[Season Finale] Sherlock 2x03 – The Reichenbach Fall


“My best friend. Sherlock Holmes… he’s dead”
Que episódio SENSACIONAL! Mas brincou com os nossos sentimentos de forma tão profunda e dolorosa que eu não tenho estruturas emocionais o suficiente para escrever um bom texto daqui em diante. Nós sabemos o que aconteceu, mas em algum momento, é mais ou menos como The Hounds of Bakersville: você não pode acreditar no que os seus olhos veem. A pergunta que fica no fim do episódio, basicamente, é: COMO?! E novamente passou-se muito tempo antes que Sherlock retornasse com uma terceira temporada que fosse esclarecer as dúvidas dos mais ávidos fãs. Mas nós sabíamos que isso aconteceria, não sabíamos? Sherlock Holmes morre eventualmente e não há
como evitar isso – em uma batalha com Moriarty, Sherlock Holmes MORRE. Todos nós sabemos disso. Em algum momento de sua vida, Sir Arthur Conan Doyle decidiu que já tinha terminado de escrever as histórias do detetive mais famoso do mundo, e que a sua morte era a única maneira de terminar definitivamente as histórias sem deixar pontas soltas. Então ele o fez: matou Sherlock Holmes em uma de suas aventuras.
Mas os fãs não deixaram que Sherlock Holmes permanecesse morto…
Então Arthur Conan Doyle precisou trazê-lo de volta!
Acredito que essa é uma das fases mais FASCINANTES da história de Sherlock Holmes, porque embora não fosse a proposta inicial de Sir Arthur Conan Doyle quando escrevia as histórias do detetive, é como se ele enganasse a morte. Eu, no entanto, não estava preparado para ver isso tão cedo no seriado (considero duas temporadas cedo para isso, mas o impacto compensa!). De todo modo, a construção do episódio é espetacular para que tudo convirja nesse doloroso momento. Porque é doloroso. O episódio todo é um grande jogo de poder entre Sherlock Holmes e Jim Moriarty, de uma forma ainda mais intensa que no Finale da primeira temporada. Lá era um desafio. Aqui é a cartada final. E um dos dois precisa vencer definitivamente. E as jogadas são claras, assustadoras e perturbadoramente manipuladas. As emoções também são intensas. Você sente todo o amor pelos personagens e toda a raiva pela história, de uma forma quase incontrolável que, como eu disse, deixa seu coração acelerado e você não pode se controlar.
Embora tente.
A revelação bombástica da morte de Sherlock vem no início do episódio…
Então precisamos vê-lo acontecer. Sherlock Holmes e John Watson estão em uma posição de tremendo sucesso graças aos vários casos resolvidos. Sherlock inclusive ganha presentes em divertidas cenas, e um chapéu que é a sua marca registrada. A segunda temporada nos trouxe, desde o começo, a imagem do detetive Sherlock Holmes em sua icônica boina. “Put the hat on! Put the hat on!” E Watson não poderia explicá-lo melhor: “It’s a Sherlock Holmes hat!” E enquanto conhecemos essa parte da vida de Holmes e Watson, Moriarty arquiteta o mais perfeito plano, invadindo simultaneamente o Banco da Inglaterra, a Torre de Londres e o Pentonville. Crimes pelos quais ele é majestosamente (sim, trocadilho intencional) levado a julgamento. E ABSOLVIDO. O que mais me interessa ali é a maneira como Sherlock se porta de forma incrível durante o seu depoimento (“Do you think you can survive for just a few minutes WITHOUT SHOWING OFF?!”), mas algo é óbvio: Moriarty só está ali porque quer estar.
Seja lá qual fosse seu plano.
“Not guilty. They found him not guilty. No defense and Moriarty walks free”
Depois que Moriarty é solto por causa das ameaças que usou para controlar o júri, eu acho que o jogo começa para valer. Tudo é estabelecido em uma visita. “We’re just alike, you and I. Except you are boring”. O problema final. E então as engrenagens começam a girar em um doentio jogo de poder de nos deixar confusos e embasbacados. Quase horrorizados. Assassinos se mudam para Baker Street, tão próximos de Sherlock mas sem matá-lo. E cada um que se aproxima dele é assassinado. Duas crianças são sequestradas no maior estilo João e Maria, e Moriarty deixa pistas a serem seguidas por Sherlock Holmes, para salvar as duas crianças morrendo lentamente de forma cruel por um terrível vilão. “All fairy tales need a good old-fashioned villain”. Mas enquanto Sherlock vai tentando desvendar o mistério do sequestro das crianças, é Molly quem desvenda o próprio Sherlock: você se permite estar triste quando acha que ele não está vendo. Quase como se estivesse morrendo, exatamente como ele acha que está.
“Brilliant, Anderson?”
“Really?”
