Chiquititas Brasil (2ª Temporada, 1998) – A partida de Guille
Uma decisão importante.
Guille foi,
até o momento, a criança que passou menos
tempo no Orfanato Raio de Luz… ele chegou, em caráter temporário, trazido
pelo Dr. Ferrashi por causa de uma fundação à qual ele ajuda e que atende
crianças com altas habilidades – Guille é um garoto que, em um primeiro
momento, parece ter dificuldade para interagir com as outras crianças, mas que
vai aos poucos ganhando o seu espaço na vida de todos. O personagem, no
entanto, embora seja um dos personagens principais da segunda à quarta
temporada na versão argentina de “Chiquititas”,
acaba saindo aproximadamente dois meses depois de sua introdução – o restante
de suas histórias ficará para um personagem que ainda não apareceu no Brasil,
mas que se chamará “Samuca”.
O primeiro
contato de Guille com os meninos foi péssimo.
Eles tentaram presenteá-lo com uma camiseta do time de futebol do orfanato e
ele disse que “não gostava de futebol”, e nenhum lado foi muito capaz de
entender o outro… acredito que Guille passou por maus-bocados na mão dos outros
meninos do Raio de Luz durante um bom tempo, com eles o enganando para que ele
arrume o quarto para eles, por exemplo – a não ser pelo Júlio, com quem ele se
deu bem logo de cara e foi importante para ajudar a perceber algumas coisas que
faziam com ele e que eram erradas. Eventualmente, Guille acaba ficando amigo de
Poliana e a ajuda a enfrentar a realidade de que ela perdeu o seu pai, com direito a uma cena linda com uma mensagem
em uma pipa.
Fernando
também foi importante para ajudar o Guille, embora eu ache que tudo foi raso e
apressado, até porque o personagem não fica tempo o suficiente na trama. Mas
Guille pode trazer à trama toda uma discussão sobre neurodivergência que era
menos discutida na época, e Fernando, como médico, talvez o entenda melhor do
que as outras pessoas – ele tem estratégias para fazer com que o Guille se
abra, por exemplo. Fernando o convida para ir
pescar com ele, por exemplo, e o Guille quase desiste de ir, mas Fernando
acaba o convencendo sem parecer que ele está tentando, e aos poucos o Guille
vai se soltando, o que deixa a Carolina bastante contente… afinal de contas,
ela quer que o Guille se sinta à vontade no orfanato.
A partida de
Guille pega todo mundo de surpresa: o Dr. Ferrashi chega com a notícia de que eles
conseguiram para ele uma bolsa de estudos nos Estados Unidos, aonde ele vai
poder usar todo o seu potencial e estudar com outras crianças como ele, e é o
próprio Guille quem deve decidir se ele vai embora ou se ele vai continuar…
para protelar essa decisão que o deixa ainda confuso, Guille se envolve em toda
a história com Poliana e não decide nada enquanto isso não estiver resolvido.
As crianças, por sua vez, não parecem lidar muito bem com a partida de Guille,
com comentários sobre como “ele acabou de chegar e já vai embora” e a dúvida
sobre a possibilidade de qualquer um
deles também ter que ir embora do Raio de Luz em algum momento.
É a primeira
criança de quem eles precisam se despedir, e isso abre portas importantes em “Chiquititas”, eu diria. A novela será
marcada por novos rostos e despedidas dos mais variados tipos, e é com o Guille
que as crianças são convidadas a entrar essa finitude. Guille está triste,
talvez como reflexo do ator que o interpreta, mas ele está decidido de que ir é
o melhor para ele, e as crianças organizam uma despedida que conta com
presentes – Maria convenceu a Carolina a usar o dinheiro do prêmio que ela
ganhara de um concurso da Carmem para comprar um computador para o Guille, e os
outros prepararam coisas eles mesmos para o amigo – e uma guerra de tinta que
representa os últimos sorrisos e risadas de Guille no Orfanato Raio de Luz.
Confesso que
o Guille não é um personagem realmente
marcante de “Chiquititas”. Se pensamos em uma novela de quase 800 capítulos
da qual ele participou por aproximadamente 40, realmente foi um período muito
curto – mas, assistindo novamente à novela agora adulto, eu fiquei realmente
sentido com a sua partida, porque penso no quanto deve ter sido difícil,
também, para o ator… tendo conhecimento de que os atores que interpretaram o
Guille e o Beto são irmãos na vida real (!), eu fiquei prestando muita atenção
no momento da despedida dos dois, e é muito fofo além da ficção, uma vez que não existe nenhuma história em
particular entre os personagens, mas Beto o abraça carinhosamente quando ele
está indo embora.
Teremos
muitas despedidas pela frente…
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