Dark Matter (Matéria Escura) 2x05 – Love and Be Loved

“Please just let me find a world where I can love and be loved”

Talvez O EPISÓDIO MAIS EMOTIVO DA SÉRIE. Exibido originalmente em 25 de setembro de 2026, “Love and Be Loved” é o quinto episódio da segunda temporada de “Dark Matter” e começa do ponto onde terminou a primeira temporada, quando um dos Jasons estava fugindo daquele mundo cheio de Jasons com Daniela e Charlie – e acompanhamos um dos Jasons que ficou para trás, aquele que liderou a ajuda à sua outra versão, desejou que eles fossem felizes e pediu que Jason cuidasse da família… aquele Jason Dessen que, sem muita esperança, pensou em tirar a própria vida, mas recuou eventualmente, resolvendo fazer uso da única asa lilás que lhe restava.

E, então, ele usa a Caixa e encontra outro mundo – um mundo no qual ele procura a mãe e um mundo no qual o Jason daquela realidade morrera aos 16 anos de idade. O reencontro dele e da mãe é profundamente doloroso e emocionante. A dor dela relatando que, quando o vira pela última vez, ele estava em uma maca no necrotério, e ela está feliz em vê-lo novamente. Jason tem, agora, onde morar, mas sua primeira escolha não é exatamente viver… ele está apenas levando, bebendo sem parar, e é só quando, algum tempo depois, sua mãe pergunta se “o seu plano é beber até morrer” é que ele percebe que não pode fazer com que aquela mulher sofra a perda de um filho de novo.

É um episódio lindíssimo e íntimo, que lida com o luto, a desesperança e o recomeço. Aos poucos, Jason volta a viver, ainda que limitado por uma ferida que sempre estará ali. Mas ele começa a fazer consertos na casa, a construir cadeiras, a ler… e quando ele encontra um segundo Jason vivendo na rua, ele o leva para casa. O episódio todo tem uma característica de ser muito silencioso e contar a sua história principalmente de maneira visual, o que dita o ritmo e o tom do episódio. A mãe que perdera o Jason aos 16 anos tem, agora, dois Jasons com quem divide um jantar no Dia de Ação de Graças ou com quem abre presentes na manhã de Natal…

Tanto Jason quanto a mãe estavam perdidos… e se deram uma sobrevida.

Com o tempo, no entanto, a mãe fica doente, e isso nos entrega o que deve ser a cena mais linda e também a mais triste do episódio, quando Jason se senta com “A Sociedade do Anel” para ler para a mãe, lembrando-se de como era o livro que ela sinalizava para ele quando ele tinha 10 anos. A emoção estampada em seu rosto ao lembrar-se de boas memórias com a mãe ou a maneira como ele sinaliza para ela o livro, como ela costumava fazer, e como isso cede lugar à leitura do mesmo trecho no funeral da mãe. Funciona como um soco no estômago, mas também é tão marcante e tão belo. São cenas emocionantes que transmitem uma imensa sinceridade.

É profundamente humano!

Antes de morrer, a mãe conversa com Jason sobre recomeçar… sobre, quem sabe, começar a sair com alguém, porque “um dia ele vai acordar e descobrir que está velho e sozinho”, e ele de fato acaba conhecendo alguém: Maria, a dona de uma livraria. A cena da livraria é muito bonita e algo parece estalar entre eles, e o episódio nos conduz na mesma pegada bastante silenciosa: nós assistimos ao jantar deles em um restaurante do lado de fora da janela, sem ouvirmos o que eles estão dizendo, mas percebendo as mãos juntas sobre a mesa. Percebemos que Jason está dando os primeiros passos rumo a um possível recomeço, embora ainda não esteja totalmente pronto.

Sem diálogos, entendemos o momento em que ele é sincero com ela e conta toda a sua história e, por um momento, ela se afasta porque é muita coisa para absorver. Começa na maneira como ela toca o elástico em seu dedo substituindo uma aliança, e o vemos levá-la até o túmulo do seu eu de 16 anos daquela realidade, que morreu anos antes, e até a Caixa, agora abandonada e pichada. O período afastado de Maria dura apenas até o funeral da mãe de Jason: nesse dia, ela reaparece e o abraça, e percebemos que, ali, eles estão ambos prontos a recomeçar. E o episódio vai nos conduzindo por toda essa história com pouquíssimos diálogos e muita emoção.

O momento em que Maria encontra o caderno de campo de Jason é, para mim, um dos mais bonitos e impactantes do episódio. Ali, ele escreveu sobre ter perdido tudo: o amor da sua vida, o seu filho, a sua casa… ele só quer encontrar u m mundo no qual ele possa amar e ser amado. E foi justamente o que ele conseguiu: tanto com a mãe, no tempo que eles puderam passar juntos, quanto com Maria agora. Ela o recebe naquela noite com tanto carinho, com tanto amor! E o episódio termina com o Jason de fato seguindo em frente… enquanto comprava flores para Maria, com quem está indo morar agora, ele encontrou Daniela, que o ajudou a escolher as flores…

Agora, ele tira o elástico do dedo e o guarda. Simbólico demais.

E sua expressão está mais leve do que em qualquer outro momento do episódio.

Ele está pronto para seguir em frente, para amar e ser amado, para ser feliz… para viver.

EPISÓDIO LINDÍSSIMO!

 

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