O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (Terminator: Dark Fate, 2019)



“Once, I saved three billion lives… but I couldn’t save my son. A machine took him from me. And I am terminated”

 

Lançado em 2019, “O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” é o sexto filme da franquia, e tem como proposta trazer a história de volta a algo mais semelhante com o que foi feito lá no início, nos filmes de 1984 e 1991 – para isso, temos o retorno de Linda Hamilton como Sarah Connor e de Arnold Schwarzenegger como o T-800 (agora “Carl”), em uma história bem mais simples, mas que funciona, embora se pareça demais com o que já foi feito antes… uma nova Inteligência Artificial é a líder da revolta das máquinas e, com isso, também temos uma nova liderança na Resistência Humana: e essa liderança precisa ser protegida em algum momento do passado para garantir sua ação no futuro, enquanto Exterminadores estão sendo enviados para acabar com ela.

As primeiras cenas de “Destino Sombrio” nos levam à ideia de Julgamento Final – aquilo sobre o que Sarah Connor tentou avisar o mundo na década de 1990, e que ela e o filho conseguiram impedir que acontecesse em 1997. A derrota da Skynet não significa, no entanto, a vitória da humanidade, porque “ela nunca aprende”. Em 1998, Sarah e John Connor são encontrados na Guatemala por um Exterminador T-800 que enfim é bem-sucedido em tirar a vida de John Connor, pela primeira vez na franquia, colocando em andamento novos eventos e um futuro desconhecido… embora não tão diferente do futuro que os outros filmes previram. Talvez alguns eventos tenham sido “adiados”, mas eles estão para acontecer. O Julgamento Final ainda é uma ameaça.

O filme se passa em 2020, 22 anos depois da morte de John Connor, e somos apresentados a novos personagens, dentre eles Daniella Ramos, uma figura importante da Resistência Humana, e que precisa ser protegida, assim como Sarah Connor precisava ser protegida em 1984… para matá-la, o futuro envia um Exterminador Rev-9, mais avançado do que qualquer outro Exterminador que tenhamos conhecido na franquia; para protegê-la, uma Humana Aprimorada chamada Grace é enviada de 2042. E, então, temos a dinâmica conhecida de “O Exterminador do Futuro”, com direito a novas armas, truques, dificuldades e bastante ação, que eu acho inferior a alguns outros filmes da franquia, porque há algo de muito artificial no gráfico de várias cenas.

Gosto bastante de como o filme vai se construindo ao mesmo tempo em que entrega ação frenética, um tom de nostalgia e várias pequenas referências, tanto visualmente quanto no texto. Toda a sequência que coloca Dani Ramos nessa história traz uma perseguição de carros e a participação de Diego Boneta como o irmão de Dani, Diego Ramos, e eu confesso que fiquei um pouco triste ao vê-lo morrer… mas a história gira em torno de Dani, e é ela quem Grace está tentando salvar incondicionalmente. Felizmente, apesar dos desafios que Grace enfrenta (ser uma Humana Aprimorada traz vantagens e, também, dificuldades extras), ela recebe a inesperada ajuda de uma mulher que aparece para ajudar contra o Exterminador no lugar e hora exata…

Sarah Connor.

Conhecemos uma Sarah Connor mais velha, bem durona e pronta para a guerra! Durante todos esses anos desde a morte de John, em 1998, Sarah recebeu mensagens anônimas com coordenadas de lugares onde Exterminadores precisavam ser impedidos – e todas as mensagens terminavam da mesma maneira: “Por John”. Durante anos, esse foi seu propósito: impedir que Exterminadores tirassem de outras pessoas o que foi tirado dela… Sarah se junta a Grace na proteção de Dani por entender que a Dani “é a nova Sarah Connor”, de alguma maneira: ela imagina que Dani dará à luz ao líder da Resistência e por isso precisa ser protegida. Dani, na verdade, não dará à luz ao líder da Resistência… ela é a própria líder que precisa ser protegida.