“Yes. Brilliant impression of an idiot”
Mas com a resolução do caso do sequestro, as coisas saem de controle LOUCAMENTE. Claudette grita desesperadamente ao vê-lo, e Donovan ressalta a maneira “milagrosa” como Sherlock Holmes conseguiu descobrir onde as crianças estavam sendo mantidas a partir de simples pegadas que não pareciam dizer nada. Eu nunca gostei da Donovan! Dali em diante, tudo começa a ser profundamente REVOLTANTE. Os sentimentos são fortes e intensos. Você não consegue acreditar que alguém pode estar comprando a ideia de que Sherlock é, no fim, o vilão, uma grande fraude responsável pelos crimes que ele “resolvia”, apenas para encher seu ego. Como Donovan prevenira Watson lá no Piloto. E como é fácil manipular as pessoas com sugestões e ideias plantadas sugestivamente que são dificílimas de se arrancar! Moriarty sabia tão precisamente o que estava fazendo e como fazê-lo (aquela cena do táxi foi quase digna de um terrível filme de terror psicológico!) que até John Watson, em algum momento, questionou. Mesmo que por um momento, mas a dúvida esteve ali. “Moriarty is playing with your mind too, CAN’T YOU SEE WHAT’S GOING ON?”
Então Sherlock Holmes segue o plano de Moriarty: se torna um fugitivo.
A “brincadeira” angustiante chega a extremos absurdos, para exemplificar a forma como a verdade pode ser manipulada com simples – mas precisas – informações e muita atuação e dissimulação. Moriarty bancando Richard Brook, o ator desempregado que foi contratado por Sherlock Holmes para “ser seu vilão” é bizarro. Doentiamente risível! E a angústia reside em acreditar que faz sentido. Não para nós, que conhecemos e confiamos em Sherlock Holmes, mas como tudo pode parecer tão crível? Como provar que é tudo uma grande mentira de Jim Moriarty? Como matar Richard Brook e permitir que Jim Moriarty ressurja? Em algum momento Sherlock percebeu que ele estava perdido. E quando isso aconteceu, ele perdeu o controle e foi lindo. “STOP IT! STOP IT NOW!” Nunca o imaginei gritando daquela maneira com Jim Moriarty e foi de arrepiar! E tudo porque Mycroft não conseguiu quebrar Moriarty de alguma outra maneira. Me doeu ver Sherlock sabendo que o inevitável estava para acontecer.
Por isso ele vai a Molly…
“Molly, I think I’m going to die”
E só pode ter sido a fofa da Molly a ajudar em toda a encenação final!
A encenação final é tão real e tão crível que, independente do que a gente saiba, é extremamente DOLOROSO de se assistir. Quer saber, eu sei que Sir Arthur Conan Doyle escreveu uma morte para seu personagem, mas precisou trazê-lo de volta por causa dos fãs. Eu também sei que tem uma terceira temporada e, portanto, Sherlock não pode estar morto. Mas não deixa de ser doloroso e TERRÍVEL de se assistir! Porque você não entende o que aconteceu, como aconteceu. A ideia de Moriarty é que Sherlock se suicide pulando de cima de um telhado e complete, definitivamente, a história de Sherlock Holmes, uma fraude, como ele alimentou ao longo de TODO O EPISÓDIO. E ele está disposto a tirar a própria vida para garantir que Sherlock não tenha uma maneira de sobreviver. “Well, good luck with that”. E então o desespero cresce, o desespero cresce absurdamente e você quer clicar na próxima temporada para entender tudo. Ainda bem que podemos… agora imagina quem não está assistindo em maratona atualmente como nós.
Wow.
A despedida de Sherlock e Watson foi incrivelmente sentimental e me deixou destruído. “This phone call is, huh, it’s my note”. Ele precisava que John Watson acreditasse em sua morte, mas é angustiante ver o sofrimento de ambos. Ouvir o que ele diz, como diz, assumir-se como uma fraude se ele nem era uma, desmentindo as tentativas de John Watson que quer acreditar nele, determinado. O desespero de Watson olhando para o amigo que tanto ama em cima daquele telhado, encarando o inevitável destino, é angustiante. Assim como as lágrimas escorrendo dos olhos de Sherlock. E mesmo que eu saiba que ele não morreu, eu não consigo me controlar. É TERRÍVEL VÊ-LO SE JOGAR DO TELHADO! Vê-lo caindo, ouvir o barulho dos ossos se quebrando, e ver Watson sofrendo. A dor e a perda são reais. As lágrimas e o desespero de Watson são reais! O horror daquele final não teve como superar. Nem as palavras de Watson no túmulo de Sherlock. “I was so alone, and I owe you so much, but, please, there’s just one more thing, one more thing, one more miracle, Sherlock, for me. Don’t… be… dead. Would you, just for me, just stop it? Stop this”.
Ufa que mostraram Sherlock vivo no final.
Pelo menos ameniza levemente a imensa dor que sentimos!

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