Além do Tempo – A suposta morte de Emília Diffiori

“Lívia… eu vou viver, filha. Eu quero viver”

O estado de saúde de Emília Diffiori é delicado… a Condessa Vitória Castellini a detesta com tanta intensidade por considerar que ela arruinou a vida de seu filho por ter feito com que ele se apaixonasse por alguém que não era “do seu nível” que ela nutre esse sentimento de ódio e de rancor durante toda a sua vida – é algo tão marcado que se tornará uma pendência a ser resolvida em outra vida. Na tentativa de se livrar de Emília de uma vez por todas, ela manda que Bento coloque fogo na casa onde Emília mora, e ela teria morrido ou queimada ou sufocada pela fumaça se não fosse pelo cuidado constante de Ariel. Primeiro porque é ele quem tira Emília de dentro da casa em chamas na fatídica noite; depois, porque uma visita sua ao hospital salva a sua vida.

Ariel é um personagem curioso, interessantíssimo… as primeiras semanas de novela o colocam no caminho de personagens na hora em que eles mais precisam de ajuda, e gradualmente vamos percebendo que não são meras coincidências que o colocam ali: ele é literalmente alguém enviado dos céus para cuidar dessas pessoas… e fazer com que as coisas que precisam acontecer aconteçam. Emília Diffiori está prestes a morrer em uma cama de hospital quando o padre é chamado para dar a extrema unção, e Ariel discretamente se aproxima dela, segura a sua mão, coloca um terço ali e salva a sua vida. Gosto da beleza do milagre acontecendo, que é marcado por uma trilha sonora celestial e por uma luz intensa que parte de sua mão e faz com que Emília desperte.

Para a surpresa de todos e alívio de Lívia, Emília desperta após a extrema unção, e Ariel deixa o quarto tão discretamente quanto se aproximou de Emília, satisfeito por saber que seu trabalho ali está feito… Emília tem uma nova oportunidade. Agora que ela já conversou com Lívia e já contou tudo sobre ela ser neta da Condessa Vitória Castellini, ela não precisa mais mentir para ela, nem mantê-la distante presa em um convento como fizera durante toda a sua vida. Com sinceridade, ela diz à filha que quer viver, e também diz que a ama mais do que tudo nesse mundo. Enquanto isso, Ariel faz questão de fazer Bento acreditar que Emília Diffiori está morta, e assiste enquanto a Condessa visita o túmulo falso e modesto de Emília que ele preparara atrás da igreja…

A maldade da Condessa é assustadora, exposta na evidente satisfação pela morte daquela que considera sua arqui-inimiga. Com o ódio movimentando seu corpo, ela joga a cruz improvisada do suposto túmulo no chão e pisa sobre ele, dizendo: “Que sua alma queime no fogo do inferno para sempre!”. Emília não precisa ver isso tudo para saber que a Condessa não pode saber que ela sobreviveu… ou então ela nunca a deixará em paz… pior, nunca deixará Lívia em paz. Por isso, ela precisa que seja feito um pacto e que todos que sabem do que aconteceu prometam que nunca dirão nada… não vão falar sobre ela em Campobello. Ela também decide que precisa de um lugar distante onde possa se esconder, e o melhor lugar no qual ela consegue pensar é no convento

Fico triste por Lívia, mas é quase divertida a ironia disso tudo! Emília pede que o padre a aceite no convento e pede que Lívia vá com ela – justamente agora que Lívia acreditou que estava finalmente livre dessa sina! Dessa vez, no entanto, seu retorno é diferente de quando ela partira… o próprio padre diz que ele e a irmã não vão insistir para que ela seja uma noviça, porque entenderam que ela não tem o dom para isso. Mesmo assim, quando Lívia encontra Felipe na casa queimada da mãe e é novamente beijada por ele, que pede que ela lhe dê esperanças de um romance e então terminaria tudo com Melissa (!), ela diz para o Conde que vai sim ser freira… ela está prestes a fazer os seus votos e esse é o destino que ela escolheu para ela.

É nisso que ela espera que ele acredite.

Sozinha, Lívia visita o túmulo de Bernardo Castellini, o homem que agora ela sabe que é seu pai e que ela nunca pôde conhecer – e é uma cena emocionante na qual ela “conversa” com ele, mas também tensa, porque vemos que há alguém observando Lívia à distância. Alguém que só pode ser o próprio Bernardo. Afinal de contas, “Além do Tempo” não faz tanto suspense com a possibilidade de ele estar vivo, e ganhamos logo a confirmação disso quando descobrimos que Vitória Castellini está buscando pelo filho que conseguira se salvar daquele acidente e que está desaparecido desde então… ela visita sanatórios para conhecer cada recém-chegado, na esperança de que algum dia se depare com Bernardo. Ela nunca deixou que Allegra soubesse que Bernardo sobrevivera, no entanto…

Forjar um funeral para o próprio filho foi parte de seu plano para fazer Allegra sofrer.

Cruel. Essa mulher é perversa!

 

Para mais postagens de “Além do Tempo”, clique aqui.
Visite, também, “Teledramaturgia Brasileira” em nossa página.

 

Comentários