Se Eu Fosse Você 3
Mesma árvore… diferente galho.
Dirigido por
Anita Barbosa, com roteiro de Leandro Santos e com supervisão artística de
Daniel Filho, responsável pela direção dos dois filmes anteriores da franquia, “Se
Eu Fosse Você 3” chegou aos cinemas brasileiros no dia 09 de outubro de
2026, trazendo um raio caindo pela terceira vez no mesmo lugar – ou quase…
um galho diferente da árvore genealógica. Com participação especial de Tony
Ramos e Glória Pires, que protagonizaram os filmes anteriores e foram o casal a
viver a troca de corpos para aprender a resolver problemas que estavam
enfrentando no relacionamento, o novo filme é protagonizado por Cléo Pires e
Rafael Infante, como Bia e Aquiles.
O filme é
deliciosamente divertido. Ele não tem nenhuma grande surpresa e segue mais ou
menos a estrutura dos filmes anteriores, mas ele tem alma e carisma, com uma
previsibilidade aconchegante e bons momentos que rendem ora diversão e ora
emoção. É ocasionalmente acelerado e eu não gostei do momento da descoberta
da troca de corpos, por exemplo, porque acho que o ritmo não valorizou a
surpresa, a confusão e o desconforto – e entendo que talvez essa tenha sido uma
escolha criativa proposital já que é a terceira vez que isso acontece,
mas ainda assim está acontecendo com duas pessoas diferentes e já faz 17
anos desde o último filme da franquia…
Pequenos
problemas como esse não maculam, no entanto, o todo da obra, que é simpática e
competente. Cláudio e Helena, interpretados novamente por Tony Ramos e Glória
Pires, estão saindo para uma segunda lua de mel e estarão na China enquanto
tudo aquilo acontecer com Bia e Aquiles. Cléo Pires e Rafael Infante entregam
toda a diversão e complexidade necessária, e ambos estão excelentes nos papeis.
Eu gosto bastante do Rafael Infante e acho que ele é excelente para a comédia;
e Cléo Pires assume o papel da Bia em seu momento mais complexo. Afinal de
contas, a Bia já foi interpretada por Lara Rodrigues e por Isabelle Drummond
nos filmes anteriores.
Já é a
terceira atriz a interpretá-la.
Bia, que foi
mãe aos 17 anos, está atualmente trabalhando como chef de cozinha em um hotel
chique e está aguardando a visita dos jurados que podem dar ao restaurante mais
uma estrela, e eles podem aparecer a qualquer momento. Aquiles, por sua
vez, é um guia de turismo que adora esportes radicais e está se preparando para
uma corrida importante. E talvez eles estejam em fases diferentes do
relacionamento. Aquiles quer ser pai e está pensando em pedir Bia em
casamento oficialmente, embora eles morem juntos há 7 anos; Bia, por sua
vez, está focada em sua carreira, não pensa em ser mãe novamente agora, e
avalia a irresponsabilidade de Aquiles e se não é melhor eles terminarem.
Mas eles se
amam… eles se amam de verdade.
Eles só
precisam aprender a se entender. A se colocar um no lugar do outro.
É o que
acontece… literalmente. Como sabíamos e como esperávamos. Como comentei, acho
que tem coisas que acontecem aqui depressa demais, quase como se eles
estivessem com pressa de tirar isso do caminho. O despertar em um novo corpo é
uma cena breve, e “contar para a Helena e o Cláudio” não tem nenhuma
justificativa plausível, e é apenas algo implementado pelo roteiro para que
Tony Ramos e Glória Pires tivessem alguma participação direta na trama – como
conselheiros ou algo assim. Eles também contam para Maria Clara, a filha de Bia
interpretada por Valentina Daniel… aqui, eu acho que a desculpa de que “seria
impossível esconder dela” é um pouco mais plausível do que a de contar para a
Helena.
A estrutura
do filme não tem surpresas, mas funciona bem. Bia e Aquiles estão brigando no
início, o que tornou a troca possível, por essa falta de comunicação e de
conhecer bem o outro. Agora, eles precisam assumir a vida um do outro… e isso
faz com que eles se sintam mais próximos e se amem mais do que nunca. Eles
combinam de “não deixar a carreira do outro ir por água abaixo”. Por isso,
Aquiles precisa aprender a cozinhar e a comandar uma cozinha, ao mesmo tempo em
que confia na equipe treinada por Bia; Bia, por sua vez, precisa superar o medo
de altura, guiar turistas no trabalho de Aquiles e se preparar para a corrida
que acontecerá dentro de alguns dias.
