Star Trek: Starfleet Academy 1x07 – Ko’Zeine
Selamento.
Exibido originalmente em 19 de
fevereiro de 2026, “Ko’Zeine” é o
sétimo episódio da primeira temporada de “Star
Trek: Starfleet Academy” e é um episódio sensível e belo que fala sobre
sentimentos, luto, sonhos e promessas. Ainda que se divida predominantemente em
apenas duas tramas paralelas, é um episódio amplo com protagonismo
compartilhado: de um lado, temos Jay-Den deixando Kyle para seguir Darem quando
acredita que o amigo está sendo sequestrado, e então ele descobre uma faceta de
Darem diferente de tudo o que ele sabia a seu respeito; de outro, Genesis
retorna para a Academia da Frota Estelar durante um feriado e encontra um Caleb
Mir que usa uma máscara para não revelar o que realmente está sentindo desde a
partida de Tarima.
Faz pouco mais de um mês que a
USS Athena caiu na armadilha dos Venari Ral e das Fúrias, e o clima na Academia
ainda está tentando voltar ao normal… houve uma cerimônia fúnebre para todas as
vidas perdidas na emboscada e Tarima está continuando seu tratamento em
Betazed, e Caleb pensa em enviar uma mensagem para ela para saber como ela, mas
ele apaga todas as mensagens depois de gravá-las. Agora, os cadetes estão sendo
liberados para um feriado, o Dia de Todos os Mundos, e são aconselhados a
retornar a tempo de assistir à chuva de meteoros que acontecerá em quatro dias.
Os jovens têm planos, viagens, retornos para casa, mas Caleb quer que Nahla
pare de “fingir que ele tem para onde ir”. E
consegue autorização para ficar ali.
Jay-Den está se preparando para
uns dias em Ibiza com Kyle, embora não consiga se ver usando a camisa florida
que Kyle parece esperar que ele use, e no fim todos os planos de Ibiza acabam
sendo suspensos quando ele vê o que parece ser o sequestro de Darem Reymi.
Soltando um “Desculpa, Kyle” ao
vento, Jay-Den faz o que sente que tem que fazer, e atravessa o portal ainda
aberto pelo qual o Darem foi levado para “salvar o amigo”, o que o leva até à Lua
Pôr do Sol no Reino Quioniano. Eu gosto de como as conclusões às quais o
Jay-Den chegou não são apenas por ele
ser Klingon, mas porque realmente
ficou parecendo um sequestro, e ele se depara com o Darem o chamando de
“Ko’Zeine” como se ele fosse o “padrinho” de um Selamento prestes a acontecer.
É desconcertante!
Em paralelo, Caleb começa a
“curtir” seus dias sozinho na Academia. Sua preocupação com Tarima não se
converte em uma comunicação real, porque ele sente que não sabe como ajudá-la
ou como mostrar que está lá por ela. E é aí que a sua história se junta à de
Genesis, que tinha sido informada por Nahla Ake que, após o feriado, seria
recomendada ao Pré-Comando – muitos sentimentos complexos dentro de Genesis a
colocam de volta na Academia antes do previsto e possivelmente sem autorização,
quando ela encontra um Caleb tomando sol, molhado do aquário, com pepinos nos
olhos… e o tira do seu conforto. Em um lugar que é praticamente só deles, eles podem explorar, conhecer
e “se divertir”, o que nos entrega boas sequências e conexão!
A caça à lesma de dobra é excelente!
Eu gosto do caos e do absurdo que
“Star Trek: Starfleet Academy” sabe
entregar, como aquela coisa toda de se esconder e atirar para congelar a gosma
da lesma de dobra sem que Reno, que está com um dedão gigantesco e ouvindo
bronca da Lura ao telefone, os veja. E gosto de como a série caminha
naturalmente disso para algo mais denso e dramático. A ideia de “rebeldia” e
“diversão” de Genesis está intrinsecamente conectada à vindoura indicação para
a Trilha de Pré-Comando: inicialmente pensei em algo como ela estar “presa”
depois ou mesmo na sua possível insegurança de não saber se ela está
conseguindo as coisas por mérito próprio ou por causa da sombra do pai, que é
um Almirante famoso… no entanto, ainda tem mais do que isso!
