o dono da coleção que foi doada à faculdade onde Zachary encontrou o livro
que mudou tudo.
A quarta e a
quinta partes, “Escrito nas Estrelas”
e “O Rei Coruja”, respectivamente,
talvez centrem-se mais na trama cada vez mais eletrizante de Zachary Ezra
Rawlins através daquele mundo de histórias… conhecemos O Mar Sem Estrelas, o
Porto em sua beleza decadente confrontado com a memória de seus tempos de
glória e movimento que fervilhava de pessoas e histórias, as motivações por
trás daqueles que querem fechar todas as portas para esse lugar e aqueles que
buscam garantir que as coisas aconteçam como estão previstas para acontecer, a
Rainha das Abelhas e a natureza do Cuidador e Mirabel, que retorna ao conceito
mais básico do livro, e o amor entre Zachary e Dorian como um poderoso impulso
para que a história siga em frente…
Eu gosto
demais do movimento quase contraditório da narrativa, que brinca com elementos
que parecem cada vez mais abstratos ao mesmo tempo em que tudo é tão palpável
porque as coisas estão acontecendo aqui,
agora. Há uma abertura no Porto, uma queda rumo ao Mar Sem Estrelas, que se
revela uma superfície de mel e uma jornada cada vez mais ao fundo desse lugar,
onde as histórias assumem novas formas – muitas de antes de elas serem
transcritas em palavras e encadernadas em livros. Quando se fala sobre “uma
artesã de histórias”, penso na autora e na destreza com que ela conduz a
narrativa por elementos que parecem cada vez mais “impossíveis”, mas são cada
vez mais humanos. É uma narrativa íntima, que evoca e traduz sensações e
sentimentos.
Há muito
simbolismo, e eu adoro isso.
Esse Porto
do Mar Sem Estrelas que conhecemos está fadado a terminar… todas as histórias terminam em algum momento. Sua ruína anunciada
há muito tenta ser impedida por Allegra, que é uma acólita que vira sua
destruição e, ao fugir de volta para a superfície, tentou fechar todas as
portas possíveis para que ninguém mais chegasse
ao Porto e, portanto, sua visão não se realizasse; mas o Destino pintou novas
portas para que o acesso ao Mar Sem Estrelas não fosse obstruído. O mais irônico? Foi Allegra quem cuidou
de Mirabel após o sumiço de “Eleanor” e foi ela quem a ensinou pintar, e agora
Mirabel pinta portas enquanto Allegra as fecha e coleciona maçanetas, em um
trabalho constante e em vão porque a
história não pode ser impedida.
Muito dessa
parte do livro é sobre Zachary e Dorian tentando
retornar um para o outro, mas tendo seus próprios caminhos separados a
trilhar. Ao despencar por uma abertura no Porto, Dorian cai no Mar Sem
Estrelas, que lhe dá uma tatuagem de espada no peito, e ele é resgatado por um
barco cuja capitã já foi chamada “lá em cima” de “Eleanor”, embora esse não
seja o seu nome de verdade e nunca será; enquanto isso, quando Zachary é
atacado pela escuridão e por uma legião de vozes que o atormentam, ele é
resgatado por alguém que lhe estende a mão e que se revela o Simon, em um
momento de tirar o fôlego; muito mais tarde, Zachary também ganhará uma tatuagem
na forma de uma chave, gravada em seu peito através do gelo da mão do Destino.
E ele se torna a chave.
A sexta e
última parte do livro é introduzida por um interlúdio fortíssimo e emocionante
que se passa dois anos depois, quando
Kat, a amiga de Zachary, visita Love Rawlins, a mãe do amigo, para deixar com
ela as coisas dele que trouxera da faculdade e o cachecol que tricotara para
ele. Intitulada “O Diário Secreto de
Katrina Hawkins”, eu gosto de como Erin Morgenstern conduz a história do
aqui e do lá, do agora, do antes e do depois, em paralelo, e gosto muito de
como o livro é rico em linguagens. Havia algo de muito poético e simbólico
anteriormente, enquanto aqui há algo de real e cru… é um diário escrito em
primeira pessoa, com todas as frustrações, dúvidas, conjecturas e conclusões de
uma pessoa cujo amigo desapareceu misteriosamente e que anseia por respostas.
Respostas que lhe são negadas por muito
tempo.
Também gosto
de como as palavras de Kat intercaladas com as experiências atuais de Zachary
dão respostas aos leitores sobre o que é real e o que não é… quase poderíamos
acreditar naquela “visão” de Zachary do Dorian com ele na casa da mãe e aquela
versão de uma vida na qual eles se conheceram em Nova York quatro anos antes e
agora ele “está tendo mais um de seus episódios”, mas não podemos ser
convencidos dessa mentira porque as palavras de Kat nos garantem que Zachary de
fato está desaparecido e, portanto, tudo o que aconteceu a ele é real. O Mar
Sem Estrelas existe, o Porto está prestes a desaparecer… e Allegra quer impedir
que novas portas sejam abertas, tanto que chega a tentar recrutar Kat para o
chamado “Clube de Colecionadores”.
