Doctor Who: Season Six (2011) – Part 5


“I had to die. I didn’t have to die alone”
Uma das coisas de que mais gosto na jornada de Matt Smith em Doctor Who é a maneira como tudo estava muito bem pensado, e a trama se desenvolve de forma complexa como uma só, maior. É só no Season Finale da sexta temporada, por exemplo, que entendemos de fato a história de “Silence will fall”, presente desde The Eleventh Hour, quando Matt chegou à série. Ouvimos, agora, falar da Queda do Eleventh nos Campos de Trenzalore, história que só vai, de fato, ser finalizada em The Time of the Doctor, o último episódio do Eleventh. Não sei se Steven Moffat estava incrivelmente preocupado com toda a questão de as regenerações originais do Doctor terem se esgotado, ou se era a imensa vontade de contar uma longa história, cheia de eventos e detalhes, mas foi incrível! Eu gosto de como tudo parece um só, muito mais do que as temporadas de David Tennant, por exemplo, com suas devidas conexões, mas parcialmente independentes. Cada uma tinha seu mote. Da quinta à sétima, nós temos uma sequência ferrenha e absolutamente encantadora. Eu adoro esses roteiros!
Antes de terminarmos, de fato, a temporada, nós temos um episódio logo que o Doctor abandonou Amy e Rory para que eles pudessem viver. Então temos quem? CRAIG OWENS! E bem, nós AMAMOS o Craig! Tudo é tão fofo! Desde a chegada do Doctor com o “Oh, you’ve redecorated. I don’t like it” como tantos e tantos outros momentos memoráveis. Agora Craig tem um filho, Alfie, chamado por ele mesmo e pelo Doctor de Stormaggedon. A química dessa dupla é sensacional! Simplesmente impossível de não adorar. Tudo flui com naturalidade e muita diversão. As comparações a Star Trek, o Doctor tentando distraí-lo dizendo que o ama e quase o beijando, ao que ele responde com um tímido “Ah, eu não posso, você sabe que eu sou casado”, mas no mais gostando. E a Val sorrindo porque acha que o Doctor e o Craig são um casal é FOFÍSSIMO. Eu adoro a Amy e o Rory como companions do Doctor, mas eu acho verdadeiramente que Craig Owens seria um excelente companion e Closing Time é apenas mais uma prova disso!
“I know where it’s safest for me and Alfie and that’s right next to you”
E pausa para falarmos de Amy Pond e Rory Williams. “Craig! It’s a coincidence! It happens. It’s what the universe does for… fun”. É incrível quando o Doctor os vê na loja onde está trabalhando, investigando com Craig os sumiços causados por Cybermen. E é tão bom ver Rory e Amy felizes, vê-la assinando autógrafos por causa de uma campanha de perfume que fez. “For the girl who’s tired of waiting”. Mas o Doctor está se preparando para se despedir. Seu tempo está chegando. Sua hora de morrer. A sua cena conversando com Alfie/Stormy foi lindíssima e profundamente melancólica, dizendo que ele é tão velho, tão perto do fim. E que Alfie ainda pode ser o que ele quiser ser, e que ele espera que ele possa se divertir tanto quanto ele se divertiu. O Doctor estava tão triste! “Craig, very soon I won’t be here. My time is running out”. Estamos chegando novamente ao tempo do primeiro episódio da temporada, aquela cena no Lago Silêncio, em Utah, onde somos obrigados a lidar com a verdade da morte do Doctor.
E isso é tão difícil.
Acho extremamente digno que ele tenha alguém para estar com ele. Como o Craig diz: “He needs someone. He always needs someone. He just can’t admit it”. O Craig é um máximo. Um máximo! Um fofíssimo que age impetuosamente na tentativa de salvar o Doctor, mesmo que seja corajoso e imprudente. Mas é lindo. É lindo porque ele explode os Cybermen com amor, ao ouvir o choro de Alfie. Ah, e sobre o Alfie? Sua cena mais querida: quando Sophie volta para casa e a primeira palavra de Alfie é qual? “Doctor”. Dói. O episódio é engraçado, na superfície, mas esconde uma dor profunda de despedida. Craig não quer que ele se vá. Craig sabe que há algo de errado e que ele pode ajudar, mas o Doctor insiste que ninguém pode ajudá-lo. Os olhos cheios de lágrimas do Doctor e seu sorriso triste acabam comigo. Então ele pega os envelopes azuis de Sophie. E Craig lhe dá o chapéu que ele usa em The Impossible Astronaut. É hora. E ele sofre. Mas vai. O Doctor, tão feliz e tão triste ao mesmo tempo, conversando com a TARDIS enquanto parte para sua última viagem. Lago Silencio, em Utah. 22 de Abril de 2011.
