Chiquititas Brasil (2ª Temporada, 1998) – Mili precisa tomar uma decisão sobre JP
Paris?
Toda a
história de Açucena Urien fez com que Mili sofresse muito… sua intenção nunca
foi magoar o JP, mas ainda assim ela se passou por outra pessoa durante algum
tempo e iniciou com ele um relacionamento – não acho uma extrapolação que ele
se sinta enganado ao descobrir toda a
verdade. Assim, quando a história de que “Mili e Açucena são a mesma pessoa”
vem à tona, os dois se afastam, sofrendo simultaneamente. Mili, inclusive,
passa alguns dias na casa de campo dos pais de Carolina e Beto, para “se
distrair”, mas precisa retornar para a cidade quando Pata e Vivi ligam para ela
contando que “o JP vai se mudar para Paris”. A possibilidade de nunca mais
vê-lo faz com que ela queira retornar para conversar com ele…
Nem que seja a última vez.
Mili parece
chegar tarde, no entanto. Ela corre até a casa ao lado assim que chega de
viagem, mas tudo está fechado e a notícia que o Alfredo tem é que, a essa hora,
o avião levando JP e Linda já deve ter decolado… então, Mili precisa reviver
toda a sensação de perda, dessa vez sabendo que o JP está distante – e isso se
prolonga por dias, nos quais ela conversa com ele por mensagens no computador,
até que ela descubra que, no fim, ele nunca foi embora… ele marca um encontro
com ela no parque e é uma cena bonitinha na qual os dois estão inteiramente felizes por estarem juntos,
como se tudo o que aconteceu de ruim não tivesse mais importância. Porque,
naquele momento, não tem. A reconciliação, no entanto, não traz apenas
felicidade.
JP anuncia
que ele ainda vai se mudar para Paris, embora não tenha ido como dissera, e ele
convida Mili a ir com eles, dizendo que a mãe pode ser a sua responsável e que
ela vai ter oportunidades de estudo no outro país – e isso deixa a Mili
divididíssima: a proposta parece irrecusável, mas ela não sente em seu coração
a vontade de ir, porque não quer
deixar tudo o que ela tem para trás. Miguel, por sua vez, está inconformado com
a possibilidade, e eu acho bastante irônico pensar que, de alguma maneira, ele
tem participação nisso… quer dizer, ele impediu a Mili de ler uma carta maldosa
que Linda Ribeiro escrevera para ela e a substituíra por uma carta falsa na
qual a mãe do JP a elogia… quer dizer, se
Mili soubesse a verdade, talvez ela nem cogitasse ir!
Agora, o JP
pode mencionar “a carta que Linda escrevera” como um argumento para convencer a
namorada a viajar com ele. Parece absurdo e envolveria um monte de coisas
legais, e Mili diz em voz alta que quer ir, mas percebemos que ela está
tentando convencer a si mesma de que é isso o que quer… as meninas, por sua
vez, ficam arrasadas: quer dizer, a Mili sempre
esteve no Orfanato Raio de Luz, antes de qualquer uma delas, e elas não
conseguem pensar naquele lugar sem ela. A Pata, particularmente, está arrasada
e brava, mas é como a Bia diz: a Mili é
amiga de todas elas – inclusive, teria sido um bom momento para estrear “Amigas”, mas ainda não vemos o clipe na
novela. Carolina também se sente exatamente como as meninas…
“Eu nunca pensei que a Mili pudesse ir embora. […] A
Mili é a alma dessa casa”
Pensando de
fora, me parece que a única escolha possível para a Carolina era não deixar que a Mili fosse – e o Miguel
espera que seja essa a sua decisão. Ela não quer privar a Mili de algo que pode ser uma grande oportunidade, no
entanto, e a Carmem faz questão de pressionar a Carolina, porque ela acha que,
se a Mili for embora, ela estará automaticamente livre do “fantasma” de Miguel
também, e o seu discurso sobre como “se a Carolina impedir a Mili de ir será
por puro egoísmo” é potente e causa uma impressão em Carol. Então, ela acaba
autorizando a viagem, já que a Mili age como se quisesse ir, e a “despedida”
dela se prolonga por dias, conforme todo mundo parece de luto com a sua
possível partida… gosto muito da cena
dela com as meninas no quarto.
São tantas histórias, tantas memórias.
Elas choram e juram ser amigas para sempre.
Mili só muda
de ideia no dia de sua viagem mesmo.
Ela está arrumando as malas com a ajuda das outras meninas e JP lhe envia
açucenas de presente, o que é o primeiro sinal… mais tarde, no seu
escritório/Ateliê de Arte, Mili expressa dúvidas sobre ir ou não e JP diz que
ela tem que ir e a chama de “Açucena”, o que faz a Mili se sobressaltar e dizer
que “ela não é a Açucena” – ao que o JP responde que “é tudo a mesma coisa”.
Aquela foi a gota d’água. Todas as dúvidas que a Mili já tinha parecem lhe dar uma resposta naquele momento, então ela
diz que não vai para Paris com ele… eles não se separam brigados, embora haja
um breve desentendimento, mas Mili toma a sua decisão e diz que não quer deixar
aquilo tudo e, principalmente, ela quer
ser ela mesma.
A Mili. Não
a Açucena.
Então, o JP
vai embora sem ela.
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