Doctor Who (2024) 1x01 – Space Babies

Eric e a espadinha!!!

Como apresentar “Doctor Who” a todo um novo grupo de fãs que se pretende conquistar com o recomeço da contagem de temporadas e distribuição internacional pelo Disney+? Com diálogos expositivos, carisma, um monstro de meleca e uma nave que peida… por que não? “Space Babies”, lançado no último dia 10 de maio, tem a cara do que Russell T. Davies sempre escreveu para a série, e funciona como um primeiro episódio – embora eu tenha que dizer que eu sou uma daquelas que pessoas que gostam mais da escrita do Steven Moffat para “Doctor Who” do que a do RTD… quem quiser me julgar, que me julguem. De todo modo, ainda que com probleminhas pontuais, como um todo o episódio é divertido o suficiente para arrancar risadas e para mostrar o absurdo que é a série.

Dito isso, BEM-VINDOS à nova era de “Doctor Who”.

O episódio começa exatamente onde “The Church on Ruby Road” nos deixou: quando Ruby Sunday entrou na TARDIS e o Doctor a recebeu como sua nova companion… ainda que eu não quisesse estar dizendo isso, eu vou dizer: os primeiros minutos do episódio me deixaram um pouco desconfortável. Eu sou uma daquelas pessoas prontas para receber novos fãs e quero que mais gente assista à série, mas eu acho que tinha formas mais sutis de “reapresentar” elementos da série ao longo do episódio como um todo (ou mesmo da temporada como um todo!), do que jogar tudo da maneira mais expositiva possível em questão de minutos. O que me deixa levemente incomodado não é já conhecer aquelas informações, é notar a falta de fluidez, como se o RTD quisesse se livrar disso de uma vez.

Do tipo: “Está tudo aí agora, vamos em frente”.

O Doctor fala sobre a TARDIS, sobre o circuito camaleão, sobre a tradução gerada por ela, brevemente sobre Gallifrey, sobre “ser o último Senhor do Tempo”, e o episódio “brinca” com o Efeito Borboleta colocando a Ruby para fazer uma pergunta direta e a fazendo literalmente pisar em uma borboleta no passado – aqui eu dei um sorriso sincero, mas eu também fiquei um pouco tristinho com o fato de a era dos dinossauros e a “transformação” de Ruby em uma pessoa completamente diferente ser apenas uma piada de segundos, porque era algo que tinha me deixado empolgado no trailer… mas, parando para pensar, eu que criei expectativas à toa, estava meio na cara que era algo passageiro, mais um elemento usado para introduzir um “controlador de efeito borboleta” ou qualquer coisa assim.

(Não me lembro de ter ouvido falar disso antes, por sinal, mas eu posso só ter esquecido)

Depois de uma apresentação excessivamente expositiva, um ritmo acelerado e até um pouco de exagero que quase me soa como desespero para cativar a nova audiência, o episódio começa a entrar em um ritmo mais aceitável ao entrar na trama independente dele, que tem a ver com os “Bebês do Espaço”, uma babá chamada Jocelyn e um bicho-papão feito de meleca e projetado para gerar medo. Foi só a partir dos bebês que o episódio me conquistou de verdade. Absurdo, mas dentro dos parâmetros de “Doctor Who”, os bebês eram muito fofos, e não tinha como não se apaixonar. A fofura que era os bebês os chamando de “papai” e “mamãe”, chorando por causa do bicho-papão (destaque para o Doctor se matando de rir, como não amar?!) ou “sendo heróis”.

O Eric com a espadinha arrancou um “OWWWWWN” sonoro aqui em casa. E risadinhas.

Acho que “Doctor Who” tem uma capacidade peculiar de trazer assuntos sérios de maneira alegórica – algo muito característico da ficção científica, por sinal, embora “Doctor Who” tenha um coração na ficção científica e o outro em tantos outros gêneros com os quais flerta. Toda a questão de não haver ninguém na estação para cuidar dos bebês depois que eles nascem, mas “ser ilegal desligar a máquina de nascimento” é uma crítica f*da àquelas pessoas que se dizem “pró-vida”, mas são apenas “pró-nascimento”. Daria uma discussão imensa a respeito da legalização do aborto e o abandono de crianças, hein? O episódio ainda pincela algo a respeito de refugiados, quando o Doctor e Ruby conversam com Jocelyn sobre qual poderia ser o destino das crianças.

O 15º Doctor, interpretado por Ncuti Gatwa, está incrível. Confesso que, em alguns momentos, eu ainda tenho dificuldade de enxergar o personagem nele, mas a sua energia é contagiante, ele parece feliz interpretando o Doctor, e essa é a melhor característica que ele poderia trazer à série… o tom se ajusta com o tempo, e eu amo o Ncuti. Eu devo ser uma das poucas pessoas, no entanto, que ainda não conseguiu se afeiçoar inteiramente à Ruby. Não desgosto dela de maneira alguma, mas talvez eu tenha mais dificuldade de me enxergar nela (lembrando que o companion é o “avatar” da audiência dentro da série) do que eu tinha de me enxergar na Clara ou na Bill, por exemplo. Mas ela tem um mistério interessante ao seu redor que deve levar no mínimo essa temporada toda para se resolver…

A neve na TARDIS no final.

Não é necessariamente um dos melhores episódios de “Doctor Who”, mas eu acho que é muito mais legal do que “Rose”, que foi o retorno de “Doctor Who” em 2005, e deve servir como um bom ponto de entrada para novos espectadores… como eu já disse anteriormente: eu, fã de longa data da série, não consigo exatamente me colocar no lugar desses novos fãs e abstrair o suficiente para ter uma ideia de como eles estão vendo a série ao chegar aqui pela primeira vez. Com a bagagem de “Doctor Who” que trago, no entanto, me parece um bom começo: acho que o básico está aqui, tanto em informações quanto em “estilo”, e o restante vai se desenrolando e se descobrindo com o tempo… as coisas não precisam ser todas escancaradas agora. Tomemos tempo, o mistério faz bem.

Agora, vamos para “The Devil’s Chord”.

 

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Comentários

  1. Amei muito seu texto, amigo. Espero que muitos outros iniciantes como eu o leiam. Você já sabe bem o quanto eu amei esse primeiro episódio, nem sei se tem muito mais o que comentar aqui.

    Amei a loucura desse começo de temporada, amei as alegorias trazidas no episódio, a fofura dos bebês e o entrosamento da Ruby com o Doutor. Sim, o início teve um diálogo extremamente expositivo, mas confesso que isso não me incomodou. Deve ser porque estou me aventurando pela primeira vez nesse universo, e todas as informações que me forem apresentadas para compreender Doctor Who serão aceitas de bom grado kk.

    Sobre em alguns momentos você ainda não conseguir enxergar o Ncuti como o Doutor, vai ser engraçado isso pra mim, pois como esse é o primeiro Doutor que estou vendo, vou sempre associar a figura desse 15° Doutor à imagem do personagem. Espero que pra muitos também seja assim kk.

    Novamente, amei a review, e amei muito também o episódio. Obrigado por me inserir nesse Universo fantástico!!!!!

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    1. Ai, amigo! Que bom que você gostou, do episódio e do texto! E falando sobre você sempre associar a imagem do Ncuti ao personagem do Doctor, já estou aguardando sua reação dentro de alguns anos, quando vivenciar sua primeira regeneração hahahaha

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    2. Daqui a alguns anos veremos kk

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