Então tudo se arma. River Song, aquela que recolheu as impressões das três crianças que viram o Doctor entrar na TARDIS rumo à sua morte, ainda é Melody Pond, aquela que foi criada por Madame Kovarian para matar o Doctor. Prestes a cumprir sua missão, o Silêncio à sua volta, a roupa de Astronauta e, por fim, o Lago. “Tick tock goes the clock / He cradled and he rocked her. / Tick tock goes the clock / ‘til River kills the Doctor”. The Wedding of River Song, o impressionante Season Finale da Sexta Temporada, começa nos apresentando as consequências de algo que aconteceu naquele momento. E é muito interessante perceber quantas possibilidades ainda existem – e o episódio, o primeiro finale em uma só parte em muito tempo, tem muita informação se desenrolando depressa. E é bacana. Revisitamos o momento fatídico do início da temporada em que o Doctor convida seus amigos para vê-lo morrer, e cada um dos momentos é cheio, novamente, de muita tensão e bastante sofrimento…
LONDON. 5:02 p.m. 22nd April, 2011.
What happened to time?”
Nós temos uma introdução INCRÍVEL! Nos estilos das deliciosas ficções científicas dos anos 1980, as coisas saem de controle, o tempo se diverte em situações bizarras onde Winston Churchill, o primeiro-ministro dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, por exemplo, pode interagir com Cleópatra e chamar o Doctor de antiquado por não ter ouvido falar de downloads. Estamos presos em uma situação em que é, para sempre, o mesmo dia e a mesma hora. O tempo parou. Adoro os balões coloridos que carregam carros no ar, os Pterodátilos no parque, que não podem ser alimentados, Charles Dickens dando entrevista nos telões sobre o próximo Especial de Natal, que envolve fantasmas do passado, presente e futuro, tudo ao mesmo tempo. Toda a História acontece simultaneamente. E é divertido, embora perigoso. Volta o Teselecta. O Doctor luta contra um Dalek para extrair informações dele. Uma partida de xadrez “ao vivo” se desenrola em uma arena que me faz pensar no trecho mais bizarro de A.I. Inteligência Artificial. Que eu adoro.
E o Doctor não está disposto a morrer sem entender algumas coisas…
“They’re going to kill me too, very soon. I was just going to lie down and take it. But you know what? Before I go, I’d like to know why I have to die”. E, para conseguir as informações de que precisa para entender tudo o que está acontecendo e porque é tão importante que ele esteja morto, o Doctor vai até Dorium Maldovar, uma cabeça azul decapitada, que lhe explica de forma macabra: “On the fields of Trenzalore, at the Fall of the Eleventh, when no living creature can speak falsely or fail to answer, a question will be asked. A question that must never be answered”. A Queda do Décimo Primeiro. Os Campos de Trenzalore. E a Pergunta que jamais deve ser respondida. A Pergunta que nós entendemos qual é desde sempre, porque é mesmo a pergunta mais fundamental em toda a criação e em todo o curso da História: DOCTOR WHO?! Mas isso assume, talvez pela primeira vez, um terrível tom assustador, e ninguém ainda consegue entender o motivo. Precisamos de mais dois anos para que tudo se esclareça.
E por isso eu adoro o roteiro de Doctor Who!