O caminho do trio, enquanto são perseguidas pelo Rev-9, leva a um antigo conhecido… Grace consegue identificar, com alguns “truques do futuro”, de onde as mensagens são enviadas para Sarah Connor, e as coordenadas coincidem com as coordenadas tatuadas no seu corpo para que ela buscasse ajuda caso precisasse – e, assim, elas terminam na casa de um tal de “Carl”, um homem que faz cortinas e que descobrimos se tratar do antigo Exterminador T-800 – o mesmo que tirara a vida de John Connor em 1998. Então, Sarah precisa lidar com traumas e com o desejo de vingança ao mesmo tempo em que o T-800/Carl parece ser a única esperança para enfrentar o avançado Rev-9… e Grace e Dani estão dispostas e pedir e aceitar sua ajuda.

Sabemos que Exterminadores são capazes de desenvolver consciência, porque já vimos isso acontecer anteriormente, até mesmo em “O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final”, quando o T-800 ficou amigo de John, então não é uma grande novidade. Não é fácil para Sarah, naturalmente, mas não é impossível de acontecer… Carl não se tornou inteiramente humano porque não pode, mas ele chegou muito perto disso ao construir uma família e querer protegê-la, e ele teve mais de 20 anos para aprender tudo o que podia sobre as pessoas ao seu redor e sobre esse mundo… e sua iniciativa de mandar aquelas coordenadas a Sarah Connor durante todos esses anos também é uma demonstração de humanidade, porque ele queria “lhe dar um propósito”.

Assim como ele ganhou um ao conhecer a sua família.

Conforme o filme avança ao seu clímax, entendemos porque Dani Ramos é importante e como ela se tornou líder da Resistência… Grace explica a história do seu futuro, diferente do futuro impedido por Sarah Connor, e fala sobre a ascensão da Inteligência Artificial chamada “Legião”, e como foi Dani quem a resgatou e quem a criou – agora, ela está ali para salvar a sua vida, ainda que isso lhe custe a sua. Grace está disposta a tudo para proteger Dani e para mantê-la longe de qualquer perigo, mas Dani não quer ficar à parte da ação porque, se ela não fizer nada agora, não haverá nenhum futuro com o qual se preocupar… é por isso que ela aceita ser “isca” para atrair o Rev-9, quando eles finalmente têm um plano que não envolve apenas “fugir”.

Eles podem matar o Rev-9.

A sequência de ação do final do filme me fez pensar muito nos filmes de 1984 e de 1991, porque vemos os protagonistas enfrentarem um inimigo que parece quase impossível de ser vencido, e assim como o Rev-9 sai do meio das chamas e se reconstrói rapidamente, os protagonistas também não desistem, mesmo quando parece que não há mais nada a ser feito… a sequência envolve lealdade, sacrifício e determinação, e termina com a derrota de Rev-9: Grace se sacrifica porque ela está machucada e a sua fonte de energia é a única coisa que pode matar o Exterminador, e Carl se joga junto com o Rev-9 para garantir que ele não possa escapar até que a fonte de energia tenha feito o seu trabalho e ele esteja realmente fora de funcionamento.

Se os filmes anteriores nos ensinaram algo é que Dani Ramos não vai ter uma vida tranquila de agora em diante. A humanidade não aprende e sempre vai proporcionar maneiras de a Inteligência Artificial se voltar contra ela, por isso o futuro apocalíptico parece quase inevitável; mas a humanidade também sempre resistirá. Em algum momento do passado, essa Resistência tinha a cara de John Connor; hoje tem a cara de Dani Ramos; em outro momento talvez tenha outro rosto, mas uma coisa é certa: resistiremos. Assim como a Sarah Connor do primeiro “Exterminador do Futuro”, Dani Ramos termina “Destino Sombrio” mudada para sempre… sua vida não é mais a mesma, e agora ela tem algo muito maior do que ela pelo que lutar…

E, curiosamente, na companhia de Sarah Connor.

Não sei se “O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio” de fato acrescenta algo que seja imprescindível para a franquia, mas não vejo isso como um problema… é um retorno às origens, e o filme parece ter sido construído sobre o princípio de que “menos é mais”. Eu confesso que imaginei algo muito mais “mirabolante” para esse filme com o retorno de Sarah Connor e do T-800, como uma sequência direta de “O Julgamento Final”, e ganhamos um filme com roteiro simples e linear, mas que funciona muito bem dentro da sua proposta. Eu sempre fui um apaixonado pela franquia “O Exterminador do Futuro”, então o que posso dizer? É interessante retornar a esse universo, acho que é uma proposta que vale a pena visitar várias vezes…

 

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