Último Capítulo de “Além da Ilusão” (19 de agosto de 2022)

“Ser mágico é um ato de amor”

Depois de 167 capítulos, “Além da Ilusão” chegou ao fim no último dia 19 de agosto – e, infelizmente, eu me despeço da novela mais com uma sensação de alívio do que de “sentirei saudade”. Tive milhares de críticas à trama e à maneira como ela foi conduzida, detesto a maneira como o personagem do Davi foi escrito, sempre endeusado e cheio de conveniências a seu favor, acho, inclusive, que existem outros pontos problemáticos no roteiro de “Além da Ilusão”, mas eu cheguei até o fim porque me comprometi comigo mesmo a isso – não quer dizer que eu vá me estender mais do que o necessário no comentário do último capítulo, porque a novela já não era para mim há muito tempo. Não consegui sentir a emoção que a novela tentou evocar na maior parte do tempo, mas fico feliz porque o último capítulo praticamente não teve nada de Isadora e Davi.

O que é inusitado… com as coisas já resolvidas antes (o Davi sendo inocentado não apenas da morte da Elisa, mas de todo crime que cometeu depois, ganhando quase um “agradecimento” do verdadeiro Rafael Antunes, o que foi uma das cenas mais vergonhosas que eu já vi), não havia nada do casal principal a ser muito desenvolvido – FELIZMENTE, porque isso nos deu tempo de acompanhar algumas outras tramas que tiveram conclusões interessantes, como a do Matías e a do Joaquim. Agora, se você é fã da Olivia e do Tenório, o último capítulo foi um desastre, porque eles foram completamente ignorados de uma maneira que eu julgo até desrespeitosa, mas falarei disso mais tarde. A única história breve de Davi no capítulo foi a conclusão do seu quase afogamento, mas Úrsula não foi uma vilã competente e Joaquim conseguiu salvar a vida dele.

Matías, naturalmente, rouba a cena. Durante TODA a novela, eu SEMPRE elogiei duas atuações em especial em “Além da Ilusão”: a de Paloma Duarte como Heloísa, e a de Antonio Calloni como Matías… e são de Matías as minhas cenas favoritas no capítulo final. Atormentado por tudo o que fez, por tudo que lhe falaram e por tudo que ele ouviu (como a Heloísa dizendo que ele nunca fez ninguém naquela casa feliz, e que “era melhor que ele nem existisse”), Matías escreve uma carta de despedida, se veste como juiz uma última vez e decide cometer suicídio. Matías é um caso inusitadíssimo, porque nós sabemos o monstro que ele foi, todas as atrocidades que cometeu e pelas quais precisava pagar, todo o sofrimento que causou e, ainda assim, Antonio Calloni consegue encher o personagem de tanta humanidade que acho muito difícil não se emocionar com ele.

Matías é um caso no qual a atuação transcende o texto, e Antonio Calloni o torna um personagem grandioso – foi, definitivamente, uma das histórias mais interessantes de se acompanhar durante “Além da Ilusão”. Sabendo que nada do que faça ou diga fará com que as pessoas o perdoem, Matías se prepara para partir, dizendo que “fala com Deus” e que, felizmente, Deus o perdoou… para não ir ao manicômio, ele prefere se matar, porque “seu lugar é ao lado de Elisa”. Pouco depois, então, Leônidas encontra a carta de Matías, todos saem em busca dele, e pessoas da vila o viram vestido de juiz indo até o lago, mas agora só tem uma canoa vazia no meio do lago. Uma pena que Antonio Calloni entregue uma cena tão perfeita e tão emocionante, e logo em seguida tenhamos o Leônidas tentando a todo custo quebrar essa emoção.

Outro personagem que me emocionou foi o Joaquim, e eu também preciso dizer: Danilo Mesquita ARRASOU na atuação. Talvez eu tivesse gostado mais de um Davi Jardim se interpretado por ele… ou não, porque o personagem era muito mal escrito e a autora ia a lugares inimagináveis para defendê-lo. Como Joaquim, no entanto, Danilo Mesquita entregou uma atuação impecável, que nos enervou e nos revoltou, antes, mas que nos emocionou nessa reta final… como comentei exaustivamente em meu texto anterior, eu acreditei na mudança de Joaquim, porque eu acho que ele era um dos poucos personagens que tinha, de fato, espaço para esse crescimento, para essa “redenção”. Depois de ter descoberto que Úrsula não era sua mãe biológica, ele foi em busca de Margô, que era a única que podia lhe dar informação sobre seus verdadeiros pais.