Zachary está
vagando em algum lugar…
Dorian,
enquanto isso, chega à estalagem que sente que conhece por causa de “Fábulas & Fortunas”, aquela na qual
o sol e a lua se encontram de tempos em tempos, e ele recebe do estalajadeiro a
caixa que fora construída para guardar um segredo, segredo esse que é o coração
do Destino, que se apaixonara pelo Tempo… quando ele deixa a estalagem, ele tem
consigo tanto a caixa entregue pelo estalajadeiro quanto a espada, que lhe é
dada pela própria Lua, e ele não sabe ainda o que isso significa. Ansiamos pelo
reencontro de Zachary e Dorian, e eu me sinto despedaçado no momento em que eles estão finalmente frente a frente
e Dorian atinge o homem que ama no peito com a espada, achando que é uma
projeção como tantas outras que provavelmente enfrentou antes…
E, então, Zachary morre.
Toda a
sequência da morte de Zachary é arrebatadora. É profundamente melancólica e
sofrida, mas também traz consigo essa beleza que o livro evoca tão bem. Ele
atravessa um mar de confete e serpentina dessa vez, rumo à Casa de Bonecas,
habitada por abelhas… abelhas que são a
Cozinha que ele disse amar em algum momento, e que agora conseguem criar “a
ideia de uma festa”: um lugar onde o Zachary pode conversar com Mirabel, um
salão de baile onde ele pode dançar com o
Destino… no fim de tudo. Após a
morte de Zachary, o Mar Sem Estrelas começa a reivindicar tudo de volta. Não
apenas o Zachary, mas todo o Porto, que é novamente tomado pelo Mar – é de lá
que todas as histórias vieram, e é para lá que todas são reivindicadas mais uma
vez.
Rima e o
Cuidador são os últimos a partirem…
Passei algum
tempo esperando que a morte de Zachary não se concretizasse até perceber que se
concretizaria, e passei também muito tempo esperando para ver Dorian,
secretamente com medo de o ver, porque sabia o quanto ele estaria sofrendo, mas
o livro amplia esse suspense criando expectativa
na maneira como o restante nos é apresentado e nos é negada a reação de Dorian
à morte de Zachary, até o momento em que enfim o reencontramos. A sua dor é
palpável… ele encontrara várias projeções de Zachary que não eram o Zachary, e
hesitou na primeira vez, sendo desarmado, e jurara não hesitar mais. Quando ele
atinge esse Zachary e a “ilusão” não
se desfaz, no entanto, ele percebe a realidade e isso o consome a ponto de ele
se resignar em “afogar-se em mel e dor”, até ver um navio…
Então, ele é
resgatado.
O “Epílogo” de “O Mar Sem Estrelas” é uma deliciosa e grata surpresa. Eu gosto
muito desse quê de melancolia inegável que se mescla a um final que é
surpreendentemente feliz, mas não da maneira como esperávamos… com o mesmo
lirismo de antes, o livro nos presenteia com esperança, com possibilidade, com
um recomeço e é lindo. Lindíssimo. O navio que resgata Dorian é o de Eleanor, e
é ali no convés que Dorian percebe o que precisa ser feito e dá a Zachary o
coração do Destino, que agora será o seu coração,
e ele desperta ainda sendo ele, mas
ao mesmo tempo sendo mais do que ele fora.
Enquanto isso, o Cuidador e Rima saem para a superfície, o Cuidador se
reencontra com Mirabel enquanto lê o diário de Katrina Hawkins, e Kat está
diante de sua própria porta…
Dentro de um prédio que já foi uma
biblioteca um dia…
Uma porta que se abre para UM NOVO PORTO NO
MAR SEM ESTRELAS.
Eu queria
mais e eu poderia continuar ao lado desses personagens por muitas mais
histórias, mas eu sei que não é necessário. É parte da beleza de “O Mar Sem Estrelas” saber que a história continua, mas que nós os
deixamos aqui. A narrativa nos fala sobre como deixamos Zachary e Dorian
durante aquele beijo aguardado há tanto tempo, mas a história deles não termina
ali, está apenas começando… e está. Eles e Kat serão as primeiras pessoas nesse
novo Porto no Mar Sem Estrelas, um Porto que está nascendo agora e cujo auge
ainda está por vir, uma história que durará muito tempo e, de alguma maneira,
tempo nenhum, porque existe em um lugar sem tempo e de todo o tempo. O Mar Sem
Estrelas tem muitas histórias para contar, para trazer à margem…
De alguma
maneira, gosto de pensar que elas chegarão a nós. Afinal de contas, as
histórias existem – sempre existiram, sempre existirão, nos mais variados
formatos. Erin Morgenstern construiu uma narrativa fascinante e emocionante que
é “uma história sobre histórias”, e criou um conceito que banhou em poesia,
filosofia e mel, nos entregando em um formato inusitado, único e diferente do
que esperávamos, talvez, mas exatamente como precisávamos. Assim como o Mar Sem Estrelas marcou a espada no
peito de Dorian e o Destino marcou a chave no peito de Zachary, esse livro
estará marcado em mim para sempre. Agradeço à autora por ter desenhado essa porta; agradeço ao Mateus
por ter me mostrado o caminho; e ao meu eu do passado por ter escolhido girar a maçaneta.
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