Star Wars: O Mandaloriano e Grogu (Star Wars: The Mandalorian and Grogu, 2026)

“The old protect the young and the young protect the old. This is the way”

Ambientada alguns anos depois de “Star Wars, Episódio VI: O Retorno de Jedi”, de 1983, “O Mandaloriano” é uma série lançada pelo Disney+ entre 2019 e 2023, com três temporadas, e chegou aos cinemas agora em 2026 com “Star Wars: O Mandaloriano e Grogu”, em uma história ambientada depois do fim da série, na qual Din Djarin, o Mandaloriano, é inusitadamente enviado pela Nova República para falar com os Gêmeos Hutt: ele terá que cumprir uma missão passada pelos sucessores de Jabba em troca de informações sobre o Comandante Coin, uma figura importante remanescente do Império cujo rosto ainda é desconhecido, e ele e Grogu se veem em uma aparente missão de resgate…

Com direção de Jon Favreau, que foi o criador e showrunner da série, o filme ficou aquém das expectativas da Disney em termos de bilheteria, e é um filme muito mais simples do que estamos habituados a assistir no universo de “Star Wars” nos últimos anos – mas tem um clima gostoso e aventuresco que mescla referências interessantes, personagens fofos criados para a venda de produtos, e sequências de ação bem filmadas. O roteiro simples, no entanto, é desenvolvido ao longo de pouco mais de 120 minutos, e eu acredito que o filme teria se beneficiado de um tempo de tela um pouco menor, que renderiam, ao fim do filme, um balanço mais positivo para a experiência.

Os Gêmeos Hutt pedem que o Mandaloriano vá até a Lua Shakari, onde Rotta the Hutt, filho de Jabba e, consequentemente, sobrinho dos gêmeos, está supostamente preso… Mando o encontra dividindo o seu tempo entre uma arena de luta e uma cela, mas ele não pretende retornar para “casa”: no dia seguinte, ele terá sua última luta e estará enfim livre do Lorde Janu, para fazer o que bem entender da vida – ou assim ele acredita. É interessante a visão de um Hutt que não é um vilão, ainda mais sendo ele filho de Jabba the Hutt, um personagem bastante marcado no imaginário dos fãs de “Star Wars”. E eu gosto de como o roteiro explora o que ele sente…

Rotta the Hut viveu parte da sua vida sob a sombra de seu pai: ali em Shakari, no entanto, ele descobriu pessoas que não o temem nem o desprezam por causa de quem ele é, mas que torcem por ele enquanto assistem às suas lutas. Tentando comprar o seu contrato com o Lorde Janu, o Mandaloriano descobre que os planos de Janu é que Rotta seja morto no dia seguinte, então ele precisa ajudá-lo de alguma maneira… a trama muda naquela arena de luta no dia da última luta, Mando e Rotta formam uma dupla talvez inesperada, e descobrimos que Lorde Janu se chama, na verdade, JANU COIN, e é, portanto, justamente o Comandante do Império cujas informações eles precisam…

Assim, a missão do Mandaloriano muda.

Ele a muda.

Mando escolhe ajudar Rotta a fugir dos tios e levar o Comandante Coin diretamente para a Nova República, o que parece um plano muito mais seguro do que entregar o sobrinho aos Gêmeos Hutt e esperarem que ele cumpra a sua palavra de dar informações sobre Coin – é muito mais fácil que ele avise Coin e o Comandante escape antes de ser capturado. A sua ação, no entanto, acaba gerando consequências… Coin é preso e interrogado pela Nova República, mas os Hutt não deixam de tentar capturar Rotta, além de quererem vingança contra o Mandaloriano que não cumpriu o acordo que tinha com eles. Quando ele é capturado e tem o seu capacete retirado, ele só pode fazer uma coisa:

Matá-los.

Gosto das sequências de ação que ganhamos graças à prisão do Mandaloriano, gosto do trecho do filme em que Mando está sem o seu capacete e, portanto, podemos ver o Pedro Pascal, e eu gosto de como isso garante ao Grogu a oportunidade de ter uma participação mais intensa na narrativa… Grogu é absolutamente adorável! Sua participação no filme, desde o início, rende sorrisos da audiência que não consegue não achá-lo fofo demais. Quando o Mandaloriano é envenenado, no entanto, cabe a Grogu ficar para trás mesmo depois de ele o ter mandado embora, para salvar o seu amigo, e assistir enquanto o pequenino cuida de Mando até que ele desperte é pura fofura!

Eles ainda têm coisas a resolver em Nal Hutta… o Mandaloriano precisa punir os Gêmeos por terem tirado o seu capacete, ainda que ele o tenha recuperado, e Rotta precisa novamente ser resgatado, para não ser torturado pelos próximos séculos pelos Gêmeos Hutt – além disso, ele sabe que eles não os deixarão em paz, assim como não deixarão o sobrinho em paz, a não ser que eles sejam de fato eliminados. O clímax do filme nos traz uma luta interessante entre Mando e Embo, o Caçador de Recompensas que o capturou, bem como o Grogu buscando Rotta e tendo sua ajuda retribuída por Rotta quando ele salva a sua vida, e é Rotta quem por fim enfrenta os Gêmeos até a morte…

Com Grogu usando a Força para impedi-lo de cair à morte também.

Novamente: pura fofura!

Não é uma história que realmente vá agregar muito ao universo de “Star Wars” como um todo e, portanto, eu não o considero nem de longe imperdível. Ainda assim, é um bom conto sobre a relação do Mandaloriano e de Grogu, que ao fim do filme saem na Razor Crest, agora com Mando resolvendo ensinar Grogu a pilotar a nave, bem como um evento interessante quando Rotta the Hutt escolhe ficar e trabalhar com a Nova República, além de uma breve visão sobre como as coisas estão após o fim de “O Retorno de Jedi”. Não é o filme do ano e pode passar despercebido sem que isso seja uma injustiça com a obra… mesmo assim, eu me diverti nos 120 minutos em que estive ali.

 

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