O Doctor pensa em enganar a morte, deixar para lá. Ele tem uma máquina do tempo, pode enganá-la por quanto tempo quiser, mais ou menos como Clara Oswald atualmente faz em sua própria TARDIS. “I have got a time machine, Dorium. It’s all still going on. For me it never stops. Liz the First is still waiting in a glade to elope with me. I could help Rose Tyler with her homework. I could go on all Jack’s stag parties in one night”. Mas a morte de um amigo lhe traz de volta a realidade. A hora chega a todos, e é a hora dele. “It’s time”. Ele escreve os convites, coloca nos envelopes e pede que Teselecta os entregue. Convidando os seus amigos para assistirem à sua morte. A cena é forte. De volta ao primeiro episódio da temporada, com River Song sendo eterna e completamente perdoada, enquanto ela chora e luta contra o que ela tem que fazer, porque foi criada para isso, e a própria roupa de astronauta não permite que ela aja de forma diferente. Até que… “Hello, sweetie. […] Fixed points can be rewritten”. E então é divertido. Mesmo que, com isso, eles tenham estragado todo o tempo, que está MORRENDO.
Daí entendemos o motivo de o episódio ter começado como começou – de termos essa versão do Doctor contando os eventos de sua morte ao Winston Churchill, parado em 22 de Abril de 2011, às 17h02. “Nothing happened. And then it kept happening. Of if you’d prefer, everything happened at once and it won’t ever stop. Time is dying. It’s going to be five-oh-two in the afternoon for all eternity. A needle stuck on a record”. Tudo isso enquanto o Silêncio começa a atacar. Um risco no braço do Doctor. Dois riscos. Quatro. Incontáveis. Salvo por… “Pond. Amelia Pond”. É angustiante ver uma versão de Amy Pond com tapa-olho, e você teme ao ver o Doctor tentar trazer as memórias da Amy “verdadeira” de volta, mas é tão bom vê-lo segurar uma réplica da TARDIS nas mãos. A boa e velha Amy, de sempre. Mais ou menos, já que ela trabalha poderosa na Área 52, que é uma Pirâmide do Egito com a bandeira dos Estados Unidos, com direito a até trens! Visualmente lindo, mas extremamente confuso. Eu gosto das possibilidades dos mundos alternativos.
Ah, e o Capitão Williams.
A capacidade do Rory de estar, a cada episódio, MAIS BONITO <3
E ele fica AINDA MAIS BONITO quando ele faz aquelas coisas que apenas Rory Williams é capaz de fazer, como se sacrificar, novamente e novamente, para salvar Amy Pond. Ficando para trás, mesmo com o tapa-olho já ativo, para que possa lutar contra o Silêncio. E quando o Silêncio diz que ele morrerá uma última vez e ninguém virá salvá-lo, Amy o prova errado. E é lindo! Adoro ver Amy salvando o Rory! Também adorei como ela deixou Madame Kovarian morrer, por mais cruel que fosse – foi mrecido. “River Song didn’t get it all from you. Sweetie”. E para que tudo possa voltar ao normal, para que o tempo volte a andar e não se desfaça, a morte do Doctor precisa acontecer. E enquanto o Doctor aceita sua morte de bom-grado, River Song se recusa a matar o homem que ama. Tudo é tão intenso! Como quando eles se tocam e o tempo volta a caminhar no Lago Silencio, em Utah. Acaba rapidamente. Os sentimentos são bem representados e intensos, porque a morte do Doctor não pode ser aceita levianamente. E River Song não quer deixá-lo morrer.
Por mais que ele insista.
E o Universo responde contra sua morte. Há muita gente disposta a fazer qualquer coisa para que o Doctor possa sobreviver. “You’ve touched so many lives, saved so many people. Did you think when your time came you’d really have to do more than just ask? You’ve decided that the universe is better off without you. But the universe doesn’t agree”. Assim, o Doctor e a River se casam às pressas, ele diz alguma coisa em seu ouvido, eles se beijam e o tempo volta a correr. Os flashes rápidos são belíssimos e dolorosos. Tudo se recriando novamente. O Doctor morre no Lago. Seu corpo é cremado. E você se pergunta como ele enganou a morte. Regra Número 1: O Doctor mente. Foi rápido demais o final, mas o Doctor volta em uma belíssima conversa de River Song com a mãe. O que ele disse para River, pedindo que ela olhasse em seus olhos, onde poderia ver um Doctor em miniatura dentro da Teselecta em sua forma. Genial. E então o Doctor não está morto. Não ainda. Mas fica o presságio da Queda do Décimo Primeiro nos Campos de Trenzalore, onde a Pergunta será feita, a Pergunta da qual o Doctor foge sua vida toda…
“Doctor who?”

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