Além do Tempo – Alberto conta a verdade a Emília e ela sofre um acidente!

“Não, papai. Isso não pode ser verdade”

Alberto passou a vida inteira mentindo para a própria filha… incutindo nela um ódio irrevogável da mãe que ela acredita a ter abandonado e nunca mais ter procurado por ela – e a quem ele mentiu que a filha estava morta. Não foi apenas raiva que o fizera mentir no passado, assim como não é apenas covardia que o fez continuar mentindo durante toda a vida: foi maldade. Lívia não precisa que o avô lhe confesse nada porque ela já entendeu como tudo aconteceu, ela sabe que ele mentiu… e ela fala abertamente sobre isso com ele: ela fala sobre como ela está triste e decepcionada com a sua atitude porque ela sempre o amou e, agora, sente como se não o conhecesse mais, como se não soubesse do que ele é capaz, e não é fácil “consertar” o que ele fizera.

Lívia é uma personagem excelente, e eu gosto de seus posicionamentos maduros e sua capacidade de dizer, seja a quem for, o que precisa ser dito. Ela enfrenta Alberto com admirável respeito, mas com a firmeza que o momento exige: ela fala sobre como Vitória passara os últimos 40 anos acreditando que a filha estava morta e se sentindo culpada por isso, e sobre como ele incentivara uma criança a ter ódio da própria mãe, um ódio que ele estava sentindo. E Alberto tenta “se defender”, tenta dizer que inventou essa mentira em um momento de ódio e que esse ódio não passara até ele estar à beira da morte, quando ele supostamente se “arrependeu”, mas o que aconteceu não foi arrependimento… o que aconteceu foi nada mais do que MEDO.

Ele teve medo do juízo final, medo do que havia depois da morte e medo de morrer e ter que pagar por sua maldade. Agora, então, ele é instruído a dizer a verdade para Emília… e é uma cena fortíssima, repleta de sentimentos dos mais variados, e tudo é imensamente difícil para Emília, porque parte dela não quer acreditar nisso tudo que ele está dizendo quando ele confessa que Vitória o procurou, sim, para saber da filha, e ele mentiu que ela estava morta, porque acreditar no que o pai está dizendo agora significa acreditar que ele mentiu para ela sua vida toda. A sua expressão incrédula mostra o seu mundo desmoronando, e ela não sabe como reagir, ela não sabe como processar essa informação e ela “escolhe” não processar para não ter que lidar com isso…

Mas é tarde demais.

Seu pai confessa que Vitória o procurou, querendo ir atrás de Emília e pedir perdão para a filha, não muito tempo depois de ter partido em seu aniversário, e ele já tinha tudo preparado para esse momento: ele forjou um anúncio fúnebre e forjou uma sepultura. Emília tenta fazê-lo parar de falar, tenta dizer que “ele está louco” e que “ele está delirando”, e ela mesma faz toda a leitura que nós, enquanto espectadores também fazemos, toda essa tentativa de ignorar o que o pai está dizendo porque fingir que ele nunca disse nada seria mais fácil do que lidar com 40 anos de mentira de uma pessoa que ela amava e de raiva de uma pessoa que, no fim, talvez não merecesse todo esse rancor…

 

“Se eu acreditar em tudo isso que o senhor tá me contando, pai, eu vou ter que acreditar também… […] Pai, o senhor não me deixou esquecer. O senhor alimentou o ódio por essa mulher, por minha mãe. Pai, eu era uma criança, não se faz isso com uma criança. Então não é possível. […] Papai, se isso fosse verdade, eu teria que colocar o senhor daqui pra fora agora”

 

Emília diz que não quer acreditar nele, mas ela sabe que é verdade, ela sabe que ele não tem motivo para estar dizendo isso agora se não for verdade, e o horror e a incredulidade estampados no seu rosto representam uma luta interna dificílima. Em voz alta, Emília vai compreendendo tudo, vai entendendo que, se isso tudo é verdade, então ela “não tem mais pai”, e entende todas as mentiras que ele contara a partir dessa mentira inicial: ele passou a vida toda dizendo para ela que a Vitória nunca perguntou sobre ela, nunca quis saber nada dela… ela cresceu amargurada, passou a vida toda se sentindo diminuída, como se fosse a pior coisa do mundo, uma porcaria, porque “é assim que uma criança se sente quando é abandonada por alguém que ama”.

Ela reconhece a vida construída em cima de ressentimento, em cima de mágoa… em cima de ódio. Emília deixa aquele quarto dizendo que, se acreditar nele, ela nunca vai poder perdoá-lo, por isso prefere não acreditar, porque é a única maneira de, quem sabe, “manter a sua sanidade mental”. Então, ela vai sozinha para o próprio quarto e começa a chorar sozinha, com a sua cabeça rodando sem parar… muita coisa começa a voltar à sua memória, e não apenas coisas antigas das mentiras que o pai lhe contara a vida toda, mas coisas recentes que agora fazem sentido e corroboram a história como ela realmente foi: coisas como a Lívia dizendo que Vitória realmente acredita que a sua filha morreu, ou a própria Vitória dizendo que passou a vida toda sofrendo pela morte da filha

Por mais que diga que não quer acreditar no pai, Emília não tem escolha, e uma parte dela quer ir até Vitória e quer conversar com ela, quer tirar essa história toda a limpo, mas ela também está apavorada… ela pega o carro e sai dirigindo, um tanto atordoada, e para na frente da casa de Vitória, mas não tem coragem de descer do carro. Vitória sai de dentro de casa, porque estava esperando por ela desde que Lívia ligara dizendo que o avô havia contado tudo, e ela tem um sorriso no rosto e os braços abertos para receber a sua filha, mas, naquele momento, Emília percebe que ela ainda não está pronta para isso… então, ela dá a ré no carro e vai embora, ainda sem coragem para enfrentar a mãe que odiou a vida toda. E, transtornada, Emília acaba sofrendo um acidente.

Um grande acidente que a deixa entre a vida e a morte no hospital.

 

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Comentários

  1. E pela segunda vez "Dr. Albieri" separou uma criança da própria mãe e influenciou essa criança a se manter distante da mãe, o Léo de "O Clone" era distante da Deusa desde pequeno por causa do Albieri 🤡

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  2. Eu acho engraçado que você começou a comentar essa novela antes mesmo de anunciarem a reprise na globo. É como se você tivesse advinhado. Eu assisti durante a primeira exibição, mas só a parte de época. Tenho a impressão de que se eu reassistir, vou gostar mais da parte contemporânea.

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