Assim como
no primeiro filme de “Se Eu Fosse Você”, temos dois eventos importantes
para acontecer ao mesmo tempo: a visita dos jurados e a corrida radical. E o
filme consegue explorar o humor e nos entregar bons momentos, além de fazê-lo
com muita delicadeza e com muito coração. É bonitinho demais na maior parte do
tempo! E, no meio disso tudo, tem o Aquiles descobrindo que está grávido, e
embora ele sempre tenha querido ser pai, ele não sabe se está preparado para parir
a própria criança caso essa troca de corpos não se desfaça… de todo modo, o
tempo vai passando e eles vão vivendo como dá, cada um adentrando o universo
pelo qual o outro é apaixonado.
E se
encantando também.
Gosto de
como o filme não é pautado em uma desvalorização do trabalho alheio, como
acontecia no primeiro “Se Eu Fosse Você” por Cláudio achar que o que a
Helena fazia não era importante. Os problemas no relacionamento enfrentados por
Bia e Aquiles advém do fato de que eles são pessoas muito diferentes – o
que não é impeditivo para o amor –, e de talvez quererem coisas diferentes. Um
é aventureiro, confiante e pode soar irresponsável, embora tenha uma carreira
sólida e aquilo tenha muito a ver com a sua personalidade; outra é regrada,
determinada e gosta de estar no controle das coisas, e tem planos muito claros
dos quais não quer abrir mão.
Talvez um
precise de um pouco mais de regras e planejamento.
E a outra
precise aprender a se soltar mais e se aventurar de vez em quando.
Além do
elenco principal, o filme conta ainda com Paulo Rocha, interpretando um maître
nascido em Nova Iguaçu, mas que força um sotaque francês para poder cobrar mais,
e que parece galanteador demais em relação à Bia na opinião de Aquiles; Dan
Ferreira como Heitor, a grande competição de Aquiles na corrida e que Bia
acredita que pode estar secretamente apaixonado por ele; Yohama Eshima como
Jade, a melhor amiga de Bia e em quem Aquiles mais pode confiar para ajudá-lo
na cozinha do restaurante; e Rosi Campos como Neide, a vizinha fofoqueira que
pode ser de grande ajuda para identificar a chegada dos famigerados jurados ao
hotel…
É muito
bonito como Aquiles consegue ganhar a estrela para o restaurante de Bia – com a
sua ajuda e o seu apoio e a confiança que tem nos profissionais que foram
treinados por ela. Bia, por sua vez, não consegue ganhar a corrida radical
porque ela se machuca um pouco antes e, ainda que faça fisioterapia, seu
tornozelo não está bom o suficiente para vencer a competição… mas o Aquiles
pouco se importa. Ele está tão animado no telefone contando sobre a estrela que
isso é tudo o que importa, e essa felicidade genuína é a expressão do seu amor
por Bia. Agora, Bia quer perder o seu medo de altura de uma vez por todas,
e pretende saltar de parapente, mas Aquiles pede que ela espere 10 minutos…
Ele quer
saltar com ela.
Toda essa
sequência final É TÃO BONITA. Eu achei que eles fossem saltar de corpos trocados
e pousar nos corpos certos, mas isso acontece logo depois do pouso… quando eles
finalmente aprenderam a sua lição e descobriram que eles se amam muito
mais do que eles imaginavam que se amavam! É intenso, é bonito… o diálogo deles
é CHEIO DE AMOR e é gostoso vê-los declarar esse amor confiando nele plenamente
e nos fazendo confiar também. Então, Bia se ajoelha com o anel que encontrara
no armário quando estava no corpo de Aquiles e o pede em casamento… o que é
muito fofinho. É um “Se Eu Fosse Você” com o mesmo coração, diversão
e competência dos originais, e fruto de sua época.
Eu gostei
bastante!
Para a review de “Se Eu
Fosse Você”, clique
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