Abandono, Volume 1 (Meg Cabot)


Sozinha. Desacreditada. Abandonada. Desde que Pierce Oliviera passou por uma experiência de quase morte, sua vida mudou. Dois anos depois, ela só quer recomeçar numa nova cidade. Afinal, uma menina de 17 anos precisa de alguma normalidade, não? O que ninguém sabe é que Pierce conheceu o misterioso John no mundo dos mortos, e agora o rapaz não a deixa em paz… nem sai de seus pensamentos. Sem saber se John gosta dela ou a odeia, Pierce tenta ao máximo manter distância – mas isso pode ser mais difícil do que pensava…

Quando você descobre que Meg Cabot é fã de Doctor Who! ^^
Eu descobri o livro por acaso, passeando pelo shopping em outra cidade… e fazia algum tempo desde a última vez em que li Meg Cabot. Na última contagem aqui em casa, eu tenho 39 livros da autora, dos quais li 28 – e eu sempre adoro suas leituras. Abandono é o início de uma nova série, com uma temática meio macabra colocada em uma linguagem adolescente, mais ou menos da maneira como ela adora fazer, de todo modo. Uma leitura rápida e gostosa, que te prende do começo ao fim… eu comecei a ler o livro, e o terminei bastante depressa, sem vontade de largá-lo. Um capítulo mais envolvente do que o outro, e mistérios instigantes que te fazem querer virar a página.
Parece isso que Meg Cabot faz com seus leitores continuamente. Tendo lido 28 livros da autora, eu me considero um fã e apaixonado por seu trabalho. Mesmo com similaridades recorrentes… minha primeira impressão, começando a ler Abandono, era que me lembrava um pouquinho A Mediadora. Depois eu me dei conta de que não era tão bom quanto. Mas era suficientemente interessante em sua distinção para me prender. Tem tudo o que os leitores de Cabot adoram: uma protagonista divertida, um galã misterioso que te diz o tipo de Meg (ela adora esses cabelos compridos e cacheados, huh?), uma série de mistérios para embasar um romance platônico que é bonito. Mas, claro, toda a história além de um simples “romance”. Estilo Meg Cabot.
Abandono é a história de Pierce Oliviera, que morreu aos 15 anos. Depois de morrer, ela se encontrou em um lugar muito interessante – não, ela não viu uma luz, um túnel, nada disso… ela se encontrou numa praia gélida e com muito vento, designada a uma fila curta, com velhinhas simpáticas e homens procurando torre de celular, em oposição a uma segunda fila, muito mais agitada, cheia de pessoas querendo trocar de lugar. Cada uma esperando uma barca, cada uma com um Destino Final… é quando ela vê John em seu cavalo, o mesmo John que conheceu aos 7 anos, no enterro de seu avô, que foi responsável por ressuscitar um passarinho. E ao deixar a fila para falar com ele, sua vida toda muda, pois ele a leva para sua casa, lhe dá um belíssimo diamante como presente, e anuncia que ela ficará ali para sempre.
Isso é, se ela não tivesse jogado uma xícara de chá quente nele e fugido.
Foi assim que ela voltou à vida. Dizem que a água da piscina na qual se afogara lhe causou hipotermia, que ela acordou com a injeção de adrenalina no coração. Talvez. Ou não. O que importa é que Pierce Oliviera voltou de sua experiência de quase-morte como uma pessoa diferente. E o colar (com o diamante, presente de John) supostamente lhe protegia do “mal”. Embora o livro pareça realmente muito introdutório, é uma boa história: Pierce precisa se adaptar a uma nova vida, uma nova escola em uma nova cidade, Isla Huesos, e lidar com as coisas ruins que parecem acontecer com as pessoas ao seu redor. Hannah e Jade, por exemplo. Enquanto John sempre parece estar presente em momentos críticos, como se a seguisse, ou a protegesse. Encontros no cemitério, ou do lado de fora de casa, perto de uma tempestade, para salvar uma lagartixa na piscina.
Adorei como as coisas se misturaram, e como tudo foi se encaixando. Especialmente as partes do sacristão Richard Smith, personagem (gay!) muito diferente do que eu imaginava, e o penúltimo capítulo revelador sobre a avó de Pierce Oliviera, com informações nas quais eu nem tinha parado para pensar. Além daquele começo que me lembrou muito Doctor Who (“Don’t blink!” devia ser patenteado por DAVID TENNANT \o/), tivemos muita Mitologia Grega. E vocês sabem como eu sou com Mitologia… o mito de Pérsefone e Hades nem é dos meus favoritos, mas é interessantíssimo ver essa nova versão do Mundo Inferior, possivelmente associada ao Mundo Inferior de Hades no qual Pérsefone fora feita prisioneira, ou ainda as Fúrias…
Impossível não pensar em Percy Jackson e a professora de álgebra!
Por fim, também é legal esse tema que ela aborda de maneira tão descontraída e, de alguma maneira, tão séria: o que tem depois da morte? Isso é uma dúvida geral da humanidade, e várias religiões tentaram e tentam explicar de uma maneira diferente. Cada uma parece possuir sua própria versão do Paraíso e do Inferno, e faz parte do imaginário público: fascina! Não sei se o que Pierce Oliviera viu quando morreu faz algum sentido, e provavelmente não saberei enquanto não morrer, mas que é uma alternativa plausível e legal, isso o é. E nos faz pensar em quais são nossas crenças, e no que podemos ou escolhemos acreditar… talvez seja bem Mitologia Grega, certo, mas qual é o sentido na luz no fim do túnel mesmo? Ah sim, a ciência explica. Mas o que é que eles sabem sobre a morte sem ter morrido?

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