Stranger Things 5x07 – Chapter Seven: The Bridge

“Or me”

Sendo bem sincero e bem direto: se você não gostou desse episódio, nós somos mesmo pessoas muito diferentes. “Chapter Seven: The Bridge” é o último episódio do Volume 2 da última temporada de “Stranger Things”, lançado em 25 de dezembro de 2025, e é o episódio no qual o pessoal de Hawkins entende o plano de Vecna, bem a tempo de tentar o impedir: já é o dia 06 de novembro e ele está usando as crianças, seus “receptáculos”, para tentar fundir os dois mundos… o nosso mundo e o Abismo. O episódio traz mais uma cena linda para Steve e Dustin, que é uma das melhores duplas de “Stranger Things”, e o que pode ser a cena mais importante para Will Byers, que me levou às lágrimas porque, como homem gay, entendo sua dor, seus medos e o seu alívio.

E foi uma cena diferente do esperado, mas cheia de sentimento e sinceridade.

O episódio começa com a Max despertando nos braços de Lucas, e já brinca com bastante emoção desde então… ele esteve o tempo todo ao seu lado, tocando Kate Bush, e ela sabe disso, porque o viu. Aos poucos, os demais também vão chegando para reagir ao despertar de Max, e embora não tenhamos ganhado nenhuma grande cena entre Max e Eleven, a cena toda é conduzida pela emoção de ter a Max de volta. Muito fofo, também, ver o Mike a provocando e lembrar de como isso ecoou na dinâmica de Max com Holly Wheeler na mente de Vecna, e quando o Mike pergunta sobre a irmã, somos convidados a ver o que está acontecendo com ela, e descobrimos que a sua fuga não vai ser tão “simples” quanto talvez esperávamos que ela fosse…

Holly não desperta no Mundo Invertido, como Max acreditou que aconteceria. Ela desperta em algum outro lugar, que eventualmente será nomeado “O Abismo”, e ela foge o mais rápido que pode porque o Vecna está ali na mesma caverna que ela, mas a verdade é que ela não tem nenhuma chance e nós sabemos disso – talvez ela também saiba. Ainda assim, ela corre “caverna” afora, perseguida por um Vecna bastante lento, mas que talvez saiba que não precisa de mais do que isso porque não tem para onde Holly ir… ainda que ela pense encontrar uma saída quando vê um buraco no chão que a leva para outro lugar – o outro lado do Mundo Invertido, a outra ponta do buraco de minhoca… então, ela despenca de lá, em direção ao laboratório de Hawkins no Mundo Invertido.

Enquanto isso, Dustin e Steve finalmente encontram e resgatam Jonathan e Nancy, e a história deles se une à da fuga de Holly Wheeler, quando elas escutam os gritos e Nancy reconhece a voz da irmã… o problema é que eles chegam a ver Holly caindo do Abismo até o laboratório de Hawkins, mas ela é detida no meio do caminho… ainda que ela veja Nancy e estenda a mão para eles, pedindo ajuda, ela é puxada de volta em direção ao “céu”, totalmente à mercê de Vecna, que ainda pretende usar Holly para concluir seus planos – ele precisa de 12 receptáculos. Assim, os quatro jovens retornam para Hawkins sem Holly, enquanto Holly é levada flutuando calmamente de volta para a caverna na qual estava e, com isso, de volta para o lugar de onde foi tão difícil escapar.

De volta à estaca zero.

Hawkins nos traz a preocupação de Will sobre Vecna e sobre como ele pode ser usado. Ele tem, ainda nos primeiros minutos de episódio, uma cena muito emotiva com a mãe sobre a última vez em que foi usado por Vecna como espião – como ele foi seu receptáculo e como ele foi usado para “construir” túneis, enquanto Vecna infectava Hawkins com o Mundo Invertido, e ele não gosta de pensar no que Vecna fará agora, com mais doze receptáculos como ele fora. E tudo indica que o ataque de Vecna acontecerá ainda nessa noite. É angustiante e triste ver o Will chorar enquanto diz que “a mãe está errada” e que “a culpa é dele” enquanto Joyce tenta o acalmar. Destaco, ainda, a cena na qual Will reencontra Max, que é uma cena muito bonitinha de se assistir.

Com todos de volta em Hawkins, é hora de eles se reunirem e armarem um plano, e essa é uma cena que exemplifica bem por que eu amo tanto “Stranger Things”: EU AMO ESSES PERSONAGENS. Essa é a vitória de qualquer série de sucesso: quando ela consegue que amemos os personagens e amemos vê-los interagindo, ela cumpriu seu objetivo. Toda a condução da cena beira o caos, mas traz bons momentos para vários personagens, ainda que momentos pequenos: Dustin explica sobre a sua descoberta sobre o buraco de minhoca e, portanto, a localização de Holly e das demais crianças, nomeando, enfim, o lugar onde o Vecna está como “Abismo”, em referência a Dungeons & Dragons – destaque para reações de Erica ao buraco de minhoca e de Hopper à menção a D&D.

