Xuxa e os Trapalhões em O Mistério de Robin Hood (1990)

Didi vira Robin Hood!

Lançado em 1990, “O Mistério de Robin Hood” é mais uma divertida parceria entre Os Trapalhões e a nossa querida rainha Xuxa Meneghel, e é um daqueles filmes pelos quais temos um carinho imenso graças à sensação de nostalgia e ao elenco de quem gostamos tanto – embora não seja um filme tão expressivo da filmografia d’Os Trapalhões, ficando aquém de outros filmes lançados pouco tempo antes, como “A Princesa Xuxa e os Trapalhões” ou “Os Trapalhões na Terra dos Monstros”, ou mesmo filmes da “retomada” alguns anos depois, como “Simão, o Fantasma Trapalhão” ou “O Trapalhão e a Luz Azul”, dois filmes dos quais eu gosto muito, “O Mistério de Robin Hood” tem seu charme e certamente nos leva de volta no tempo quando o revemos!

Como o título sugere, o filme é inspirado pela clássica história inglesa do homem que “roubava dos ricos para dar aos pobres” – e não é a primeira vez que o icônico personagem inspira uma história do grupo, já tendo sido a base para o filme “Robin Hood, o Trapalhão da Floresta”, de 1973, quando o grupo ainda era formado apenas por Renato Aragão e Dedé Santana. O filme mescla ação, romance e diversão, e também se inspira, além do óbvio “Robin Hood”, em “O Garoto”, um dos filmes mais famosos de Charles Chaplin, lançado em 1921: assim como o personagem de Charles Chaplin, o personagem de Renato Aragão é conhecido como “Vagabundo” em “O Mistério de Robin Hood”, e Duda Little tem uma caracterização muito próxima da do garoto no filme do Chaplin.

Didi é uma variante interessante do Robin Hood que conhecemos: ele não apenas rouba dos ricos para dar aos pobres, mas ele rouba de criminosos para ajudar quem realmente precisa. O que, é claro, é uma atitude muito boa. Enquanto Didi é, como é de se esperar, o protagonista do filme, que se passa quase que inteiramente em um circo, um cenário muito confortável para Os Trapalhões, eu sinto que Dedé e Mussum estão, infelizmente, um pouco perdidos da história… alheios demais a tudo a não ser quando o Robin Hood os “convoca” para uma missão, Dedé e Mussum protagonizam momentos de comédia que parecem esquetes independentes, e me pergunto se isso pode ter a ver com a morte recente do Zacarias – é o primeiro filme do qual ele não participa.

Xuxa Meneghel, que era (como ainda é) um verdadeiro ícone, interpreta a Tatiana, a filha do antigo mágico do circo, que agora faz bonecas que não estão vendendo mais. Por isso, para ajudar na renda da família, Tatiana se veste como um Moleque para vender amendoim e coisas assim no circo (em parte, eu não entendo por que ela não podia vender como ela mesma, mas tudo bem). Naturalmente, o Didi é apaixonado pela Tatiana, enquanto Tatiana vai se apaixonar não por ele primeiramente, mas pelo misterioso Robin Hood, que ela conhece em uma noite e, depois, descreve como “um homem bonito, alto, de cabelos cacheados e ruivos” (sensacional!). É o arquétipo da garota que se apaixona pelo alter ego, como Lois Lane e o Superman, ou Mary Jane e o Homem-Aranha.

A relação do Didi com a garota que ele encontra na lata de lixo e acolhe – inicialmente chamando de “Espinho”, e depois mudando para “Rosa”, quando descobre que é uma garota – também é um dos pontos altos de “O Mistério de Robin Hood” e isso rende alguns bons momentos, porque a garota foi sequestrada justamente pelo perverso Gavião, o vilão do filme, e é o nosso Robin Hood que, depois de protegê-la por um tempo, vai devolvê-la para a sua família… a cena da despedida de Didi e a garota, que agora sabemos se chamar Luísa Cavalcante Rocha, é muito bonita, com direito a um abraço carinhoso e ela dizendo para ele que o adora. É realmente a ideia do Didi como o Robin Hood: aquela figura boa que está no mundo para corrigir algumas injustiças.

Dei boas gargalhadas com o Didi pedindo a ajuda de Fredo e Tonho, os personagens de Dedé e Mussum, para ir atrás do Gavião, dizendo que “é perigoso” e o Tonho tentando escapar na hora (“Tô me mandandis”), bem como de toda cena de ação cheia de piruetas protagonizadas pelo Robin Hood, porque eu acho que há certa graça justamente em não querer parecer real, porque sabemos que não é o Renato Aragão fazendo aquelas cenas, e está tudo bem! Não figura entre os meus favoritos d’Os Trapalhões, é verdade, mas “O Mistério de Robin Hood” é um divertido aporte à filmografia do grupo, e transmite uma mensagem muito bonita em toda a sua simplicidade, e consegue fazer com que terminemos de assisti-lo nos sentindo um pouquinho mais leves.

 

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Comentários

  1. Adoro os filmes dos Trapalhões, e você descreveu exatamente o que eu senti quando revi ele anos após ver na Sessão da Tarde. Por favor, continua fazendo resenhas dos Trapalhões, incluindo todos esses que você mencionou.

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    1. Vou continuar sim. Ainda não sei com que frequência exatamente, mas estou retomando o projeto!

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  2. Tatiana ficaria rica se vendesse amendoim como ela mesma hahahahahaha

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