Genesis convence Caleb a ir com
ela até a ponte e “se sentar na cadeira da Capitã”: arriscado, mas ela tem um
plano. Embora supostamente esteja ali para sentir se realmente pertence a esse
lugar e se vê ocupando essa posição um dia, seu plano é conseguir uma chave de
acesso que lhe permitirá acessar qualquer base de dados, inclusive da sua ficha
de inscrição, e esse era seu plano desde o início: tem coisa em que ela quer
mexer antes da Chanceler Ake enviar sua indicação, porque “fez o que precisava
fazer para entrar”. Caleb cruza os braços e espera explicações – ele foi
envolvido nisso tudo e tem direito de saber, mas quando eles são pegos e Reno
chama Ake para um retorno antecipado de seu feriado, ele tenta assumir a culpa
da ideia de invadir a ponte…
Mas Genesis não deixa que ele o
faça, e eu gosto demais de todos os detalhes da cena: gosto de como Genesis
explica sobre as cartas de recomendação nas quais mexera para ser aceita na
Academia, de como o Caleb discretamente segura a manga da sua blusa para
mostrar que ele está ali com ela, e como ela não é expulsa, embora não vá mais
ser indicada para a Trilha e tenha trabalhos para cumprir com o Caleb… foi toda
uma trama importante para Genesis, que também se converte em importante para
Caleb, tanto pelo aprofundamento dessa relação quanto porque Genesis o
incentiva a falar com Tarima: enviar uma mensagem sincera com como ele se
sente… pode ser tarde demais, mas e se não for? Toda a sequência da gravação da
sua mensagem é linda!
A trama de Darem e Jay-Den nos
pega desprevenidos… essa ideia de o Darem
está prestes a se casar parece absurda. Jay-Den o seguiu porque achou que
ele estava sendo sequestrado, agora tenta entender toda essa coisa de casamento tradicional quioniano de Darem
com Kaira, a sua melhor amiga a quem ele foi prometido quando ainda era
criança. Ele sempre soube de seu destino de reinar sobre Khionia eventualmente,
mas o plano era que isso ainda demorasse alguns anos… com os pais de Kaira
abdicando do trono agora, o Selamento precisa ser adiantado, e embora ela se
sinta pronta para isso, ele não se sente – casar-se significa deixar a Academia
da Frota Estelar e voltar para casa, para viver uma vida que não é o que ele
quer para ele…
Mas ele prometeu que o faria.
Gosto muito da relação de Darem e
Jay-Den, e de como eu ainda tento entendê-la – e se podemos estar acompanhando
um slow burn (acho que sim). A cena
do manto é bastante simbólica: o manto tradicional que se rasga ao ser vestido
por Darem tem a ver com o seu desespero, com como ele mesmo está partido,
porque ele achou que tinha mais tempo; gosto de como ele tira o manto e o
coloca ao redor de Jay-Den porque “Klingons não foram feitos para sentir frio”,
e em um breve momento temos o olhar de Darem pairando sobre Jay-Den e há, ali,
alguma expectativa. Gosto muito da atuação que vai para os olhos e para a
respiração e transcende o texto falado. Darem está dividido entre a promessa
que fizera, o que “tem” que fazer, e o que ele quer fazer…
Jay-Den anuncia que está indo embora
e deixando o seu cargo de Ko’Zeine, porque ele não quer ser parte dessa mentira
que tornará Darem infeliz, mas ele acaba retornando durante a cerimônia, a
tempo do seu discurso tradicional – e ele consegue falar sobre Darem porque,
nesses meses que passara com ele na Academia, talvez ele o tenha conhecido mais
do que aquelas pessoas em Khionia… ele conheceu o Darem de verdade, o Darem que ele sempre quis ser: aquele que caminha
sobre o casco da USS Athena e tem um quê de arrogância que inusitadamente se
tornou charmoso. O discurso mexe com Darem, mas também mexe com Kaira, que
percebe que Jay-Den fala sobre um Darem Reymi que não é o Darem Reymi que ela
sempre conheceu…
Então, Kaira toma uma decisão por
Darem: ela quer que ele abdique. É duro e extremamente difícil, mas ela o faz justamente porque ela ama Darem, porque
ela quer que ele seja livre para fazer o que ele quer fazer de verdade, e ela
sabe que ele quer retornar à Academia e ser o Darem que ele descobriu que é. É
uma despedida com tom de melancolia, mas também muito bonita… Darem retorna
para a Academia com Jay-Den, e depois dessa conexão intensa entre os dois e dos
olhares depois da cerimônia, somos recordados de que Jay-Den está em um
relacionamento com Kyle, que foi a Ibiza sozinho. Ainda tento ler as reações de
Darem, mas digo com certeza: se ele se apaixonar por Jay-Den, será perfeito; se
eles forem apenas bons amigos, é uma amizade linda.
Ainda assim, devo dizer também: o que Darem e Jay-Den compartilham parece
mais íntimo e mais real do que o que Jay-Den tem com Kyle. Mas vamos
aguardar.
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