As informações se juntam… a descoberta de Dustin, o que Will sabe por ter estado na mente de Vecna e o que Max ouvira de Holly sobre o que Henry dissera para as crianças – eles entendem o plano, e Vecna planeja “fundir os dois mundos” naquela noite. Agora, eles precisam de um plano, o que faz todo mundo falar ao mesmo tempo, entrega aquela piada gostosa da Robin com o Steve (preciso dizer que o Steve estava mais lindo do que o normal reagindo com aquele “What the hell is wrong with you?”), e é o Steve quem “resolve” tudo, com um plano que realmente parece viável, e é o que eles vão seguir. Gosto muito, ainda, da cena dele com o Dustin sobre o Eddie, com direito a um pedido de desculpas, reconhecimento mútuo e sentimento sincero.

Ambos sentiram falta de seu melhor amigo.

“You die, I die”

Antes de eles partirem, no entanto, ainda há algo que precisa ser feito e dito… Will sabe disso. E eu preciso dizer: A ATUAÇÃO AQUI ENTREGOU MUITA EMOÇÃO E MUITA SINCERIDADE! Will conversa com a mãe sobre como o Vecna usa a sua mente contra você e, quando esteve sob seu controle da última vez, ele conseguiu escapar lembrando-se de memórias felizes de quando ele era criança, de quando “ele ainda não tinha medo”, mas ele sabe que Vecna “encontrou uma saída”, ele ainda tem uma maneira de o controlar, porque sabe sobre seus pensamentos, seus sentimentos… seus segredos. Ele diz que pode derrotar o Vecna, mas, para isso, ele precisa contar a verdade. Seria uma cena dele só com a mãe, mas o Mike chega e ele percebe que Mike também precisa ouvir…

Todos precisam.

É uma cena na qual Will Byers fala sobre ele mesmo e sobre a sua sexualidade, e ela é “irreal” por ter 12 pessoas para escutá-lo – normalmente isso é feito aos poucos, contamos para uma pessoa, depois para outra, até que o medo se dissipe e não escondamos mais –, mas eu não sinto que isso diminua em NADA o impacto da cena, porque Will sustentou aquela cena de maneira magnética: ele prendeu personagens e audiência, especialmente outras pessoas LGBTQIA+ que entendem o que ele está dizendo não por entender as palavras, mas por entender o sentimento… entender a angústia, o medo de tanta coisa, o alívio e a libertação que vem depois. Will fala sabendo que, ao fazê-lo, ele está tirando de Vecna a única coisa que ele tinha contra ele.

E por isso a cena é tão importante.

Vecna não poderá usá-lo dessa vez… não haverá medo a ser explorado.

Will nos emociona. Ele fala de memórias, ele fala sobre como ainda é ele mesmo e sobre todas as coisas que o faz “igual aos demais”, mas ele diz que “não gosta de garotas”, e ele expressa o seu medo de ser rejeitado, de ser excluído, de ficar sozinho… ele fala sobre ter tido um crush em alguém, mas ter entendido que “ele era só sua Tammy”. Amo, particularmente, a emoção de Jonathan expressa em lágrimas (ele é um ótimo irmão!) e o orgulho de Robin, que ajudou muito em todo esse processo. Jonathan é o primeiro a abraçar o irmão e dizer que “ele nunca vai perdê-lo”, e então os demais se levantam dizendo o mesmo e o abraçando, e é uma cena grandiosa e linda. Isso tira um peso das costas de Will, algo que talvez só nós, que já passamos por isso, entendamos de fato.

Quem nunca precisou passar por isso JAMAIS vai entender tão bem o que isso representa.

Jamais.

O passo de Will é importantíssimo e eu amo “Stranger Things” por ter trazido isso e por ter feito ser tão importante para o roteiro: ele sabe que Eleven pode precisar dele e ele quer estar lá, e agora ele poderá ser parte da missão sem ter medo de ser usado contra eles porque ele tirou de Vecna a sua carta na manga. O jogo virou… o problema, é claro, é que tudo está “muito em cima da hora”. Afinal de contas, já é 06 de novembro, e Henry conseguiu Holly de volta, o seu plano está em ação. Inclusive, eu acho que o Henry nunca pareceu tão ameaçador e tão ASSUSTADOR quanto nesse episódio, na cena em que ele está mentindo para as crianças e as manipulando para que fiquem todas contra Holly. Os gritos de “Back to the light!” e a expressão de Henry aqui causam calafrios.

Quando Holly desperta, assustada, de volta na casa de onde tentou tanto escapar e quase conseguira, com a ajuda de Max, ela é recebida por uma série de crianças assustadoras, totalmente convertidas pelas palavras de Henry – como se fossem uma seita. É revoltante assistir às crianças, é triste ver o Derek enfim acuado e com medo de apoiar a Holly, e a Holly tenta escapar sendo maravilhosa dando com o rádio na cara de uma das garotas, mas não é o suficiente… ela acaba encurralada, perde o seu amuleto de “Holly, a Heroica”, cai da escada e, no fim do episódio, ela está sentada em volta da mesa com as outras onze crianças e Henry, porque enfim chegou a hora de colocar o plano de Vecna em ação. E, agora, só temos o Finale à frente!

“It’s time”

 

Para mais postagens de Stranger Things, clique aqui.

 

Comentários