Assim, Joaquim consegue o endereço e o telefone de seu pai, Alfredo Gomes, e foi, infelizmente, uma cena rapidinha e breve, mas que me fez chorar como nenhuma cena do Davi conseguiu – “Eu sou Joaquim Alves… eu acho que você é meu pai”. A cena se torna bonita pela sinceridade da atuação em tornar aquele momento, por mais breve que seja, impactante, e ele é. O abraço de pai e filho, provavelmente depois de Alfredo ter buscado por Joaquim durante sua vida inteira, e a cena só não é mais perfeita porque tem a voz de Davi quebrando totalmente o clima para dizer que “a vida dá segundas chances mesmo a quem errou” – bem, ele que o diga, né? O amor incondicional da autora por Davi faz com que metade do último capítulo conte com uma “narração” de Davi e, infelizmente, eu achei isso brega e chato… agravado pelo fato de que eu não aguentava mais ouvir a voz do Davi.

Sob essa narração irritante do Davi, vemos outros finais… Lorenzo consegue a chance de se mudar para a capital e agradece a Bento, que termina como o grande “bom moço” que ele também não é; Onofre ganha a chance de trabalhar como treinador de futebol, e fiquei feliz por ele, embora o texto da cena não ajude e não desminta a ideia de que a sua família “atrapalhou o seu sonho”; Mariana tem uma sequência divertida “levando bolo para a avó”, que era só um esqueleto vestido; Geraldo e Santa se casam no mesmo dia de Inácio e Arminda; Iolanda consegue, finalmente, montar a peça que ela tanto queria, e engata um romance com o verdadeiro Rafael Antunes; Eugênio e Violeta se casam e decidem, com o fim da guerra, ampliar a tecelagem; Úrsula morre engasgada com a pipoca que rouba de uma criança na rua (!); Emília vira a rainha da rádio.

Ao menos Emília parou de ser punida, nem que seja 5 anos depois!

A novela termina com um show de Davi Jardim em Campos – que eu assisti revirando o olho e torcendo para acabar depressa, e me incomodou a forçação de seu anúncio como “o melhor ilusionista de todos os tempos”… vamos com calma, né? O show serve para vermos a passagem de tempo – descobrimos, por exemplo, que o Joaquim cumpriu 4 anos por ser cúmplice na morte de Abel, mas agora está solto e morando em São Paulo, com o pai, onde eles comandam juntos uma pequena loja de tecidos. Mesmo que por segundos, Joaquim entrega outro momento emocionante. A cena do show também traz a revelação de que Santa e Geraldo aparentemente adotaram 7 crianças, e que Violeta e Eugênio também adotaram, e acho uma falta de respeito a Olivia ter sido ignorada. A garota que queria ter filho e perdeu o útero em um protesto é a única que não adotou?

Fico me perguntando que mensagem a autora quis passar com essa trama da Olivia…

Mas se eu começar, vou me estender e me estressar.

Por fim, felizmente, não temos apenas uma cena chata do Davi para finalizar a novela (eu sempre adorei mágica, mas assistir ao Davi é insuportável), mas um retorno do Matías que, no fim das contas, não morreu no lago… ele está vivo, morando na rua, comendo do lixo e constantemente indo ao túmulo de Elisa para conversar com ela: “Oi, filhinha! Papai voltou!” Fui alertado sobre todo o significado da música “Unicórnio Azul”, que é o tema de Matías, e ouvir a música tocando durante essa cena final do personagem me arrepiou – porque Matías passou a vida toda buscando seu unicórnio azul depois de perdê-lo… a cena é forte e Antonio Calloni entrega a atuação brilhante de sempre, sozinho, em frente ao túmulo de Elisa. É belo, triste e melancólico e, para mim, a melhor cena do último capítulo… uma ótima maneira de concluir esse ciclo e essa narrativa.

“Além da Ilusão” chegou ao fim e dividiu opiniões. As minhas estão por aí, em mais de 70 textos…

 

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Comentários

  1. Minha nota final e7/10,não foi uma novela horrível,os núcleos paralelos foram bons,mas essa história do Davi foi horrível,paloma Duarte,Antonio calloni e Mallu gali roubaram a cena

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