Glee 5x15 – Bash

“Nothing’s gonna harm you…”

Exibido originalmente em 08 de abril de 2014, “Bash” é o décimo quinto episódio da quinta temporada de “Glee”, e os estudantes de NYADA ganharam a tarefa de cantar Stephen Sondheim para a sua avaliação por Carmen Tibideaux, e é um episódio com temáticas interessantes, embora eu goste mais da abordagem de umas do que de outras: temos os crimes de ódio motivados por homofobia que são realidade mesmo em uma cidade grande como Nova York; temos Sam e Mercedes lidando com “a química inegável” deles e eventuais problemas quando escolhem tentar um relacionamento; e a Rachel tomando decisões questionáveis baseadas na sua incapacidade de ser contrariada. É um episódio intenso… não necessariamente bom.

O episódio começa com “No One is Alone”, de “Into the Woods”, em uma cena triste e soturna na qual a violência contra pessoas LGBTQIA+ em Nova York é evidenciada, e aos poucos isso vai aparecendo pelo episódio… temos uma cena dos amigos reunidos para uma refeição no apartamento na qual o Blaine “explica” o porquê de aquele cara a quem as pessoas estão levando velas, flores e votos de melhora ter apanhado quase até a morte: homofobia. Conforme direitos básicos são conquistados e espaços são ocupados, preconceituosos atacam pessoas na rua, mesmo em uma cidade grande como Nova York, onde existe, talvez, a ilusão de que as coisas são “melhores” ou que “as pessoas são mais evoluídas”. Infelizmente, o preconceito ainda existe em todo lugar.

Essa trama serve como introdução para um ponto importante de Kurt, quando, pouco depois de uma discussão com Rachel, ele encontra um homem gay apanhando em um beco próximo ao restaurante e se intromete para salvá-lo, sendo ele mesmo espancado… toda a sequência das ligações para avisar que ele estava no hospital me deixou tenso, triste, angustiado e sufocado. É bonito como tudo o mais parece desimportante enquanto eles estão ali, torcendo para que o Kurt fique bem, e a performance de “Not While I’m Around”, de “Sweeney Todd”, é profundamente sentimental. Kurt não se arrepende, mesmo que por fora tudo doa: por dentro, ele se sente bem consigo mesmo. E é com essa força que ele faz sua avaliação cantando “I’m Still Here”, de “Follies”.

Escolha perfeita.

Enquanto isso, Sam e Mercedes realmente parecem incapazes de negar a química entre eles, e eu acho o Sam um fofo e um querido… amo a cena do casaco, por exemplo, e a Mercedes está ótima quando canta “(You Make Me Feel) A Natural Woman” no carrossel. A tentativa de namoro quase é interrompida pela opinião das backing vocals de Mercedes, que não acham que fará bem à sua carreira que ela namore um cara branco, e por algum tempo a Mercedes cogita terminar com Sam por causa disso – eventualmente, ela volta atrás. A performance de “Colorblind”, uma música da própria Amber Riley, é bastante emotiva, e talvez toda a coisa do Kurt mexa com eles e eles não queiram ignorar o que sentem por causa do que outras pessoas podem pensar…

Por fim, temos a Rachel… e posso dizer que a Rachel está viciada em errar? Para poder fazer a sua Avaliação de Inverno, ela pede liberação de 2 horas do ensaio de “Funny Girl”, mas ela não atende aos requisitos de Carmen Tibideaux: ela canta Stephen Sondheim, mas ela não faz uma apresentação solo como era a proposta: ela e Blaine cantam “Broadway Baby”, também de “Follies”, e Carmen Tibideaux anuncia que os dois terão a chance de remarcar as suas avaliações, ou então serão reprovados. Blaine o faz, mas Rachel se recusa… e não é só porque ela não consegue uma nova liberação em “Funny Girl”, o que ela nem quer tentar, mas porque ela não acha que fez algo errado e não acha que as regras se aplicam a “uma estrela da Broadway” como ela.

A imaturidade de Rachel incomoda. Carmen Tibideaux estava certíssima em tudo o que lhe disse: ela não é a primeira supernova a passar por NYADA, e ela de fato é muito talentosa, mas ela não está acima das regras, e ela é incapaz de seguir orientações e aceitar apontamentos ou correções. Ela se sente superior, invencível, e embora Tibideaux esteja certa e Kurt tente falar com a amiga sobre a importância de terminar a faculdade, ela simplesmente abandona NYADA… depois de tudo, ela abandona a faculdade, porque ela acha que “a faculdade já não é mais para ela”. Ela acha que, se está na Broadway no seu papel dos sonhos, isso é tudo o que importa. É uma visão limitada, imediatista, egocêntrica e imatura pela qual o roteiro não pensa em cobrá-la.

 

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